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A iniciativa contempla a restauração dos equipamentos gráficos que marcaram a imprensa blumenauense, como linotipos, prensas, tipografias e outros maquinários doados nos anos 1970 pelo jornalista Honorato Tomelin, proprietário do extinto jornal A Nação. O memorial será instalado nos fundos da Biblioteca Municipal Dr. Fritz Müller, em um prédio discreto, mas inserido no coração do Centro Histórico, cercado por outros marcos culturais como o Arquivo Histórico, o Museu da Família Colonial e a Câmara de Vereadores.

Um acervo raro e autêntico
Atualmente, os equipamentos estão inativos há cerca de 15 anos, mas preservam sua originalidade. Entre eles, destacam-se:
- Impressora tipográfica P. Minerva;
- Chinell Press Fabric, impressora rápida;
- Prélo tipográfico (tiraprovas);
- Máquinas de linotipo de composição quente, capazes de fundir caracteres linha a linha;
- Impressoras tipográficas plano contra cilindro, utilizadas em jornais.
Essas peças representam a evolução das técnicas de impressão que moldaram a vida intelectual e cultural da cidade. “A ideia é recuperar esse maquinário de forma viva, permitindo novamente publicações e ações culturais”, explicou o produtor cultural Rodrigo Dal Molin, que apresentou o projeto arquitetônico.
Arquitetura e futuro do espaço
O prédio que abrigará o memorial passará por adaptações para garantir acessibilidade plena, além de soluções arquitetônicas que integrarão o espaço com o entorno. Entre as propostas estão a criação de brises expositivos, que levarão para a fachada a produção cultural da gráfica, e um anexo com elevador, ligando o Arquivo, a Biblioteca e a tipografia em um circuito acessível ao público.
“Queremos transformar um edifício tímido em protagonista, tornando-o um patrimônio vivo, conectado às novas gerações digitais”, reforçou Dal Molin. A expectativa é que, até 2027, o Memorial da Tipografia esteja ativo com publicações artesanais, ações educativas e projetos editoriais, a exemplo da revista Blumenau em Cadernos, que desde 1957 registra debates sobre a vida cultural e social do Vale do Itajaí.

O lançamento do Memorial da Tipografia foi marcado também por momentos de reconhecimento. Durante a cerimônia, a Prefeitura de Blumenau entregou o certificado de “Amigo da Cultura” a entidades e pessoas que contribuíram para a preservação da memória gráfica da cidade e para a viabilização do projeto.
Receberam a homenagem:
- Osvaldo Luciani, representando o Sindgraf – Sindicato das Indústrias Gráficas de Blumenau;
- José Altino Comper, representando a Intersindical Patronal de Blumenau;
- Luiz Henrique Sborz, representando o Sindicato das Indústrias de Artefatos Plásticos e Brinquedos de Blumenau, e também Ednei Antônio Rodrigues;
- Rodrigo Dalmolin, da Verbo Projetos, responsável pela apresentação do projeto;
- Darlan Schmitt, representando a Associação dos Amigos do Arquivo Histórico José Ferreira da Silva;
- Marcelo Tomelin, representando Honorato Tomelin e família, em homenagem ao jornalista que, nos anos 1970, doou o maquinário gráfico ao município.

Honorato também destacou a relevância histórica da tipografia, lembrando que, antes da invenção de Gutenberg, livros eram copiados à mão, e que a evolução dos tipos móveis e das máquinas de linotipo revolucionou o acesso à leitura. Ao mencionar o acervo que será restaurado, ressaltou que equipamentos raros, como a linotipo, ainda guardam valor simbólico e cultural inestimável. “O que se inaugura aqui é mais do que um memorial, é a continuidade de uma história que moldou Blumenau e Santa Catarina”, afirmou.
Um legado para Blumenau
O secretário de Cultura, Sylvio Zimmermann, classificou o projeto como um sonho antigo. “Sofríamos ao ver esse parque gráfico parado. Agora, com coragem e apoio dos parceiros, daremos vida novamente a um patrimônio único no Brasil”, destacou. Ele lembrou que a cidade tem tradição no setor gráfico desde o século XIX, quando jornais em alemão e português circulavam simultaneamente, fortalecendo a vocação intelectual da região.
A prefeita em exercício, Maria Regina de Souza Soares, representando o prefeito Egidio Ferrari, que está em viagem oficial, ressaltou a união de esforços entre poder público, entidades de classe e sociedade civil. “Este é o início de um futuro que valoriza nossa história e projeta novas gerações no contato direto com a cultura gráfica”, afirmou.

Próximos passos
O trabalho será dividido em fases: primeiro, a restauração das máquinas com apoio de técnicos especializados do Rio Grande do Sul; depois, as intervenções arquitetônicas no prédio; e, por fim, a ampliação da estrutura, integrando o memorial ao conjunto cultural da Rua das Palmeiras. A viabilização financeira ocorrerá por meio da Lei Rouanet, com captação de recursos junto à iniciativa privada.
Com o Memorial da Tipografia, Blumenau não apenas preserva seu passado, mas também aposta na revitalização da produção artesanal impressa como ferramenta de educação, memória e identidade cultural.














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