segunda-feira, 20 setembro 2021
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Evento no Brasil pode contribuir para a motivação de equipes nas empresas

Fabiano_Goldacker

A Copa do Mundo no Brasil promete trazer milhares de turistas de todos os cantos do planeta para o país. Mas a visão empresarial nem sempre é tão positiva em relação à competição. Os colaboradores ficam ansiosos, agitados e empolgados com o esporte. Algumas cidades vão parar completamente, principalmente em jogos da Seleção Brasileira. É neste momento que o empresário fica em dúvida: como eu posso aproveitar positivamente esse clima de Copa do Mundo dentro da empresa? O profissional da Effecta Coaching, coach Fabiano Goldacker, fala sobre esse impasse que pode se tornar um aliado na hora de motivar as equipes.

De que forma o gestor pode aproveitar os jogos para unir ainda mais a equipe?

Fabiano Goldacker: Um exemplo de uma Copa passada foi o álbum de figurinhas de jogadores. Algumas empresas aproveitaram a ideia e lançaram um álbum de figurinhas dos colaboradores. Cada funcionário poderia colecionar, trocar e, aqueles que completassem o álbum, seriam premiados. É comum também que as empresas usem a metáfora da integração dos jogadores da Seleção, a popular expressão “time está fechado”, para promover a integração das equipes internas da empresa a fim de atingir as metas. Nada adianta se a área comercial, ou seja, o ataque for muito bom se a produção, que remete ao meio-campo, não conseguir entregar o que é necessário, ou seja, não abastecer o ataque. Mas de nada adianta estes dois setores funcionarem bem se não houver um suporte da retaguarda, ou da defesa. Neste caso podemos considerar, por exemplo, as áreas de controladoria, recursos humanos e suprimentos, que dão suporte ao funcionamento adequado de toda a organização.

Quando finalmente chegarem os jogos, a partir de 12 de junho, como os gestores devem agir?

Fabiano: Penso que o mais comum é que as empresas invistam na integração dos funcionários nos dias de jogos da Seleção Brasileira criando uma condição para que todos assistam às partidas juntos, tornando o momento uma espécie de happy hour. Muitas empresas também “uniformizam” os colaboradores nos dias de jogos do Brasil ou os convidam a usar roupas que remetam às cores da bandeira. Enfim, há várias situações, mas honestamente penso que a maior parte delas não terá bom retorno se o gestor não estiver junto e não participar desta integração. Mais ainda, não terão sentido algum se nos outros dias do ano o ambiente de trabalho for completamente diferente do espírito esportivo e do espírito de integração dos dias de jogos.

No caso das empresas que optam por continuar o trabalho normalmente durante os jogos do Brasil, quais riscos elas assumem em relação à equipe de colaboradores?

Fabiano: Poderá ser frustrante para algumas pessoas, além de improdutivo. Alguns colaboradores irão buscar maneiras de acompanhar as partidas de forma “escondida” em seus computadores e celulares. Daí o foco não estará no trabalho, estará no jogo. Claro que não se pode generalizar, mas esta é uma época em que a maior parte das pessoas, mesmo quem não acompanha futebol regularmente, faz questão de parar para assistir à Seleção Brasileira.

Quais lições do futebol podem ser aplicadas ao mundo corporativo? O que o gestor pode aprender com o treinador?

Fabiano: O treinador de uma seleção faz um trabalho estratégico muito interessante no período que antecede a Copa do Mundo e, sobretudo, durante a competição. Na atualidade, o treinador de uma seleção como a brasileira tem ao seu redor uma equipe multidisciplinar, competente e focada em suas áreas de especialidade, tais como nutrição, medicina esportiva, fisioterapia, psicologia, comunicação e, obviamente, na parte técnica. O treinador passa a ser, então, um gestor de uma equipe composta não somente pelos jogadores de futebol. Ao treinador compete a escolha dos melhores atletas que irão compor sua equipe, para que daí seja colocada em prática a melh

r estratégia de jogo, que deverá ser flexível e adaptável para cada adversário ou mesmo em diferentes momentos da partida. O treinador tem que ser comunicativo, pois é dele a responsabilidade de falar não só para sua equipe, mas principalmente para o público e veículos de comunicação. Tem que ser um líder em todos os momentos, usando principalmente a liderança pelo bom exemplo, que confere a ele o reconhecimento da autoridade quando precisa cobrar melhor desempenho da equipe ou mesmo quando precisa protegê-la e elogiá-la. Em resumo, o treinador da Seleção Brasileira e o gestor devem ter a capacidade de formar e liderar equipes multidisciplinares, desenvolver as pessoas para que elas tenham alta performance e reconhecer a melhor estratégia a ser usada diante de cada desafio.

Texto: Camile Magalhães 

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