Vídeo: Orchideenfest celebra flores, tradição e histórias em Blumenau

Evento organizado pelo Círculo de Orquidófilos de Blumenau reuniu, durante quatro dias, diversidade botânica, artesanato e gastronomia.

Entre os dias 4 e 7 de setembro, o Parque Vila Germânica, em Blumenau, recebeu a 86ª Exposição Estadual de Orquídeas, uma das maiores mostras do gênero em Santa Catarina. Organizado pelo Círculo de Orquidófilos de Blumenau, a Orchideenfest reuniu tradição, beleza e diversidade, destacando especialmente produtos voltados para entusiastas de plantas ornamentais.

No final desta matéria está um vídeo que mostra a maior parte das atrações em detalhes, para quem gosta de plantas.

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Imagens: Claus Jensen [OBlumenauense]
Tradição de oito décadas

O Círculo de Orquidófilos de Blumenau mantém viva uma tradição centenária no cultivo de orquídeas. Segundo Arno Mueller, diretor técnico da entidade, a organização integra uma rede estadual de 17 a 18 entidades especializadas em orquidofilia, todas vinculadas a uma federação. “Em cada exposição que eles fazem, nós levamos plantas e mandamos alguém junto para ajudar no julgamento”, explica Mueller.

O processo de avaliação das plantas segue critérios técnicos específicos. As espécies são separadas por origem: estrangeiras de um lado, nacionais de outro. Quando há muitas plantas do mesmo gênero e espécie, elas competem entre si. Além dessa divisão, categorias específicas recebem atenção especial: cattleyas (plantas da América do Sul e Central), laelias (originárias do México), plantas ornamentais em geral, cactos, bromélias e bonsais. “É selecionada e escolhida a melhor planta”, resume o diretor.

Durante a exposição, plantas raras foram avaliadas em diferentes categorias: espécies nacionais e estrangeiras, cattleyas (como a Cattleya purpurata, símbolo de Santa Catarina, e a Cattleya walkeriana, muito cultivada no Brasil), laelias (exemplo: Laelia lobata), além de gêneros como Oncidium, Miltonia, Epidendrum e Catasetum.

O julgamento considera critérios como forma, cor, tamanho e estado de cultivo.

Com cerca de 60 membros ativos, a associação enfrenta um desafio crescente: a especulação imobiliária. “Já perdemos muitos orquidários de sócios porque acabam construindo prédios no local. O espaço vai ficando cada vez menor”, lamenta Mueller. Para ele, o cultivo de orquídeas exige condições básicas: “Você tem que ter um espaço que tenha sol. Quanto mais sol, mais a planta cresce.”

A paixão de Mueller pelas orquídeas tem um toque familiar. “Meu pai já cultivava orquídeas, sempre tinha em casa. Quando ele faleceu, alguém tinha que cuidar das plantas dele.” Ele conta que seu irmão que morava junto à família também cultivava orquídeas, masse mudou para Balneário Piçarras. Assim acabou com mais plantas para cuidar e hoje até acha que tem demais. E descreveu assim como acabou sendo “atingido pelo vírus” dessa paixão pelas orquídeas.

 

Imagens: Claus Jensen [OBlumenauense]
Sustentabilidade em miniatura: roupas para bonecas

Entre os expositores, Jesiane Silverio apresentou o trabalho do Viva Arte Ateliê, onde sua mãe, Jeane Silverio Peres, confecciona roupas para bonecas de diversos tamanhos. “Quem confecciona é minha mãe. Eu fico só com a parte de ajudá-la”, esclarece Jesiane.

O diferencial do trabalho está na sustentabilidade. A maior parte do material usado  vem de doações de confecções que descartariam os tecidos.

O público-alvo surpreende pela idade: são principalmente adultos. “Por incrível que pareça, muitos adultos compram. As mães ficam mais empolgadas que as crianças”, observa Jesiane. O trabalho acompanha as estações do ano – no inverno, roupas de frio; no verão, roupas leves – “parece que a boneca sente calor e frio”, comentou.

Atualmente, duas tendências dominam o mercado: o bebê reborn, que usa roupas tamanho RN (recém-nascido), e o Labubu, um boneco menor que explodiu nas redes sociais.

 

Imagens: Claus Jensen [OBlumenauense]
Madeira como terapia familiar

O estande Opa e Oma Artesanato em madeira representou uma história de superação. Mércia dos Santos, presente no evento junto com o pai, conta que o negócio familiar nasceu de uma necessidade terapêutica. “Este trabalho surgiu para ajudar meu pai a se recuperar de um acidente de trabalho. Ele entrou em depressão e precisava de uma ocupação para a mente.”

O projeto envolve quatro pessoas: pai, mãe, Mércia e seu filho. Trabalham principalmente com madeira pinus, mas também aproveitam materiais que seriam descartados. “Buscamos madeira em obras e serrarias. Um senhor que produz material para pet shops nos dá as sobras para fazermos as rodinhas dos brinquedos”, exemplifica.

A produção é diversificada: relógios (principal produto), itens religiosos com pirografia, brinquedos desenhados pelo neto e utensílios de cozinha. Cada peça passa pelas mãos de diferentes membros da família – o avô corta, as mulheres pintam, o menino cria desenhos.
“Vejo isso como um renascimento para meu pai e minha mãe”, emociona-se Mércia. O que começou como terapia se transformou em fonte de renda e integração familiar.

Ciência e gastronomia completam o evento

Além do foco principal em orquídeas e plantas ornamentais, o evento ofereceu diversidade gastronômica com derivados de mel, chocolates artesanais, queijos coloniais e opções para consumo imediato como açaí, pastéis, coxinhas e crepes.

A Universidade Regional de Blumenau (FURB) contribuiu com conhecimento científico através da Exposição Científica Fritz Müller, uma mostra de serpentes e o Projeto de Extensão Fauna e Flora, agregando valor educativo ao evento.

Tradição que se adapta aos tempos modernos

A 86ª Exposição Estadual de Orquídeas mostrou que tradições centenárias podem conviver harmoniosamente com inovação e sustentabilidade. Para quem deseja participar do Círculo de Orquidófilos, as reuniões acontecem na sede própria, na rua Videraira 200, toda primeira e terceira terça-feira do mês.

O evento comprovou que Blumenau mantém vivo o apreço pelas plantas ornamentais, mesmo enfrentando desafios urbanos. Como define Mueller: “No fim, a gente tem planta demais” – um excesso que revela paixão genuína por essa arte milenar.

Interessados em acompanhar futuras edições podem seguir @orchideenfest no Facebook e Instagram.

 


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