Verão termina com movimento abaixo do esperado em bares e restaurantes de SC

Pesquisa da Abrasel SC mostra queda no fluxo de turistas e margens apertadas na temporada 2026.

Foto (Arquivo): Julio Cavalheiro [Secom/SC]

O verão sempre foi tratado como a “safra” do setor de bares e restaurantes, em especial no Litoral de Santa Catarina. É quando o caixa respira, as contas se organizam e o ano começa a tomar forma. Em 2026, porém, o clima de expectativa não se traduziu integralmente em resultado financeiro.

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Levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Santa Catarina (Abrasel SC), realizado entre 1º de janeiro e 17 de fevereiro, mostra que 58% dos estabelecimentos receberam menos turistas do que no mesmo período do ano passado. Dentro desse grupo, 36% apontaram queda de até 15% e 22% relataram redução superior a 15%.

Outros 24% disseram que o movimento ficou igual, enquanto 18% registraram fluxo maior ou muito maior. Na região da Capital, o cenário foi semelhante: 59,8% tiveram movimento menor, 26,2% igual e 14% maior.

A presença de argentinos, tradicional termômetro da temporada catarinense, ficou abaixo do esperado. Ainda assim, 49% dos empresários afirmaram ter percebido aumento no fluxo de visitantes de outros países da América Latina, e 33% observaram crescimento no número de turistas brasileiros.

Na leitura da presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Santa Catarina, Juliana Débastiani, o problema não foi apenas o volume de clientes, mas a conversão em lucro. Segundo ela, muitos estabelecimentos trabalharam mais, enfrentaram custos elevados e equipes incompletas, mas não conseguiram transformar o movimento em resultado financeiro efetivo.

A temporada de verão, historicamente a principal fonte de geração de caixa do setor, acabou rendendo menos do que o necessário para equilibrar as contas. Os números reforçam esse diagnóstico: apenas 33% dos negócios registraram lucro. A maioria empatou (51%) e 16% encerraram o período no prejuízo.

Outro dado chama atenção no campo dos preços. Assim como já havia sido apontado no levantamento sobre as festas de final de ano, houve pouco espaço para repassar integralmente a inflação ao consumidor. Ao todo, 70% não reajustaram ou aplicaram aumento de até 5%, enquanto 25% reajustaram em até 10%.

Mão de obra

No front operacional, a mão de obra segue como principal gargalo. Para 57% dos estabelecimentos, não foi possível completar as equipes para a temporada. As dificuldades mais citadas foram falta de qualificação, escassez de candidatos e desinteresse pelas vagas oferecidas.

Também entraram na lista de entraves o custo dos insumos, problemas de infraestrutura nas regiões turísticas e o trânsito. O saldo da estação, portanto, não foi de retração generalizada, mas de um setor pressionado: mais esforço, custos maiores e retorno financeiro menor do que o esperado.


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