sábado, 4 dezembro 2021
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25 de Abril: um dia histórico para o futebol do Grêmio Esportivo Olímpico

Texto: Adalberto Day 

Olimpico-camisaTranscrevo este texto em homenagem a todo desportista blumenauense, em especial aos Grenás. Aqueles que de uma forma ou outra, contribuíram para esta conquista maravilhosa que nos enche de orgulho. Aos ex-atletas, dirigentes, e componentes do plantel campeão, nossos parabéns pela passagem dos cinquenta anos do Bicampeonato (1949/1964) estadual de futebol catarinense conquistado pelo Grêmio Esportivo Olímpico.

O presidente do G.E Olímpico era Curt Metzger. Metzger. Foi presidente do G.E. Olímpico em duas gestões 1963/1965 e 1965/1967. No último período o substituíram Irineu Theiss e Germano Buerger.

Dia 25 de abril de 1965. O campeonato foi decidido neste dia, mas é referente ano de 1964

Contam jornais da época, em palavras confirmadas pelos que viveram mais uma grande glória: “A tarde estava fria e inquietante”. O céu nublado deixava transparecer que não demoraria a chover. Nas ruas, as pessoas andavam nas mesmas direções, murmúrio de vozes faziam-se ouvir até distante.

À tarde o céu, a chuva à vista e as ruas eram blumenauenses. As pessoas vinham das diversas cidades, mas no entanto, todas elas estavam prevendo algo de extraordinário. Os portões de entrada da grande praça de esportes mal serviam para a passagem da grande multidão. Todos queriam presenciar o grande espetáculo. O espetáculo que nenhum brasileiro deixa de ser fã ardoroso e que em várias vezes chega a derramar lágrimas.

Estádio do Grêmio Esportivo Olímpico em 1962
Estádio do Grêmio Esportivo Olímpico em 1962

Estádio do Grêmio Esportivo Olímpico em 1963
Estádio do Grêmio Esportivo Olímpico em 1963

Estádio do Grêmio Esportivo Olímpico em 2007
Estádio do Grêmio Esportivo Olímpico em 2007

A grande praça de esportes era o Estádio da Baixada, e o grande espetáculo era Grêmio Esportivo Olímpico e Internacional de Lages, na luta final por mais um título histórico.

Olimpico-Bandeira

Bandeiras de todos os clubes de Blumenau e cidades vizinhas estavam desfraldadas dentro do coração de cada um. A cidade torcia tão somente para um clube: O Olímpico.
Todos estavam ansiosos por ver as duas equipes entrarem em campo e não suportaram a emoção em ver o esquadrão grená entrar pisando no tapete verde da Baixada. Corações pulsavam aceleradamente. Ante a grande expectativa, mãos esfregavam-se, demonstrando perfeito nervosismo.

Ninguém ficava parado; pés trocavam de lado, como se movidos pelo sobrenatural; mãos molhadas de suor, entravam e saiam dos bolsos; gargantas secas viam-se privadas de salivas, tão escassas nesse momento de ansiedade. “A grande massa humana estava vivendo um perfeito drama, de quem esperava apenas um momento; o de gritar gol, o grito da vitória”.
(Mário Bagattoli e Victor I. dos Santos)

Olimpico-time_1949

O Grêmio Esportivo Olímpico já havia sido campeão em 1949 com o seu carneiro mascote “Pirata” Em pé da (e) para (d): Arthur, Onório, Pachequinho, Jaeger, Oscar e Jalmo. Agachados : Testinha, Nicolau, Juarez, Aducci Vidal, René. Este time foi o primeiro Clube a ser campeão do Estado por Blumenau ao derrotar o Avaí em Florianópolis por 4×1. Mais tarde “Pirata” foi morto pelos arquirrivais do Palmeiras.

