Mitos e verdades sobre a ozonioterapia

 

 

 

 

Por Karin Bendhein

Raquel Saifi Goedert é Farmacêutica Magistral e especialista em ozonioterapia na Clínica O3 Terapias Integrativas
Entre as inúmeras tentativas de tratamento e/ou prevenção à Covid-19, entrou em questão a ozonioterapia. Mas, afinal, o que é esta terapia que tem sido tão discutida e onde surgiu? O que sabe sobre a aplicação do ozônio em humanos, quais os benefícios e contraindicações?

Primeiramente, é preciso esclarecer que a aplicação de ozônio em humanos não é recente. Durante a 1ª Guerra Mundial, médicos alemães e ingleses utilizaram o ozônio para o tratamento de feridas em soldados, conforme a publicação da revista The Lancet.

No Brasil, o tratamento com ozônio medicinal foi introduzido pelo médico paulista Heinz Konrad, em 1975. O método é utilizado até hoje por ele, sendo a mais longa experiência profissional com ozonioterapia no Brasil. Konrad já apresentou seu trabalho em congressos internacionais, inclusive nos Estados Unidos (1983) e no Japão (1985), europeus e nacionais, tendo sido a primeira vez já em 1978, na Alemanha.

 

 

Em 2018, o Ministério da Saúde incluiu 10 novas práticas integrativas ao Sistema Único de Saúde (SUS), entre elas a ozonioterapia. Ao todo, já são pelo menos 29 Práticas Integrativas e Complementares (PICS) oferecidas no Brasil por meio da rede pública de saúde.

Mas, qual a finalidade da ozonioterapia? Estudos científicos comprovam que o ozônio medicinal combate diversas doenças inflamatórias, infecciosas e isquêmicas, prolongando a qualidade de vida de pacientes. Produzido por equipamentos chamados geradores de ozônio medicinal, a mistura gasosa tem cerca de 5% de ozônio e 95% de oxigênio.

De forma simples, podemos dizer que o ozônio medicinal melhora a oxigenação dos tecidos, a circulação sanguínea e reduz dor e inflamação. Aliado a isso, destaca-se que sistema imunológico precisa de oxigênio para reagir contra os invasores do corpo, como bactérias, vírus, células cancerosas. É por isso, que a ozonioterapia é capaz de tratar mais de 200 doenças.

 

 

Entre as patologias que podem ser tratadas estão: vários tipos de câncer, ajudando a combater tumores e reduzindo os efeitos colaterais da Radioterapia e da Quimioterapia; problemas circulatórios; doenças virais (como hepatite e herpes); hérnias de disco, protrusão discal e dores lombares; dores articulares decorrentes de inflamações crônicas e imunoativação geral, ou seja, melhora da imunidade.

 

Vias de aplicação

O ozônio medicinal pode ser aplicado nas formas gasosas ou líquidas, por diversas vias de administração, como endovenosa, intramuscular, retal, subcutânea e tópica. O meio varia de acordo com a finalidade terapêutica.
Ozonioterapia no mundo

Você sabia que, na Alemanha, a ozonioterapia faz parte dos tratamentos pagos pelos seguros-saúde do governo? Por lá, isso já ocorre desde os anos 1980. Na Itália, a ozonioterapia é recomendada pelo governo para o tratamento de hérnia de disco e lombalgia; na Espanha como tratamento complementar ao câncer; nos Estados Unidos é praticado em 13 estados norte-americanos e nos inúmeros e assim inúmeros outros países utilizam de formas diferentes.
Contraindicação

A principal contraindicação do tratamento à base do ozônio medicinal é no caso de pessoas com deficiência da enzima Glicose-6-Fosfato Desidrogenase (G6PD), conhecida como favismo, em função do risco de hemólise.
Situações de hipertireoidismo descompensado, diabetes mellitus descompensado, hipertensão arterial severa descompensada e anemia grave exigem a estabilização clínica para então ser feita a aplicação de ozônio.
Precauções

O ozônio é um gás altamente instável e nocivo se inalado, por isso, deve ser gerado de forma precisa com equipamentos específicos, no local do uso. Somente profissionais capacitados podem indicar a dosagem e a via correta de aplicação do ozônio.

Por isso, ao procurar pela ozonioterapia, a indicação é que sempre se busque por profissionais capacitados, em espaços adequados, como clínicas e consultórios.