Quando um crime de violência sexual acontece, o tempo corre contra a preservação das evidências. É nesse cenário que entra a Divisão de Sexologia da Polícia Científica de Santa Catarina — setor da Medicina Legal encarregado de realizar exames periciais em vítimas desse tipo de crime, com um papel direto tanto na investigação quanto no andamento dos processos na Justiça.
O chamado exame de corpo de delito é o principal instrumento desse trabalho. Ele reúne três frentes: a anamnese pericial (uma espécie de entrevista técnica com a vítima), o exame físico e a análise de vestígios — que podem ser físicos ou biológicos. Um dos procedimentos mais relevantes dentro desse processo é a coleta de material genético, que pode confirmar a materialidade do crime e, em certos casos, ajudar a identificar quem cometeu o ato.
Mas o trabalho da Sexologia Forense vai além da bancada e do microscópio. A chefe da divisão, Perita Médica-Legista Lilian Brillinger Novello, destaca que há protocolos institucionais voltados para a humanização do atendimento. Segundo ela, o objetivo é que todo o processo seja conduzido de forma a “evitar a revitimização” — ou seja, que a vítima não saia do exame pericial com mais traumas do que entrou.
Essa preocupação não é detalhe: vítimas de violência sexual já chegam ao exame em situação de extrema vulnerabilidade, e a forma como são recebidas e tratadas pode interferir tanto no estado emocional quanto na qualidade das informações obtidas durante a perícia.
A atuação da Polícia Científica catarinense nessa área une, portanto, rigor técnico-científico e sensibilidade no trato com as pessoas. Uma combinação que, na prática, fortalece o enfrentamento à violência contra mulheres, crianças e idosos, e contribui para a garantia de direitos e acesso à Justiça.
Com informações da Polícia Científica de SC





