quinta-feira, 27 janeiro 2022
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Mariposas do gênero Hylesia causam surto de coceira em cidade do Brasil

A informação foi divulgada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia nesta quarta-feira (8/12).

Esta notícia não é de Blumenau e nem de Santa Catarina, mas o fato chamou a atenção pelo que causou. Por isso achamos interessante compartilhar a informação com nossos/as leitores/as.

Um surto de lesões que causam coceira foi registrado em municípios da região metropolitana do Recife, no Ceará. A Sociedade Brasileira de Dermatologia divulgou uma nota técnica nesta quarta-feira (8/12/21) informando que foi causado por mariposas.

Os insetos, de acordo com o documento, “entram em ambientes domésticos e, ao se debaterem contra focos de luz, liberam cerdas corporais minúsculas que penetram profundamente na pele e causam intensa dermatite. […] A chave do problema repousa nas asas de mariposas do gênero Hylesia, que se reproduzem nesta época do ano”.

Os mais de 200 casos foram identificados em duas comunidades em uma área de reserva de Mata Atlântica do Parque Estadual Dois Irmãos. Várias hipóteses foram levantadas, incluindo intoxicação por ivermectina, escabiose e picadas de insetos.

No Brasil, há mais de 50.000 espécies de borboletas e mariposas, incluindo as do gênero Hilesya, que têm papel fundamental na polinização das flores. Em seu desenvolvimento, esses insetos passam pelas fases de ovo, larva ou lagarta, pupa ou crisálida e adulto.

As fêmeas da mariposa Hylesia, que são as únicas que causam os acidentes com humanos, têm cor acinzentada e o corpo coberto por pequenos pelos, como cerdas, que têm o formato de flecha. Elas têm hábitos noturnos e costumam descansar em locais baixos durante o dia.

A envergadura das asas desse animal têm, no máximo, 4,5 centímetros. Elas se reproduzem especialmente em períodos em que o clima é mais quente, o que, na América do Sul, ocorre especialmente entre os meses de novembro e janeiro.

Fontes: G1 e Agência Brasil

Confira a nota completa da Sociedade Brasileira de Dermatologia

Prurido epidêmico no Recife: causa desvendada.

Um surto de dermatites pápulo-eritêmato-pruriginosas, com aspecto urticariforme,
desafiou os serviços médicos da cidade. Os casos aconteceram em duas comunidades
limítrofes à mata, localizadas em uma área de reserva de mata Atlântica do Parque
Estadual de Dois Irmãos, em Recife (PE).

Várias hipóteses foram levantadas para o surto e incluíram intoxicação por ivermectina,
escabiose, picadas de insetos e outras, mas sem nenhuma comprovação. A hipótese de
escabiose era absurda, pois o tipo de transmissão é outro, a distribuição e aspecto das
lesões cutâneas eram distintos e nenhum ácaro foi achado em muitas amostras de exame
direto e exames histopatológicos.

Um trabalho conjunto da Dra. Cláudia Ferraz, que pesquisou a história epidemiológica
correta e descreveu adequadamente as lesões, além de suspeitar a provável etiologia, e
do Dr. Vidal Haddad Junior, que havia testemunhado e publicado outros surtos, esclareceu
a etiologia da erupção.

Mariposas do gênero Hylesia reproduzem-se nesta época do ano e causam epidemias de
dermatites em vários pontos do país, por penetrarem ambientes domésticos e ao se
debaterem contra focos de luz, liberam cerdas corporais minúsculas que penetram
profundamente na pele humana e causam a intensa dermatite observada.

Além da inflamação inicial, descrita na histopatologia como um infiltrado linfocitário,
existe a probabilidade de formação de granulomas em fases posteriores. A dermatite
permanece por dias e até semanas, devido à permanência das cerdas (“flechettes”) na
pele. Estas cerdas podem ser observadas na pele e exames realizados as mostraram com
clareza.

O tratamento é feito com foco na inflamação com corticoides tópicos e anti-histamínicos
e, por vezes, dependendo da extensão das lesões, o uso de corticoides sistêmicos pode
ser necessário.

Com a comprovação das cerdas no exame direto, história clínica e epidemiológica
extremamente compatível e relato de mariposas no local feito pelos moradores,
concluímos que o mistério está resolvido e esperamos que os tratamentos corretos sejam
ministrados à população.

Cláudia Ferraz
Vidal Haddad Junior
Sociedade Brasileira de Dermatologia

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