 

Olimpico-time_1964-nomes
Uma das escalações do grupo que foi campeão estadual de 1964. Foto gentilmente doada por Roberto Pereira Nascimento (Robertão) Olímpico 1964

Grêmio Esportivo Olímpico, Bi campeão estadual de 1964. Em pé: Estanislau Storlaczek – (diretor), Irineu Theiss – (diretor), Rui Rota – (diretor), João Sequinel Neto (Joca) – (meia ponta de lança), Roberto P Nascimento – (Robertão)- (zagueiro), José Gonçalves – (lateral direito), Marcos Oerding – (goleiro), Romeu Paulo Fischer – (zagueiro), Carlos Heinz Faber (Paraná) (meia cancha), Nilson Greual – (zagueiro), Walmor Belz – (medico), Orlando Silva – (lateral) Zani Rebelo – (diretor), Osni Kisten – (diretor), Antonio Rodrigues da Costa (diretor), Curt Metzer – (presidente).

Agachados: Osmar (ropeiro), Alfredo Cornetet (quatorze) (centro avante), Adilton Rodrigues Martins (centro avante), Max Preisig (Maqui) (ponteiro), João Carlos Bedusschi (lila) (centro avante), Biramar José de Souza (Bira) (meia cancha), Orlando José Costa (Paraguaio) (lateral), Hamilton Curi preparador físico), Jurandir Marques (lateral esquerdo), Aducci Vidal ( técnico).

Acervo: Suelita Beiler

Era o dia 25 de abril de 1965, Estádio da Baixada lotado completamente. Alguns torcedores já haviam chegado mais cedo, almoçando lá mesmo, na sede do Olímpico.

Hora do jogo. Entra em campo a arbitragem, formada pelo árbitro Gerson Demaria e bandeiras, Nilo Eliseu da Silva e Silvano Alves Dias, logo após as duas equipes, ambas bastante festejadas com aplausos e foguetes.

Começa o jogo. Um silêncio de segundos logo é interrompido pela vibração dos lageanos, que viam sua equipe investir perigosamente contra o arco defendido por Barreira. O ponteiro colorado Puskas consegue um bom tiro, mas torto, para a sorte dos grenás.

Jogo nervoso. As duas equipes nos primeiros minutos pareciam descoordenadas, mas logo, a partir dos 15 minutos duas boas cabeçadas de Ronald e Joca quase abriram o marcador.

Apesar de dominado, literalmente em todos os setores do campo, através de Roberto o Inter quase marca em um chute de longa distância, mas lá estava Barreira, muito bem posicionado.

O sonho começava a se tornar mais uma vez realidade, aos 26 minutos da primeira etapa. A arbitragem marcou falta em Rodrigues pouco além da risca divisória, cometida pelo lateral De Paula. Paraguaio cobra a infração, com endereço certo. O centroavante paranaense salta de costas para o gol, desviando do alcance do goleiro lageano, que teve que buscar a bola no fundo das redes. O Olímpico e sua torcida comemorava o primeiro gol, o único da primeira etapa.

E a chuva, que também fez questão de presenciar o grande espetáculo apareceu na segunda fase. O Inter correu logo atrás do prejuízo sofrido na primeira etapa empatando aos 10 minutos, através de Jóia, dando um grande susto na torcida local. Desta vez a presença importante de Barreira não salvou o sonho grená, o jogo estava empatado em 1 a 1.

Não apenas a sorte, mas a predominância nas ações dava ao Olímpico uma maior tranquilidade, pois na maior parte do tempo estava no campo contrário, tentando ampliar o marcador. O técnico Aducci Vidal processará uma alteração na equipe, tirando o ponteiro Lila, colocando Quatorze, deixando assim o ataque mais ofensivo, com a presença de dois centroavantes. A tentativa deu bom resultado, logo aos 13 minutos, na combinação de Quatorze e Mauro pela direita.
A jogada começou com um cruzamento de Mauro até Joca, que cabeceou violentamente à meta. Lá estava novamente Rodrigues, para mais uma vez derrubar a meta do goleiro do Inter, João Batista , 2 a 1, outra vez reanimava-se o torcedor blumenauense.

O terceiro gol foi duvidoso, para os jogadores do Inter. Lances que ensaiavam a violência começaram a suceder-se, no final do jogo. O Inter ainda tentava o empate para levar a decisão a uma prorrogação.

