Você já deve ter escutado por aí: “Ah, é só aplicar a caneta e pronto, o peso vai embora” ou “Se a fulana perdeu 10kg com o remédio, por que eu não posso?”. O que parece simples e prático, na verdade, pode custar caro pra sua saúde física e emocional.
O uso indiscriminado de medicamentos para emagrecer virou moda — e o problema não é apenas a medicação em si. O ponto crítico é que ela vem sendo utilizada como solução única, sem avaliação adequada, sem acompanhamento e sem considerar o que realmente está por trás do ganho de peso.
1. O que é o uso indiscriminado?
É quando o medicamento acaba sendo usado por conta própria, sem prescrição; por indicação de uma amiga que “fez e deu certo”; ou por profissionais que não investigam exames nem o histórico do paciente.
Também ocorre quando é utilizado de forma contínua, sem reavaliação, sem o devido acompanhamento ou com alterações de dose feitas de maneira aleatória.
Esse comportamento tem se tornado cada vez mais comum — especialmente com medicamentos que “prometem” perda de peso rápida, como canetas injetáveis, bloqueadores de apetite e diuréticos.
2. Quais os riscos de fazer isso?
Primeiro: você ignora o que realmente está acontecendo no seu corpo. O ganho de peso é apenas um sinal de que algo não está funcionando bem — seja no físico ou no emocional. Mas ele não é a causa.
Segundo: você pode acabar mascarando sintomas importantes, como cansaço, resistência insulínica, anemia ou hipotireoidismo.
Terceiro: seu corpo pode entrar em um estado de estresse fisiológico, o que dificulta ainda mais o emagrecimento no longo prazo.
E os efeitos colaterais?
- Náuseas, enjoo, tontura;
- Queda de cabelo;
- Perda de massa magra (que é o tecido que mais consome energia — calorias — e cuja recuperação é muito mais difícil do que se imagina!);
- Dificuldade de sono;
- Intestino travado;
- Irritabilidade e até sintomas depressivos.
3. E quando para de tomar?
O corpo tende a buscar o equilíbrio. Se a causa do ganho de peso não foi tratada — se a alimentação, o sono, a rotina e o emocional não foram reestruturados — o peso volta. E muitas vezes, ele volta acompanhado de ansiedade, culpa e ainda mais dificuldade para recomeçar.
É muito comum que, além de recuperar o peso perdido, haja ganho adicional, especialmente quando não há acompanhamento com nutricionista e/ou psicólogo.
4. Então o que fazer?
A resposta não está em demonizar a medicação — ela pode ter seu espaço em casos realmente necessários. Mas nunca como atalho. Sempre como parte de um processo profundo, consciente e supervisionado.
Buscar ajuda profissional que olhe seus exames, sua rotina, seus sintomas e seu emocional não é exagero — é o que realmente faz diferença.
Seu corpo não precisa ser forçado a emagrecer.
Ele precisa ser recondicionado pra funcionar com equilíbrio e da forma correta.
Ele é uma máquina e esta máquina precisa de combustível e reparos constantes!
Se você já tentou o caminho da pressa e do remédio, e agora quer um processo que realmente resolva, procure acompanhamento de verdade.
O seu corpo merece ser cuidado — não silenciado.
* Bianca Jensen é nutricionista (CRN-10/9605) formada pela FURB, focada em emagrecimento e comportamento humano. Busca auxiliar seus pacientes de forma que olhem para a sua alimentação com consciência para que haja uma efetiva mudança de hábitos. Você pode conhecer o trabalho pelo Instagram e entrar em contato através do WhatsApp.






