Tem quem chegou para o Grupo 100% Amigos no Passinho para aprender alguns passos de dança. Mas acabaram encontrando companhia, movimento ou simplesmente uma oportunidade para fugir da rotina. O que muitos não imaginavam era de que aquelas aulas acabariam se transformando em algo muito maior do que somente a coordenação dos pés, pernas e braços.
Foi isso que OBlumenauense encontrou ao acompanhar as atividades do Grupo 100% Amigos no Passinho, que reúne dezenas de participantes em aulas de passinho realizadas na Sociedade Recreativa e Cultural Fortaleza Tribess, no bairro Fortaleza, e na Sociedade Beneficente dos Subtenentes e Sargentos de Blumenau, no Garcia. As histórias são diferentes, mas quase todas passam por palavras como amizade, acolhimento, alegria e qualidade de vida.
A origem do grupo remonta aos anos 2004 e 2005, quando os passinhos começaram a ganhar força novamente em Blumenau. As aulas vieram mais tarde, em junho de 2018, depois de muitos pedidos de amigos e frequentadores dos eventos de flashback. Hoje, além das turmas regulares, há encontros voltados especificamente para iniciantes, que vêm atraindo cada vez mais participantes.
Para os fundadores Johnny Hartmann e Lores Schulze Hartmann, parte do sucesso está na mistura entre nostalgia e renovação. Enquanto as músicas que marcaram as décadas de 1970 e 1980 continuam presentes, as aulas também recebem crianças, jovens, pais e avós, criando um ambiente onde diferentes gerações dividem a mesma pista.
E foi justamente numa pista de dança que começou a história do casal. Johnny lembra com bom humor do dia em que conheceu Lores durante um passinho coletivo, quando os dançarinos avançavam e recuavam em fileiras. Entre um movimento e outro, veio o primeiro contato, depois a troca de olhares e, por fim, o início de uma história que continua sendo contada décadas depois.
Mas não é apenas a lembrança dos velhos tempos que mantém as pessoas voltando às aulas. Entre os depoimentos ouvidos, o que mais apareceu foi a sensação de bem-estar. Muitos participantes descrevem a dança como um momento em que os problemas ficam do lado de fora da porta.
A aposentada Salete Nuss, que participa das aulas há cerca de dois anos e meio, conta que sempre gostou dos passinhos, mas não sabia executá-los. Quando surgiu a oportunidade de aprender, decidiu tentar. Ela relata que convive com transtorno de ansiedade generalizada e percebeu benefícios importantes desde que passou a frequentar as aulas. Hoje, além de dançar, também ajuda outros alunos como instrutora.
Quem também percebeu mudanças foi Cristiane de Oliveira Sinestri. Ela começou há cerca de dois meses e diz que encontrou mais do que diversão. Após sofrer um acidente, passou a lidar com dores e dificuldades de mobilidade. Segundo ela, a dança ajuda no relaxamento muscular, melhora o sono e contribui para o fortalecimento físico, sem abrir mão dos momentos de convivência e descontração.
A experiência da participante Isolde Gomes soma quase oito anos de caminhada com o grupo. Para ela, os benefícios aparecem em várias áreas da vida. Além do aspecto físico, destaca o impacto emocional e social da atividade. Segundo Isolde, a dança permite esquecer preocupações por algumas horas e ainda cria amizades que acabam ultrapassando os limites da pista.
Já Paula Andrade Hoppe, que ingressou há cerca de três meses, afirma que as músicas despertam lembranças da juventude, dos amigos e dos momentos vividos décadas atrás. Para ela, as aulas também ajudam a aumentar a disposição e o entusiasmo no dia a dia.
Outro aspecto frequentemente citado pelos participantes é o acolhimento. Quem chega pela primeira vez costuma encontrar uma rede de apoio formada por professores, instrutores e alunos mais experientes. A proposta é simples: ninguém precisa saber dançar para começar.
A matéria foi gravada e produzida por Marlise Cardoso Jensen, de OBlumenauense, com o apoio da amiga Suzette Greuel. Ambas iniciaram as aulas há pouco mais de dois meses. Marlise convidou a amiga de longa data e lembra de ter encontrado um ambiente descontraído. “A presença de instrutores espalhados pela pista torna o aprendizado mais fácil”, disse Suzette. Elas perceberam que mesmo quem chega com vergonha, ou insegurança, consegue acompanhar os movimentos aos poucos.
Além das aulas, o grupo também participa de encontros com outros grupos de passinho em diferentes cidades. O objetivo não é competir, mas trocar experiências, conhecer pessoas e fortalecer amizades que nasceram por causa da dança. Uma filosofia que ajuda a explicar o próprio nome do grupo.
Ao ouvir as histórias dos participantes, fica a impressão de que os passinhos são apenas uma parte da experiência. O que realmente faz a diferença parece acontecer entre uma música e outra: as conversas, os reencontros, as risadas e a sensação de pertencimento que faz muita gente voltar semana após semana.
Aulas do Grupo 100% Amigos no Passinho
- Sociedade Fortaleza Tribess – segundas-feiras, das 20h às 21h30, além de uma turma voltada para iniciantes nas quintas-feiras (19h30 às 21h).
- Subtenentes e Sargentos – quartas-feiras, das 19h30 às 21h.
- Valor mensal: R$ 50,00 (junho 2026)

Sociedade Recreativa e Cultural Fortaleza Tribess | Foto: Marlise Cardoso Jensen [OBlumenauense]