Os jogadores do Olímpico já haviam corrido muito, e um período extra poderia determinar um desgaste irreparável para as pretensões da equipe de Aducci Vidal. As investidas eram constantes, até que Joca, que passou para Rodrigues, na opinião adversária em completo impedimento. Para o goleador foi muito fácil avançar passos e marcar o terceiro e último gol.

Atletas e dirigentes do Inter partiram para cima do árbitro, mas nada disso pode ser evitado. Eram decorridos 38 minutos do segundo tempo, quando Gerson Demaria expulsa Nininho. Logo em seguida, o jogador Roberto agrediu covardemente o juiz, também sendo expulso, restando ao clube lageano, com apenas nove jogadores, contentar-se em ficar com o vice-campeonato, dividido com o Hercílio Luz.

Blumenau mais uma vez, comemoraria em passeata, festa e bailes, o título de campeão catarinense.

Para chegar ao título o Olímpico realizou uma campanha de 46 jogos. Foram 30 vitórias, 10 empates e apenas 6 derrotas, e um ano, um mês e uma semana, com 63 gols marcados a favor e 32 contra, com 70 pontos a favor e apenas 12 contra.

Olimpico-time_1964
Foto gentilmente doada por Roberto Pereira Nascimento (Robertão).

Uma das escalações do grupo que foi campeão estadual de 1964.  Em pé da (E) para (D): Massagista Capela, Robertão, Nilson, Mauro, Orlando, Barreira e Jurandir; Agachados: Lila, Rodrigues, Paraná, Joca e Paraguaio.
Ficha técnica do jogo:

OLÍMPICO 3
Barreira, Paraguaio, Orlando, Nilson e Jurandir; Mauro e Paraná; Lila (Quatorze), Rodrigues, Joca e Ronald. Técnico: Aducci Vidal.

INTERNACIONAL 1
João Batista, Nicodemus, Airton, De Paula e Carlinhos; Roberto e Dair, Puskas, Jóia, Sérgio (Nininho) e Anacleto.

ARBITRAGEM: Gerson Demaria, auxiliado por Nilo Eliseo da Silva e Silvano Alves Dias.

GOLS: Rodrigues, aos 26 minutos da primeira etapa, aos 13 e 38 do segundo tempo. Jóia descontou aos 10 da etapa complementar.

EXPULSÕES: Nininho e Roberto do Internacional.

RENDA: Cr$ 3.216,50

Todos os campeões de 1964

Lourival BARREIRA (goleiro); Adilton RODRIGUES Martins (Centroavante) ORLANDO Silva (lateral); João Sequinel Neto (JOCA) (meia cancha); Orlando José Costa (PARAGUAIO) (lateral); João Carlos Beduschi (LILA) (meia cancha); ROMEU Paulo Fischer (zagueiro), Alfredo Cornetet (QUARTOZE) (centroavante); ROBERTO P. Nacimento (zagueiro); NILSON Greuel (zagueiro); MAURO Longo (meia cancha); Carlos Heinz Faber (PARANA) (meia cancha); José GONÇALVES (atacante); MARCOS Oerding (goleiro); MAX Preisig (MAQUI) (ponteiro); Biramar José de Souza (BIRA) (meia cancha); EUDES Ribas Guimarães (lateral), ÉZIO Fernandes de Oliveira (Goleiro); JURANDIR Marques (Lateral); RONALD Olegário Dias (ponteiro).

Técnico: ADUCCI VIDAL, Médico Walmor Belz, Massagista Frederico Capela, preparador físico Hamilton Curi e roupeiro Osmar.

Também fizeram jus às faixas de campeão, além do presidente Curtz Metzger, os diretores do departamento de futebol, rui otta, Antônio Rodrigues da Costa, Zani Rebelo, Stanislau Storlaczek, João Gregório Pereira Gomes, Werner Eberhardt, João Silva, José Marcolino Netto.

Para saber mais clique em: Grêmio Esportivo Olímpico e Olímpico 90 anos de história

 

Revista História do Grêmio Esportivo Olímpico 70 anos; lançado em 1989 / Otacílio Peron / Colaboração Adalberto Day

Texto reproduzido do blog de Adalberto Day, Cientista Social e pesquisador da História. Conheça outras histórias de Blumenau, clicando aqui.

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