quarta-feira, 27 outubro 2021
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Pesquisadores do Serviço Geológico avaliam áreas de risco no Vale do Itajaí

Trabalho está sendo realizado nas cidades mais atingidas por tragédia em dezembro de 2020.

O estado de Santa Catarina é uma das regiões do país onde o Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) já mapeou 100% dos municípios em relação às áreas de risco geológico, aquelas onde há edificações propensas a serem atingidas e danificadas por um desastre, seja ele natural ou induzido por ações humanas, a exemplo dos deslizamentos, inundações e enxurradas.

O mapeamento no estado foi iniciado em 2012, contemplando os 295 municípios catarinenses. Três deles – Presidente Getúlio, Ibirama e Rio do Sul – estão sendo avaliados por pesquisadores do SGB/CPRM nesta semana, de forma emergencial, devido à recente tragédia.

Os geólogos Thiago Dutra e Victor Hilquias iniciaram os trabalhos de campo em Santa Catarina e seguem no estado até o dia 17 de fevereiro. As três cidades tiveram estragos causados pelo temporal em dezembro de 2020, envolvendo perdas humanas e materiais. Imóveis e prédios públicos foram destruídos pela lama e vegetação arrastadas pela correnteza, além de 21 óbitos. Segundo os pesquisadores, a avaliação in loco tem por objetivo coletar dados relacionados ao evento para subsidiar etapas futuras de novos estudos em relação às áreas de risco e perigo.

“Estamos focando em obter os dados sobre os deslizamentos planares e os fluxos de detrito, de modo que possamos entender melhor os principais pontos e incorporar o aprendizado no aprimoramento metodológico nos projetos. Em Ibirama, por exemplo, a Defesa Civil Municipal indicou novas áreas de risco para orientar etapas futuras de estudos em campo na cidade. Vamos também utilizar dados das estações pluviométricas sobre as chuvas que desencadearam o evento geológico de dezembro passado, informações que foram cedidas pelos órgãos municipais para consolidar os nossos estudos”, explicou Thiago Dutra.

Mapeamento de áreas de risco

Pesquisador em geociências do SGB/CPRM e coordenador-executivo da Ação de Mapeamento de Risco Geológico, Julio Lana explica a importância do mapeamento para os municípios. Ele destaca que o objetivo é apontar à Defesa Civil e aos gestores municipais, estaduais e federais quais são as áreas prioritárias para a implantação de ações de gerenciamento, mitigação, monitoramento e resposta frente aos desastres naturais. Em função dos indícios observados em campo, o grau de risco pode ser classificado em baixo, médio, alto ou muito alto, sendo os dois últimos os objetos principais do serviço realizado pelo SGB/CPRM.

Os mapeamentos das três cidades foram publicados em anos diferentes e uma delas já possuía revisão, com todos os dados encaminhados para conhecimento dos respectivos gestores públicos no período em que os estudos foram publicados.

Em Presidente Getúlio, o estudo que setorizou as áreas de risco geológico foi realizado em 2012 e revisado em 2018, quando foram identificadas aproximadamente 2,3 mil pessoas vivendo em cerca de 500 moradias situadas em 09 setores de risco. Já em Ibirama, o SGB/CPRM mapeou em 2016 cerca de 20 setores de risco, onde viviam até então mais de 700 pessoas em aproximadamente 185 moradias de risco. No município de Rio do Sul, o estudo foi realizado em 2012 e identificou mais de 970 pessoas vivendo em cerca de 270 moradias situadas em 19 setores de risco.

Fonte: Serviço Geológico do Brasil

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