Era o fim de março de 2004 quando as imagens de satélite mostraram algo fora do comum. No centro de monitoramento da Epagri/Ciram em Santa Catarina, os meteorologistas acompanhavam uma formação atípica sobre o Atlântico Sul. O que parecia uma depressão extratropical começava a ganhar características tropicais — algo até então considerado impossível naquela região do oceano.
O sistema evoluiu rapidamente. Com ventos superiores a 120 km/h e intensidade equivalente à categoria 1 na escala Saffir-Simpson, atingiu o litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul entre os dias 26 e 28 de março de 2004. Batizado de Catarina pela proximidade com a costa do estado, tornou-se o primeiro furacão registrado no Atlântico Sul, surpreendendo a comunidade científica mundial.

O desafio para a equipe da Epagri/Ciram diante de um fenômeno sem precedentes e sem protocolo estabelecido, era preciso interpretar os dados, emitir alertas precisos e comunicar à Defesa Civil e à população a gravidade do que se aproximava. Convencer autoridades da iminência de um furacão numa região onde isso nunca havia ocorrido não era tarefa simples.
A atuação integrada com a Defesa Civil permitiu que orientações chegassem à população antes do impacto, contribuindo para reduzir os danos causados pelo furacão. O trabalho foi reconhecido nacionalmente com o Prêmio Sampaio Ferraz, concedido pela Sociedade Brasileira de Meteorologia.
Vinte e dois anos depois, o Catarina permanece como marco na meteorologia do Hemisfério Sul. A experiência acumulada naquele evento segue influenciando o monitoramento de fenômenos extremos no Brasil — e reforça o papel do alerta meteorológico na proteção de vidas.
Com informações do meteorologista Marcelo Martins, da Epagri/Ciram.





