Em Blumenau, uma iniciativa recente começa a desenhar um novo percurso para mulheres que enfrentam as consequências da violência. De um lado, a demanda por acolhimento qualificado. Do outro, a estrutura acadêmica pronta para agir. Foi desse encontro que surgiu o convênio entre a UniSociesc e uma Comissão da Câmara de Vereadores do município.
No início de 2025, a própria Comissão procurou a instituição com o objetivo de estruturar um serviço capaz de oferecer suporte psicológico especializado às mulheres atendidas pelo Legislativo. A resposta veio em forma de parceria — e com ela, os primeiros atendimentos já começaram a acontecer.
Nesta fase inicial, o funcionamento segue um fluxo bem definido. O acesso ao serviço ocorre exclusivamente por meio de encaminhamento da Procuradoria Especial da Mulher da Câmara, que organiza e direciona os casos para acompanhamento. Ou seja, não há procura direta: o atendimento é integrado à rede institucional de proteção.
As sessões acontecem na Clínica Escola da UniSociesc, espaço que, além de prestar serviço à comunidade, também cumpre um papel formativo. Quem está na linha de frente são estudantes da última fase do curso de Psicologia, sempre acompanhados de perto pela supervisão técnica da professora Carol Quintino, mestre em Saúde Coletiva.
O projeto conecta a necessidade de atendimento e a formação profissional. Para os alunos, é a chance de vivenciar situações reais e compreender, para além da teoria, os desdobramentos emocionais que a violência provoca. Para as mulheres atendidas, é o acesso a um cuidado contínuo e qualificado.
Carol Quintino resume o impacto desse tipo de acompanhamento ao destacar que a violência não termina no momento em que ocorre. Segundo ela, as marcas se estendem para a saúde mental, afetam a autoestima e interferem diretamente na capacidade de reconstrução da vida. Nesse cenário, o suporte psicológico deixa de ser complementar e passa a ser essencial.
A expectativa agora é de expansão. A parceria foi pensada como ponto de partida e pode evoluir para outras frentes, incluindo ações de acolhimento, apoio e prevenção. A ideia é fortalecer, aos poucos, a rede de proteção às mulheres no município, ampliando tanto o alcance quanto a qualidade dos serviços disponíveis.





