Algumas peças chamam a atenção pela cor. Outras, pelo formato ou pela delicadeza dos detalhes. Na Kunst Haus, basta ouvir o que existe por trás de cada criação para perceber que aquele artesanato começou muito antes de chegar à vitrine.
Na manhã de sexta-feira (17/07/26), o portal OBlumenauense foi convidado por Lilian Rose Lemfers, presidente da Associação dos Artesãos de Blumenau, para conhecer o espaço. A loja fica no Empório Vila Germânica, no Parque Vila Germânica, e é referência em produtos artesanais com identidade cultural germânica.
São trabalhos de quase 40 profissionais de Blumenau e de municípios próximos que fizeram parte da antiga Colônia. Madeira, tecido, barro, palha, pintura e bordado ganham formas que remetem à história regional, às tradições familiares e às lembranças guardadas dentro de casa.
Nada foi colocado ali por acaso. Segundo Lilian, cerca de 90% dos participantes passaram por capacitações do Sebrae voltadas ao desenvolvimento de produtos com identidade cultural. O processo envolve meses de pesquisa até que cada um encontre uma ligação verdadeira entre aquilo que produz e a própria trajetória.

Outro trabalho que surpreende é o de um artesão que usa a marchetaria. A técnica combina diferentes recortes de madeira para formar desenhos, ele também produz as caixas onde guarda pequenos bonecos feitos por outro profissional. Ao descobrir que todo o acabamento saía das mãos dele, Lilian conta que ficou espantada com a quantidade de horas escondida em uma única criação. No caso, a caixa de um tabuleiro de xadrez com as peças dentro confeccionadas individualmente.

As capivaras também têm uma conexão simbólica. Lilian conta que, quando Hermann Blumenau esteve na região pela primeira vez, em 1846, encontrou esses animais às margens do rio e os comparou a pequenos hipopótamos. A presença delas nas prateleiras, portanto, não segue apenas uma moda: lembra que estavam por aqui antes da própria cidade.
Rosas vermelhas pintadas em cerâmica fazem uma homenagem à paixão do fundador da colônia por essas flores. Já a borboleta-monarca aparece em estampas botânicas como referência ao naturalista Fritz Müller. Até os gatos, transformados em diferentes peças, ajudam a manter viva a lembrança de Edith Gaertner.

Também existem brinquedos produzidos com sobras de tecidos, como faziam as famílias em outros tempos, além de casas enxaimel, cerâmicas feitas com o barro da região, bordados, objetos natalinos e peças de Páscoa mantidas durante todo o ano para os turistas que visitam Blumenau fora dessas épocas.

Os beija-flores de madeira também nasceram na infância. A mãe dizia que a ave anunciava cartas da Alemanha com boas notícias. Anos depois, essa recordação ganhou outro significado ao ajudar uma visitante, que havia perdido dois filhos, a encontrar conforto depois de receber a visita de duas dessas aves.

Até o torno usado nas demonstrações tem uma história. O equipamento foi construído artesanalmente com o motor retirado de uma máquina de lavar que havia estragado. Lilian encontrou um projeto na internet e adaptou o aparelho com a ajuda de conhecidos. Difícil imaginar algo mais adequado para aquele ambiente.
O encontro contou com a participação de Marlise Cardoso Jensen e Luiz Carlos Zimmermann, do portal OBlumenauense; Jaime Batista da Silva, do Blog do Jaime; e do músico, cantor e compositor Leo Vieira. Também esteve presente Simone Kertischka Zimmermann, do Vida de Boneca Ateliê, que possui trabalhos expostos na loja. A recepção teve até café e clássicos cantados pelo cantor.

O vídeo permite conhecer essas histórias com mais detalhes, observar as criações e acompanhar a forma como cada lembrança ganhou cor, textura e significado. Talvez, depois de assistir, você também passe a olhar o artesanato de outro jeito.
A Kunst Haus funciona de segunda a sábado, das 10h às 20h, e aos domingos, das 10h às 18h. O espaço está localizado no Empório Vila Germânica, no Parque Vila Germânica, em Blumenau. Para acompanhar o trabalho pelas redes sociais, é só acessar @kunsthaus_bnu









