“O ano de 2018 é para ser comemorado”, comemora Mário Cezar de Aguiar

Foto: Filipe Scotti

 

 

Por Andréa Leonora, Editora Coluna Pelo Estado

A afirmação do título é do presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar. Ele assumiu o comando da entidade no mês de agosto, depois de um período como vice-presidente. Em entrevista coletiva e, depois, em uma rápida exclusiva para os veículos do trade (ADI-SC, Adjori-SC e Acaert), Aguiar mostrou números, fez análises e expressou pleno otimismo, não só com o ano de 2019, mas com o novo governo que começará em poucos dias, no Estado e na União.

 

Foto: Filipe Scotti

 

Aguiar afirma que houve uma inversão da linha de crise e que Santa Catarina deu uma resposta muito rápida de retomada econômica, sendo destaque no país. “A curva que vemos é de crescimento e crescimento constante, com um descolamento ainda maior do nosso estado em relação ao restante do país.” Mas nem tudo são flores. O setor produtivo catarinense ainda se ressente da falta de atenção no que diz respeito à infraestrutura. Com isso, o estado perde competitividade e pode perder empresas importantes, como as da agroindústria. “O industrial catarinense sofre assédio de outros estados e não sei até quando vai resistir.”

 

Brasil x Santa Catarina

A economia catarinense está descolando da média brasileira. Nós estamos recuperando (em índices) bem acima. O ideal seria que não tivéssemos um descolamento tão significativo. Isso significaria que a economia brasileira estaria reagindo tão bem quanto a catarinense e, como nós fornecemos para todos os estados brasileiros, se a média nacional estivesse melhor, a estadual estaria em um nível de recuperação ainda melhor. Nós dependemos muito do mercado interno. Santa Catarina tem uma corrente de comércio internacional maior que a média brasileira, mas muito do que se produz aqui é para o mercado nacional. Havendo uma recuperação do Brasil como um todo, certamente o estado de Santa Catarina vai ter uma recuperação bem melhor e um crescimento bem mais acentuado.

 

A recessão e a recuperação

Houve um decréscimo de atividade a partir de 2014 e em janeiro de 2017 a curva de crescimento começou a ter inflexão. Agora, ao final de 2018, estamos atingindo novamente os índices que tínhamos em janeiro de 2014. Em 2016 sobre 2014, a queda da economia nacional chegou a -10%. E Santa Catarina, junto com Minas Gerais, registrou -9%, índice alto, mas menor que o do Amazonas (-16%), Rio Grande do Sul (-13%) São Paulo (-11%) e Paraná (-10).

Em 2018 sobre 2014, o Brasil ainda tem uma média de perda de -6,2% e Santa Catarina é o segundo estado com o melhor índice de recuperação. Estamos devendo só meio por cento para 2014. Em primeiro vem o Pará, (+ 1%) motivado pelos minérios. (Com base no IBCr, Índice de Atividade Econômica que sinaliza o Produto Interno Bruto – PIB).

 

Empregos

Se nós considerarmos a base de 2014, tivemos, em 2015, uma perda de 58.639 empregos. Em 2016, saldo negativo chegou 91.408 vagas. Em 2017, o saldo negativo caiu para 62,243. Para recuperarmos totalmente os nossos empregos em níveis de 2014, precisamos gerar esses 62 mil empregos e estamos, hoje, com 55 mil. Somos o segundo estado em recuperação de empregos da indústria de transformação e em colocação geral somos o quarto estado. Foram quatro anos durante os quais poderíamos ter só crescido.

 

Otimismo para 2019

Todos os indicadores apontam que teremos a continuidade do crescimento para 2019. Nos primeiros dez meses de 2018,nós tivemos saldo positivo de empregos em todos os setores da economia catarinense, exceto fumo e economia do mar. (Móveis e Madeira foi o de maior volume, com 4.225 postos de trabalho, seguido por Construção Civil, 4.096, e Têxtil e Confecção, 3.205).

 

Produção

Os setores mais prejudicados com a crise de 2014, Metalurgia e Produtos de Metal, que atendem principalmente a indústria automobilística. Essa indústria teve uma redução em seu nível de produção, mas rapidamente se adequou, foi buscar mercado externo, e isso acabou fomentando a nossa indústria. E esses dois setores também passaram a ser exportadores, crescendo 25,3% e 15,4%, respectivamente.

Outros dois setores que estão indo muito bem são os de Produtos Têxteis, que cresceu 7,9%, e de Vestuário e Acessórios, com 6,1%. Produtos Alimentícios teve resultado negativo (-2,7%), por conta dos embargos aos produtos brasileiros. Mas é um setor que vem se recuperando e, pelas condições sanitárias de Santa Catarina, temos condições de rápido incremento.

No índice geral da indústria, Santa Catarina cresceu 4,4% e a média do Brasil ficou em 1,8%. Temos a produção industrial mais diversificada do país e isso ajuda na nossa recuperação. Especificamente na Metalurgia, nosso crescimento foi de 25,3%, enquanto a média do país mal passou dos 5%; no Vestuário, ficamos com 6,1% e o país com – 3,7%; e no Têxtil, crescemos 7,9%, contra -1,6% do país. Isso mostra a competência da nossa indústria.

Monitor econômico

(Quadro abaixo) Santa Catarina está despontado com índices mais positivos que os do país. E a tendência é de crescimento do Índice de Atividade Econômica. Poderíamos estar com números ainda mais positivos, se não fossem a greve dos caminhoneiros e os embargos aos nossos produtos de frangos e suínos. Em relações exteriores, estamos bem inseridos no comércio internacional, porque Santa Catarina é uma plataforma logística forte. Isso pesa positivamente para nossa inserção no comércio internacional.

Chama a atenção aqui o Índice de Confiança Industrial, de 66,6 pontos. Um índice muito bom, que comprova a intenção de investimentos por parte dos industriais, que chegou a 63,1 pontos. Isso leva a acreditar em mais crescimento em 2019.

 

Infraestrutura

Para Santa Catarina, o importante seria o governo federal olhar com melhores olhos para Santa Catarina, porque todo investimento que é feito aqui dá uma resposta muito rápida para a economia brasileira. Além de uma questão de justiça, é uma questão de inteligência, porque o estado dará uma resposta muito rápida em termos de geração de emprego e de arrecadação de tributos.

O mais importante é receber investimentos em Santa Catarina, que contemplem as nossas necessidades e que permitam que o estado possa se destacar como, aliás, vem se destacando mesmo sem os investimentos federais em Santa Catarina. O industrial catarinense sofre assédio de outros estados e não sei até quando vai resistir. Nossa Agenda Estratégica mostra que temos que trabalhar três matrizes: planejamento, investimento e política e gestão.