sábado, 27 novembro 2021
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Talento blumenauense começa a se destacar como cantor sertanejo

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Conversamos nesta semana com um jovem de 22 anos, que está começando a chamar atenção pelo seu talento e voz. Preocupado com cada detalhe de sua carreira profissional, Jonathan Rodrigues de Mattos, ou simplesmente Johnny Rodrigues (nome artístico que adotou), faz sucesso nas casas de shows do litoral. Um blumenauense com história digna de um filme, mas que saiu daqui com sete meses e voltou 16 anos depois para a terra natal.

A entrevista é comprida, porque além de falarmos sobre sua carreira, também falamos sobre como funciona o mercado musical. São detalhes muito interessantes.

Esse vídeo com a música “Desejo de Amar”, é o primeiro clipe produzido pelo cantor, que mostra seu talento.

OBlumenauense: Como é formada a sua equipe de trabalho?

Johnny Rodrigues: Além da banda, temos um segurança, fotógrafo e o pessoal que trabalha na mídia digital. Eles não trabalham diretamente nos shows, mas são responsáveis pela parte da divulgação, onde fazem as artes e me enviam para aprovar. Tudo passa por mim, nada é publicado sem minha aprovação.

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OBlumenauense: São todos de Blumenau ?

Johnny Rodrigues: Não, todos os integrantes são de fora. O saxofonista, baixista e o sanfoneiro, são de Itajaí; enquanto os outros integrantes vem de Florianópolis, São João Batista e assim por diante. Eu optei em firmar parceria com esses músicos, porque conseguimos uma ótima integração no palco. Não gosto quando os músicos são apenas meros coadjuvantes, sem participar, enquanto o destaque fica só no cantor. Eu queria alguém participativo, que quando eu chamasse no palco, não tivesse medo de participar. São músicos carismáticos tanto com o público quanto com os contratantes. Porque tem músico que simplesmente não se integra com o resto da equipe. Chega, faz o seu trabalho e vai embora.

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OBlumenauense: Como vocês fazem para se encontrar?

Johnny Rodrigues: Nós temos um estúdio em Balneário Camboriú onde nos encontramos uma vez por semana para ensaiar todo o repertório do show e outro para ensaiar os especiais, que chamamos de “músicas que queremos dar um diferencial”. Por exemplo, em vez de fazer uma música certinha do começo ao fim, nós incluímos um reggae no meio.

Eu observei que em alguns shows o artista subia, cantava para o público, mas interagia pouco com os músicos, ou tinha pouco diferencial. O comum eram aquelas coisas clichês, como “põe a mãozinha para cima, para o lado”, aquilo que todo mundo faz. Nós procuramos pegar uma música e trabalhar com o saxofonista para que ele crie um diferencial com ela. Também temos o momento “raízes”, onde cantamos a moda sertaneja, o arrocha, onde eu chamo todos os músicos na frente para dançar.

OBlumenauense: Quantos shows vocês fazem por semana?

Johnny Rodrigues: Atualmente estou fazendo apenas três shows por semana, um número que já foi muito melhor na época que eu tinha um empresário. Eles aconteciam de quarta à domingo, e em alguns dias chegávamos a fazer mais de um por dia. Mas acabamos tendo alguns problemas e rompemos nossa parceria. Inclusive estamos à procura de um novo empresário, afinal eles tem muitos contatos e seu trabalho é focado nisso.

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OBlumenauense: Onde você costuma a fazer mais shows em Santa Catarina?

Johnny Rodrigues: Hoje nossos shows estão mais focados na região do litoral como Balneário Camboriú, Navegantes, Itajaí, Itapema e algumas vezes em Palhoça. São locais onde entrei através do meu antigo empresário, mostrei meu trabalho e eles voltaram a me contratar. Eu toco nessas casas em datas fixas mensais, algumas até duas vezes por mês como a Woods (Baln. Camboriú) e a REC-10 (Navegantes). Nesta última, nós tivemos mais de 700 pessoas (lotação máxima da casa), um recorde de público, com a sensação de que o público vai lá para me ver. Mas a média pode chegar de 900 a 2 mil pessoas, dependendo da capacidade do local. Eu já toquei por exemplo na Devassa on Stage (Florianópolis) para 16 mil pessoas. Foi para a abertura do show do Fernando & Sorocaba.

