Comandante da PM de SC, fala da operação Adsumus em Blumenau, com cerca de 150 policiais e 42 viaturas

 

Por Claus Jensen, com cobertura de Marlise Cardoso Jensen

Por volta das 18h desta quinta-feira (22/3/18), o trânsito da Avenida Beira Rio (Pres Castelo Branco) foi interditado. Cerca de 42 viaturas e 150 policiais davam início a Operação Adsumus, que em latim significa “Estamos presentes”. O objetivo é fazer uma operação saturação por toda região, com o apoio de seis batalhões da região, que se dividiram em barreiras montadas em 16 pontos da cidade.

A imprensa foi convidada para registrar o início da operação, cerca de uma hora antes, sem dar detalhes do motivo. Apenas que estava convidada para algo que iria acontecer ao lado da prefeitura. Para comandar a ação, estava o comandante Geral da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC), coronel Carlos Alberto de Araújo Gomes Júnior, acompanhado do subcomandante-geral, coronel Cláudio Roberto Koglin, que é blumenauense, além do comandante do 10º Batalhão, tenente-coronel Jefferson Schmidt.

 

 

 

Após serem passadas as informações aos policiais envolvidos na operação, Coronel Araújo Gomes, concedeu uma entrevista coletiva.

 

 

Coronel Araújo, quantos policiais estão envolvidos nessa operação?

Coronel Araújo Gomes: A operação Adsumus, que significa “Estamos presentes” em latim, é de saturação de área, através de policiamento ostensivo e tático. Ela reúne cerca de 150 policiais militares, 42 viaturas táticas, que irão se distribuir por toda a região realizando barreiras relâmpagos, bloqueios de trânsito, patrulhamento tático e saturação de áreas críticas.

O que tem se buscado com essas operações, que já foram realizadas até na capital do Estado?

Coronel Araújo Gomes: Elas resgatam o caráter Estadual da Polícia Militar, permitindo que através de nosso sistema de inteligência e informações, possamos detectar áreas que necessitam de maior saturação, utilizando nossa flexibilidade e mobilidade, para concentrar grandes efetivos e recursos operacionais nesses locais, durante um curto período de tempo, com grande impacto sobre as estatísticas. Dessa forma, fazemos com que elas recuem para um nível considerado aceitável.

Essa operação já aconteceu em várias cidades. Junto com outras ações da Polícia Militar que estão sendo realizadas, elas já tem sido responsáveis pela redução acentuada de homicídios, roubos e furtos no Estado.

 

 

Já há algum número que possa ser divulgado sobre esses resultados?

Coronel Araújo Gomes: Ainda estamos avaliando, mas neste ano estamos com 53 mortes a menos do que em 2017 no Estado, nesse mesmo período. É um número significativo. Quando consideramos que a tendência no ano passado era de crescimento e a expectativa era de que houvessem mais homicídios em 2018. Nós não só estabilizamos, como revertemos de uma maneira significativa.

Essas operações, são uma forma também de driblar a falta de efetivos, concentrando vários policiais em uma região só?

Coronel Araújo Gomes: Eu prefiro dizer que é uma forma de utilizar o efetivo com uma estratégia de gestão mais inteligente, mais calibrada, de menor custo para o estado e para o cidadão. Vale a pena destacar, que essa estratégia se integra com as de outras forças policiais. Pela manhã, apoiamos uma grande operação da Polícia Civil no sul do Estado, que resultou na prisão de várias lideranças de facções criminosas. Dessa mesma maneira nos integramos, com outros setores da segurança pública, para que ela atue de forma harmônica e colaborativa. O objetivo é produzir os melhores resultados com o menor custo.

 

 

O crime organizado tem causado cada vez mais danos à sociedade. Isso é uma prova de que a Polícia Militar está agindo com inteligência e tem organização também para combater esses criminosos?

Coronel Araújo Gomes: Nós sempre fomos um oponente significativo para o crime organizado em Santa Catarina. A prova disso, é que há anos ele tenta se instalar e obter supremacia, mas não consegue. As apreensões e prisões das forças policiais catarinenses, nossos confrontos e enfrentamentos, tem criado dificuldades para controlarem as áreas de influência que desejam.

Neste momento, percebemos que há uma retração do crime organizado, pela maneira articulada, forte, integrada e inteligente que estamos atuando. Ao assumir o comando em menos de um mês, eu recebi uma corporação mais jovem, inovadora, melhor treinada e equipada. O meu desafio é tornar essa força mais efetiva no combate à criminalidade. Os resultados que serão obtidos com a operação de hoje, nada mais é do que uma demonstração de como nós estamos fazendo.