A nova fachada da Fakini na Rua 15 de Novembro, no Centro de Pomerode, é o resultado mais visível de um projeto iniciado há mais de uma década. A Fakini Store foi inaugurada na noite do dia 17 de julho (2026), em um evento que reuniu autoridades, executivos, profissionais da imprensa e influenciadores.
A empresa já mantinha uma loja de fábrica do outro lado da rua. O novo espaço tem mais de mil metros quadrados e reúne a moda infantil da Fakini, a feminina da Angel e a masculina da Aurus. Há ainda um café com produtos feitos em Pomerode, playground inspirado na cultura germânica e um bazar permanente com peças de coleções anteriores.
A loja faz parte de um prédio com mais de 4 mil metros quadrados, distribuídos em quatro pavimentos. A estrutura também abriga áreas administrativas, showroom e um auditório com capacidade para 150 pessoas.

Na época, o terreno era ocupado por casas e famílias que já tinham construído suas histórias naquele lugar. Moacir lembrou o nome dos antigos moradores e falou com carinho de um jardim criado para atrair pássaros, espaço que costumava visitar nas manhãs de domingo.
A compra dos imóveis ao redor levou aproximadamente cinco ou seis anos de conversas e negociações. Para que o prédio pudesse avançar até a frente da Rua 15 de Novembro, a Fakini também precisava adquirir a área da antiga Rua Rui Guedes, que passava pelo local.
Como o município não poderia simplesmente transferir o terreno para uma empresa privada, a área foi colocada em leilão público. A Fakini venceu a disputa e o projeto pôde ser modificado. Durante o discurso de inauguração, Moacir contou todo esse caminho com bom humor e chamou a obra de seu “último puxadinho”.
A história da empresa começou em 1994, quando Carmen e Moacir Fachini abriram uma pequena confecção infantil em Pomerode. Os três filhos do casal ajudaram a inspirar as primeiras roupas, enquanto Moacir assumia a área comercial e viajava de ônibus até São Paulo para oferecer as peças aos lojistas do Brás.
Não foi uma trajetória sem tropeços. Moacir contou que os primeiros anos foram positivos, mas a empresa também enfrentou períodos de instabilidade política e econômica. Segundo ele, praticamente tudo o que a Fakini rendeu ao longo de seus 32 anos foi reinvestido no próprio negócio.
Hoje, o grupo mantém dez unidades produtivas — nove em Santa Catarina e uma em Minas Gerais, dedicada à produção de jeans. De acordo com o CEO, Francis Fachini, são cerca de 1,5 mil colaboradores e uma produção aproximada de um milhão de peças por mês, o equivalente a aproximadamente 50 mil unidades por dia.
As vendas chegam a mais de 10 mil lojistas por meio de cerca de 140 representantes comerciais espalhados pelo país. A empresa também verticalizou boa parte da produção, reunindo processos como fiação, tecelagem, tinturaria, corte, bordado, estamparia e costura.
A diversificação do portfólio ganhou força em 2020, com a aquisição da Angel, tradicional marca feminina de Itajaí. Segundo a revista Exame, a Angel está presente em mais de mil pontos de venda, distribuídos por cerca de 800 cidades, e também é exportada para países como Paraguai, Uruguai, Equador e Portugal.
Em 2025, o grupo lançou a Aurus, voltada ao público masculino. Com isso, a Fakini passou a atender crianças, jovens, mulheres e homens. Como definiu Moacir, agora a empresa tem “um armário para a família toda”.
No segmento infantil, a Fakini também trabalha com personagens e licenciamentos de empresas como Disney, Mattel e Netflix. Francis explicou que a moda muda com rapidez e exige atenção ao que aparece em feiras, vitrines e desfiles internacionais, mas as tendências precisam ser adaptadas ao clima, à realidade econômica e aos hábitos do consumidor brasileiro.
A nova loja permite que o grupo acompanhe mais de perto o comportamento de quem compra e observe como as três marcas funcionam reunidas no mesmo ambiente. Por enquanto, a empresa não anunciou outras unidades nesse formato. Primeiro, quer avaliar a resposta do público em Pomerode.
O movimento ocorre em um período de pressão sobre a indústria têxtil, com aumento dos custos, concorrência dos importados e mudanças nos hábitos de consumo. Mesmo assim, o grupo mantém os investimentos. Nos últimos 12 meses, foram aplicados mais de R$ 15 milhões em máquinas, instalações e na conclusão do novo centro administrativo.
A Fakini faturou cerca de R$ 300 milhões em 2025 e projeta crescer 15% neste ano, chegando a R$ 345 milhões. Os dados também foram publicados pela Exame.

A ligação da família com Pomerode vai além da fábrica. Moacir, descendente de italianos, foi vereador no município, criou os filhos na cidade e hoje acompanha os netos estudando por ali, inclusive com aulas de alemão.
A nova loja abre mais uma etapa dessa história. Não é exatamente um ponto de partida, muito menos a chegada. É o resultado de anos de conversas, reinvestimentos e mudanças feitas sem tirar os pés de Pomerode.