OBlumenauense: E em Blumenau?

Johnny Rodrigues: Eu já toquei muito no Riska Faca e OBS. Assim como na Rivage, onde  tenho show agendado para Julho e Agosto. No Carambas também toquei, e tenho shows para Junho e Julho.

OBlumenauense: Qual o seu estilo preferido de cantar? Sertanejo Universitário?

Johnny Rodrigues: Meu foco principal é o sertanejo, independente se ele é universitário, raiz, arrocha ou outros estilos. Você não vai entrar no meu show e escutar por exemplo, eu cantando um rock. Muitos artistas acabam não focando, começam tocando sertanejo, daqui a pouco tocam pagode, de repente Mamonas Assassinas e por aí afora. Muitos reclamam de que vão à uma casa de show sertaneja e acabam ouvindo estilos totalmente fora da proposta. No estilo sertanejo universitário eu canto desde Gustavo Lima, Luan Santana, Israel Novaes, Henrique & Diego e Henrique & Juliano; que são as grandes influências musicais do momento. Tem uma parte do meu show que eu e meu violonista sentamos em uma mesa de bar com um copo, enquanto os outros músicos ficam um pouco mais para trás. Aí começamos um encenação contando uma historinha e cantando aquelas músicas sertanejas mais antigas, tudo dentro de uma história, em formato de medley. No final dessa parte, nós falamos “chega de sofrer”, e aí o gaiteiro vem para frente e puxa um vaneirão bem campeiro.

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Foto: Ricardo Demathé Fotografia

OBlumenauense: Você tem trabalhos próprios, ou só canta músicas de intérpretes conhecidos?

Johnny Rodrigues: Dos artistas regionais ninguém faz um trabalho com músicas autorais. Todos interpretam outros compositores e cantores, assim como eu. Mas eu insiro no repertório algumas músicas próprias, porque meu dom é mais para composições românticas, assim como Zezé de Camargo e Luciano faziam no começo de suas carreiras. Elas são mais letra e sentimento, menos agitadas. Eu não posso colocar isso no show de uma balada, senão o pessoal vai embora. Seria melhor para gravar um CD.

Produtor Wilhian José
Produtor musical Wilhian José

Eu tenho umas 20 composições próprias e outras que eu fiz em parceria com artistas e meu produtor musical. Mas a única que eu gravei, foi meu produtor Wilhian José que escreveu. É um suingue mais levado para balada mesmo. Quando estou com os amigos, eu faço um medley com minhas composições. É como se fosse um show de uns 40 minutos, e no final sempre alguém acaba chorando. Quando meu segurança começou a trabalhar conosco, ele tinha recém terminado o relacionamento. Estamos falando de um homem alto e forte, uma “montanha”. Aí quando comecei, ele olhou para mim e disse: Pô, daí já é sacanagem” [risos]. Apesar de ter semanas em que não estou inspirado, na média, costumo escrever uma música por semana.

OBlumenauense: Quantas composições próprias você já conseguiu incluir no seu show?

Tem “Desejo de amar” que nós estamos divulgando e outras que eu não coloco com todos os arranjos. Porque entre você ter uma música escrita e ter ela pronta, são várias etapas. É toda uma produção de estúdio, parceria com o produtor musical, engenheiro de áudio, enfim muita coisa. O que eu faço no show é pegar o violão e dar uma palhinha para o público, dizendo que fiz a música na semana. Isso acaba servindo de referência para saber como o pessoal recebe esse trabalho. Se o público gosta e ovaciona, já sei que posso trabalhar melhor com ela. Mas se eles saem e vão buscar uma cerveja, já sei que não terá tanta repercussão.

