Nesta quinta-feira (9/04/26), às 19h30, o minidocumentário Vozes da Mocidade chega ao lugar onde tudo começou em Blumenau. A Paróquia Santo Estevão, na Rua Johann Sachse, 2070, no bairro Salto do Norte, recebe a exibição gratuita do filme sobre a GRES Mocidade Unidos do Salto do Norte — a única escola de samba da cidade. A sessão terá janela de Libras e legendas.

O vídeo apresenta relatos e vivências da trajetória da agremiação, colocando em evidência os vínculos, os afetos e a memória que nascem do território. São histórias que raramente encontram espaço nos discursos oficiais sobre cultura — e que o filme trata de recuperar.
Exibir Vozes da Mocidade no próprio bairro onde a escola nasceu não é coincidência. É uma afirmação: a escola de samba é antes de tudo um fenômeno de comunidade.
Exibição do minidocumentário Vozes da Mocidade
Data e horário: quinta-feira (9/04), às 19h30
Local: Paróquia Santo Estevão – Rua Johann Sachse, 2070, Salto do Norte, Blumenau
Acessibilidade: janela de Libras e legendas
Entrada: gratuita

O homem por trás da escola
Quando Djimmy Mocidade (Amaro de França) chegou a Blumenau, encontrou uma cidade marcada pelas tradições germânicas, onde o samba parecia não ter espaço. Não se intimidou. Frequentando um bar no Salto do Norte, entre conversas com amigos, a ideia de criar uma escola de samba foi tomando forma. Em 2003 o projeto começou a ganhar corpo.
Três anos depois, a Mocidade Unidos do Bairro Salto do Norte desfilava pela primeira vez, com cerca de 60 integrantes. Djimmy não apenas fundou a escola — compôs todos os sambas-enredo da agremiação e ajudou a moldar sua identidade.
Em 2012, começou a perder a visão devido ao glaucoma. A limitação não o afastou dos ensaios. “Eu perdi a visão, mas não perdi o ouvido”, disse ele em entrevista para OBlumenauense, quando lembrou que ainda orienta os músicos sobre ajustes nas apresentações.
O brasão da escola traduz o que ele construiu: uma mão branca segurando uma mão preta. “Isso simboliza união, e é isso que queremos manter para o futuro”, afirma o carnavalesco.
O ano sem desfile
O documentário chega em um momento sensível para a escola. Em fevereiro de 2026, a Mocidade não desfilou pela primeira vez em anos. O comunicado da agremiação nas redes sociais deu o tom do desafio: “Passamos um ano com muitas dificuldades, perdemos o local dos nossos ensaios. Perdemos nosso barracão e não conseguimos todo o apoio necessário.”
A ausência pesa mais quando se conhece o esforço dos anos anteriores. Em 2025, o desfile pela Rua Johann Sachse contou com cerca de 300 integrantes e até trio elétrico. A proposta, na época, era ter quatro alas: Baianas, Fritz, Frida e a das crianças.
Já em 2024, recursos da Lei Paulo Gustavo garantiram R$ 50 mil, dos quais R$ 30 mil foram aplicados em fantasias e alegorias. O dinheiro também veio de empresários da região e de eventos como pasteladas e macarronadas organizados pelos próprios integrantes. Foi uma grande evolução em relação a 2023, ano em que a escola conseguiu desfilar com R$ 10 mil.
“Vozes da Mocidade” não é apenas um documentário sobre o passado. É um registro de resistência — e um convite para que Blumenau enxergue a riqueza cultural que tem.
Confira a entrevista que fizemos em fevereiro de 2024, quatro dias antes do desfile.





