terça-feira, 25 janeiro 2022
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Mulher de 30 anos supera deficiência e se forma em Direito na Furb

 

Na noite de sexta-feira (24/08/18), Andreia Rodrigues França, de 30 anos, vai subir o palco do Teatro Carlos Gomes para receber o diploma de Bacharel em Direito. Diferente dos outros 70 colegas, ela irá de cadeiras de rodas. A moradora de Gaspar e estudante da Furb, nasceu com má-formação congênita, razão pela qual não tem os membros superiores e apresenta problemas de desenvolvimento na perna esquerda.

Concluir a graduação é mais que uma etapa vencida. É uma superação de vida, obstáculos e alcançar seu sonho. Andreia nasceu no interior do Rio Grande do Sul e por conta da má-formação vivia no hospital. Os médicos chegaram a projetar uma expectativa de vida de 5 anos de idade.  Na adolescência passou por uma cirurgia de escoliose, pois a má-formação provocava uma curvatura na coluna.

Foi aí que os pais deixaram o Rio Grande do Sul e vieram para Santa Catarina buscar ajuda para o desenvolvimento da filha. Foram morar em Gaspar, cidade em que reside ainda hoje em companhia do marido Josiel Tomaz Pontes.

Com mais recursos médicos Andréia conseguiu superar os primeiros obstáculos. Mas aí vieram outros. “Levei tantos ‘nãos’ na minha vida que escolhi pelo curso de Direito. Queria saber quais eram meus direitos e quais os meus deveres”, comentou. E a escolha pela FURB tinha um motivo especial. “Aqui encontrei a acessibilidade que eu precisava, além de profissionais de apoio oferecidos pela Coordenadoria de Assuntos Estudantis, e de todos os funcionários, inclusive os vigilantes que me ajudavam quando precisava”, disse.

O olhar sincero e o orgulho pela conquista de estar se formando em Direito é um exemplo de vida. “Eu queria que todas as pessoas que têm deficiência pensassem um pouco diferente. A gente não pode ficar de braços cruzados e só reclamando porque, assim, as coisas não vão acontecer. Nós temos que nos expor e dizer o que precisamos”, disse, orgulhosa da vitória e com o olhar lá no futuro. “Meu grande sonho agora, é conseguir o curso ou bolsa para fazer a Escola Superior de Magistratura”, disse.

Os formandos

Além de Andréia, a turma de 70 formandos do Curso de Direito terá também a presença de outros dois alunos portadores de necessidades especiais. Suelen Terezinha de Souza, que é cega e Paulo Henrique Santos Sillig que é portador de nanismo. Outra formanda da turma é uma indígena da Comunidade Laklãnõ/Xokleng, Jussara Inácio.

Com informações e foto de Giovana Pietrzacka, da FURB

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