Nós começamos a gravar um CD, trabalho que levará um ano, e junto com meu produtor musical fomos atrás de repertório. Eu disse que gostaria de ter uma música pancadão, que estoure, como outros artistas locais como Téo e Edu fizeram. Mas como eu não consegui escrever algo nesse nível, estamos indo atrás de compositores.

OBlumenauense: Em relação aos compositores, temos bons talentos na região?

Johnny Rodrigues: A grande maioria dos compositores que mandam trabalhos para nós são de fora, como Minas Gerais, São Paulo, etc.

OBlumenauense: Vocês conseguem exclusividade nessas músicas que fazem sucesso?

Johnny Rodrigues: Vou pegar como exemplo o Deny Graciano, um compositor muito bom de São Paulo. Para poder tocar e cantar suas músicas, eu tenho que comprá-las. Mas se eu não produzir, gravar e lançar no mercado fonográfico, ninguém na balada vai dar bola, porque é desconhecida. Mas para ter o direito de usá-la, preciso assinar vários documentos, contratos, etc…

OBlumenauense: Qual é o custo dessas músicas?

Johnny Rodrigues: Depende de cada autor, mas fica em torno de R$ 2.000 com contrato de exclusividade de 2 anos. Isso significa que se a música que eu escolhi fizer sucesso, após o período do contrato, posso renovar ou ele pode vender para outro cantor. E quanto mais longo o tempo de contrato, tanto mais cara ela fica.

OBlumenauense: Mais o percentual dos royalties, certo?

Johnny Rodrigues: Depende do contrato. A música que gravei, “Desejo de amar”, só prevê o valor acertado, sem cláusula de porcentagem para o compositor. Então tudo que conseguir através dela, não preciso pagar nada a mais.

OBlumenauense: Os compositores que você contrata, também fazem parte daqueles mais conhecidos e disputados pelas grandes duplas sertanejas?

Johnny Rodrigues: O Deny Graciano, aquele que comentei antes, é compositor de algumas músicas da dupla Thaeme e Thiago, que está fazendo grande sucesso pelo Brasil. Em compensação tem outros que podem dar o valor de R$ 500 e liberar. É algo muito pessoal. Por exemplo, se alguém me oferecer R$ 10 mil pela minha música, eu não vendo, pelo menos antes de eu gravar primeiro.

OBlumenauense: Você veio do Paraná para cá. Tem alguma razão especial por ter escolhido Blumenau?

Minha mãe morava em Blumenau quando eu nasci. Ela tinha 20 anos e por questões financeiras, mais a dificuldade de criar sozinha duas crianças (tem um irmão mais velho), acabou voltando para Bituruna, no Paraná, onde moravam meus avós. Na época, eu tinha apenas 7 meses.

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Eu tive uma criação bem campeira. Meu avô faleceu quando eu tinha 7 anos e minha avó no ano passado, uma perda que me fez sofrer bastante. O terreno em que nós morávamos, foi dado por meu avô e ficava à 400m da casa deles. Mais tarde minha mãe casou com meu padastro, mas no começo eu não me dava bem com ele, e fiquei mais na casa da minha avó. Ela acabou sendo uma mãe para mim.

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Comecei a trabalhar cedo, aos 12 anos, quando entregava panfletos para mercados. Neste período estudava pela manhã e trabalhava à tarde. Com 14 anos, trabalhava durante o dia e estudava à noite. Aos 15, meu padrasto, que tinha vindo trabalhar em Presidente Getúlio/SC, perguntou se eu queria ir trabalhar com ele até ajeitarmos as coisas. Assim,  eu vim. Nesta ocasião, surgiu uma primeira oportunidade para ser baterista em uma banda evangélica.

