Vale do Itajaí lidera avanço da tecnologia e amplia peso nas receitas municipais

Dados do Observatório ACATE mostram que Blumenau, Itajaí e Rio do Sul reforçam a força regional do setor.

Imagem ilustrativa: OBlumenauense | Foto original: Giovanni Silva [PMB]

Os dados do Observatório ACATE mostram que o Vale do Itajaí se firmou como uma das regiões mais dinâmicas da tecnologia em Santa Catarina. A leitura dos números de arrecadação de ISS, imposto municipal cobrado sobre serviços, indica que o avanço aparece em diferentes pontos da região.

Blumenau registrou o salto mais expressivo do período analisado pelo Observatório ACATE. A arrecadação de ISS ligada ao setor de tecnologia saiu de quase R$ 5 milhões em 2019 para R$ 58,7 milhões em 2024, alta de 1.083%. O dado mostra uma mudança relevante no perfil econômico local, com expansão da atividade tecnológica e fortalecimento de uma base mais diversificada.

Na comparação entre 2023 e 2024, Blumenau ainda avançou 12%. O impulso inicial esteve ligado à instalação de grandes empresas de tecnologia no município. Já o crescimento mais recente indica consolidação de um ecossistema regional robusto, apoiado por empresas, mão de obra qualificada e integração com a indústria tradicional.

Os dados mostram que Itajaí acompanha essa expansão regional. A cidade passou de R$ 15,1 milhões em 2019 para R$ 47 milhões em 2024, crescimento de 210%. No intervalo entre 2023 e 2024, a alta foi de 20%, em um cenário marcado pela combinação entre logística, serviços corporativos e tecnologia aplicada a setores estratégicos da economia local.

Rio do Sul também aparece nesse avanço do Vale do Itajaí. A arrecadação subiu de R$ 1,9 milhão em 2019 para R$ 5,5 milhões em 2024, crescimento de 197%, com estabilidade no último ano. Embora em outra escala, o resultado reforça que o desenvolvimento regional da tecnologia não ficou restrito aos maiores centros.

O Vale do Itajaí não lidera em volume total de arrecadação, mas concentra os avanços mais acelerados, reunindo alguns dos maiores crescimentos percentuais da tecnologia no estado. A região revela uma estrutura mais espalhada, com cidades em diferentes estágios de maturidade, mas seguindo a mesma direção: mais empresas, mais serviços de tecnologia e maior impacto direto na arrecadação municipal.

Os números mais expressivos de Santa Catarina

Depois do Vale, outras regiões do estado também aparecem no levantamento do Observatório ACATE. Florianópolis, principal polo tecnológico catarinense, saltou de R$ 44,4 milhões em 2019 para R$ 146,4 milhões em 2024, alta de 230%. No comparativo com 2023, o avanço foi de 27%. A Grande Florianópolis concentra cerca de um terço das empresas de tecnologia do estado e lidera a geração de empregos no setor.

No Norte, Joinville ampliou a arrecadação de R$ 48,9 milhões em 2019 para R$ 88 milhões em 2024, crescimento de cerca de 80%. Depois de atingir R$ 92,4 milhões em 2023, a cidade teve variação de -4,7% em 2024, mas ainda manteve um patamar elevado. O texto original aponta que a tecnologia vem ganhando espaço como complemento à base industrial da cidade.

O Novo Oeste

No Oeste, Chapecó apresentou um dos crescimentos mais acelerados do estado. A arrecadação passou de R$ 3,9 milhões para R$ 15,1 milhões em cinco anos, alta de 282%, com avanço adicional de 26% entre 2023 e 2024. O desempenho acompanha a expansão do número de empresas e empregos na região e a maior presença da tecnologia em áreas tradicionais, especialmente no agronegócio e nos serviços.

Planalto Serrano e Sul

Outros municípios também ampliaram participação nessa economia. Lages passou de R$ 1,4 milhão para R$ 2,3 milhões entre 2019 e 2024, com crescimento moderado. No Sul, Criciúma chegou a R$ 28,2 milhões em 2023, mais do que dobrando o valor registrado em 2019, em uma região que vem ampliando o número de empresas de tecnologia nos últimos anos.

Consolidação do modelo catarinense de inovação

Na avaliação de Diego Ramos, presidente da ACATE, os resultados refletem a consolidação do modelo catarinense de inovação. Já César Griebeler, vice-presidente de Integração da ACATE, afirma que os dados evidenciam também o papel do poder público no fortalecimento desses ecossistemas e no uso da tecnologia como vetor de transformação econômica nos municípios.

O levantamento ainda ganha peso extra porque antecede uma mudança importante no sistema tributário. A partir de 2026, a reforma tributária vai substituir o ISS, de arrecadação municipal, e o ICMS, de arrecadação estadual, pelo IBS, o Imposto sobre Bens e Serviços. Essa troca deve alterar a lógica de arrecadação no país e pode afetar de forma diferente municípios com maior concentração de serviços e tecnologia.

Ao mesmo tempo, a expectativa apontada no texto original é de um sistema mais simples, previsível e transparente. Para Griebeler, o novo modelo deve trazer um período de adaptação, mas também pode abrir oportunidades para empresas de tecnologia ampliarem mercados, olharem além do regional e fortalecerem a atuação internacional durante a transição.


▶️🛜Siga nossas redes sociais: Youtube | Instagram | X (antigo Twitter) | Facebook | Threads | Bluesky