terça-feira, 7 dezembro 2021
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O pior dia 9 de julho da história de Blumenau, foi há 36 anos

 

 

Rua Antônio da Veiga, a Furb está no lado direito

 

Por Claus Jensen | Fotos: não consegui identificar a autoria

Ninguém imaginava como aquela chuva que começou em 5 de julho de 1983, transformaria Blumenau cinco dias depois. Lembro bem de ver a água na Rua Antônio da Veiga, onde morava com meus pais, alcançar os fios de alta tensão dos postes. No dia 9 julho a metragem do rio Itajaí-Açu, divulgada na televisão e no rádio, anunciava 15,34 metros de altura.

 

Avenida Beira Rio (Pres. Castelo Brando), Centro de Blumenau |  Foto: Hélio

 

Já era uma situação que deixou boa parte de Blumenau debaixo de água. O meio de transporte eram as embarcações e precisava de força extra no braço depois de algumas remadas. As casas, comércios e construções atingidas pela cheia ficaram com parte submersa durante longos 32 dias. Nesse período morreram oito pessoas e outras 50 mil não tinham onde ficar. Faltava água, gás, energia elétrica e muitas vezes até comida.

 

 

Foi um momento de solidariedade, onde todas as camadas sociais tiveram que se unir. O acesso aos supermercados e mercados era restrito, muitas vezes só possível pelo meio da mata. Antes disso era necessário caminhar por um longo trecho.

Helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB) traziam alimentos e água potável. E não foi só Blumenau, outros 90 municípios foram atingidos pelas chuvas que ceifaram a vida de 49 pessoas e desabrigaram cerca de 200 mil. Os prejuízos no Vale do Itajaí ultrapassaram R$ 1 bilhão e as cidades que mais sofreram com as inundações foram Blumenau, Rio do Sul e Itajaí.

 

 

Em Itajaí, a enchente deixou um saldo de 5 mortos e 40 mil pessoas desabrigadas, quase metade (42,3%) da população. Já são números que assustam, mas em Rio do Sul, 64,7% da população foi atingida, na época 25 mil moradores.

E assim segue esse povo guerreiro, que se recuperou, no ano seguinte enfrentou outra grande. Em 1984 também foi quando surgiu a maior festa alemã das Américas. Muitas pessoas acreditam que foi criada para redimir e esquecer o que aconteceu, mas na verdade é um projeto antigo que foi adiado no ano anterior.

A última tragédia marcante foi em 2008, quando também ocorreu uma enchente, mas foram os deslizamentos que pegaram todos de surpresa. Não só a população atingida, mas as próprias forças de segurança que tinham planos de ações para as cheias. No Vale do Itajaí, foi em Ilhota, onde houve o maior número de vítimas, principalmente na região do Baú.

Hoje Blumenau está muito mais preparada para enfrentar tamanhas tragédias. No Julho Amarelo são realizados exercícios simulando ações reais, que ocorrem em diferentes locais nos últimos anos. Em 2018, uma ação estadual aconteceu aqui, sempre com muito sucesso.

Mais fotos de 1983

 

 

Clube Ipiranga, na Rua São Paulo, no bairro Itoupava Seca

 

 

Ponte Irineu Bornhausen, que liga as Itoupavas Seca e Norte

 

Barco Vapor Blumenau II, um restaurante flutuante que durante décadas foi cartão postal da cidade

 

 

Hotel Plaza Hering, na Rua 7 de Setembro, Centro

 

Rua XV de Novembro, onde atualmente é o Castelinho da Havan

 

Rua XV de Novembro, Centro

 

Garagem da Autoviação Catarinense

 

Claus Jensenhttp://www.oblumenauense.com.br
Trabalhei com publicidade há mais de 30 anos, fiz teatro durante 8, apresentei programa de televisão outros 5 e sou blogueiro desde 2007. Mas minha maior paixão é a família, e claro, essa fascinante Blumenau.

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