Aos 16 anos, minhas tias convenceram minha mãe e padrasto a morar novamente em Blumenau. Nesse período já comecei a ficar mais independente. No começo ajudei meu tio na marcenaria dele. Depois fui para outra empresa, que me ajudou a ingressar na faculdade de arquitetura, onde fiz até o 5º semestre. Com 18 anos e seis meses já tinha minha carteira de motorista, antes dos 19, meu primeiro carro. Como eu sabia que minha mãe não tinha condições de me ajudar, sempre procurei conseguir as coisas por conta própria.

OBlumenauense: Quando você ingressou na música profissionalmente?

Johnny Rodrigues:  Foi no final de 2013. Mas desde pequeno eu gostava de cantar. Tinha o meu canto na casa dos meu avós, onde montei uma bateria com panelas. Depois que chegava da aula, eu vivia lá a tarde inteira cantando. Quando minha mãe ia na igreja (Assembléia de Deus), eu cantava com ela nos corais, mas também fiz vários solos. A igreja me permitia isso.

Mas quando decidi seguir a música de forma profissional,  entrei em uma escola de música para fazer aulas vocais. O professor percebeu que eu já sabia cantar, então sugeriu que  tocasse violão. Com poucos exercícios e depois de ensaiar muito em casa com o violão recém comprado, foi questão de um mês para tocar o instrumento sozinho. Não me considero um músico profissional, do tipo que toca em banda. Mas uso ele para compor e consigo tocar tranquilamente  cifras.

A vontade de trilhar de forma profissional, também começou com uma dupla. Comecei a frequentar uns ensaios deles. Tinha outro rapaz, o Andrey, que gostava de cantar como eu, mas que não fazia parte da dupla. Acabei me distanciando deles, e um dia vi no Facebook: “lançamento da música da dupla Andrey & Daniel”. Era ele, tocando com seu pai. Descobri o produtor musical deles, entrei em contato, mandei um áudio com minha voz, marquei reunião e em questão de 2 meses já estávamos gravando.

A partir daí comecei a aprender como funcionava o mercado musical. Ia em shows e começava a fazer contatos com os cantores. Por exemplo, cheguei no camarim da dupla Dany e Rafa, disse que estava começando a carreira e perguntei se podia cantar uma música no show deles. Eles me atenderam prontamente. Mas, claro, também ouvi vários “nãos”. O importante é que os contratantes me viram cantando ao lado de Teo e Edu, Rodrigo Valentim e Israel Lucero (vencedor do ídolos) e pensaram: “Ele tem talento, senão eles não o deixariam subir no palco”.

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No início de 2015,  realizei um de meus maiores sonhos: dividir o palco com meu ídolo musical e maior influência; o cantor Gusttavo Lima. Também tive a honra de cantar ao lado de um artista consagrado da música sertaneja, “Gabriel” em um projeto chamado “Casa do Gabriel & Amigos” lançado pelo ex-integrante da dupla Hugo Pena & Gabriel.

Com tantas dificuldades na vida, acredito no meu trabalho e de minha equipe. Cada vez sinto ele mais reconhecido e só tenho que agradecer aos tantos fãs e amigos que me ajudaram. Nesses dias fui a um posto de gasolina, e o frentista me olhou, como se reconhecesse. Perguntei se frequenta casa de show sertanejo, quando o rosto dele se iluminou e disse: “você é o Johnny Rodrigues??”

Nós de OBlumenauense torcemos pelo sucesso de Johnny Rodrigues. O contato para shows é o celular 9682-2772 (Marcelo) e você pode acompanhar a carreira do cantor pela página de Facebook, clicando aqui.

Claus Jensenhttp://www.oblumenauense.com.br
Trabalhei com publicidade há mais de 30 anos, fiz teatro durante 8, apresentei programa de televisão outros 5 e sou blogueiro desde 2007. Mas minha maior paixão é a família, e claro, essa fascinante Blumenau.

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