Santa Catarina abriu 2026 com fôlego no mundo dos negócios. Nos três primeiros meses do ano, o estado registrou um saldo de 45.350 novas empresas — ou seja, a diferença entre os CNPJs abertos (96.397) e os encerrados (51.047) no período, segundo dados da Junta Comercial do Estado (Jucesc). O resultado representa uma alta de 6,5% em relação ao mesmo trimestre de 2025, quando o saldo havia sido de 42.584 empresas.
Para quem vive e trabalha no Vale do Itajaí, o número tem um significado prático e bastante concreto: a região está entre as que mais contribuíram para esse desempenho. Itajaí (2.627), Blumenau (2.410) e Balneário Camboriú (1.373) aparecem no ranking das dez cidades catarinenses com maior saldo de novos negócios no trimestre.
Isso significa que a cada dia útil do trimestre, dezenas de novos negócios foram abertos só na nossa região. Os dados colocam o vale no top 10 que tem como protagonistas Joinville (4.305) e Florianópolis (4.204).
Quem está abrindo empresa?
Os dados da Jucesc revelam um perfil interessante de quem está empreendendo. Das 124.656 pessoas registradas como sócias nas novas empresas catarinenses, 58,2% são mulheres. Além disso, os jovens entre 21 e 31 anos representaram 30,2% dos sócios cadastrados no período, somando 37.648 pessoas.
Isso significa que, se você tem uma filha, sobrinha ou vizinha que está pensando em abrir um negócio, ela está na companhia de uma maioria — e num momento favorável para dar esse passo.
Que tipo de negócio está crescendo?
Os setores que mais geraram novas empresas no estado foram:
- Transporte e armazenagem (saldo de 6.636 empresas);
- Atividades administrativas e serviços complementares (5.803);
- Comércio e reparação de veículos (5.041);
- Atividades profissionais, científicas e técnicas (4.647);
- Construção Civil (4.529);
- Indústria da Transformação (4.212).
Para o Vale do Itajaí, com sua vocação histórica na indústria, no comércio e no porto de Itajaí, esses setores dialogam diretamente com a estrutura econômica local — o que sugere que a onda de novos negócios não é aleatória, mas acompanha oportunidades reais de mercado.
MEI continua sendo a porta de entrada
A grande maioria dos novos negócios abertos no trimestre foi na categoria de Microempreendedor Individual (MEI): foram 38.097 novos registros nessa modalidade em todo o estado. Em seguida aparecem as sociedades limitadas (LTDA), com 12.950 novas empresas. No outro extremo, foram constituídas 60 sociedades anônimas (SA) no período — formato típico de empresas de maior porte.
Um dado que chama atenção é a redução de 5.796 Empresários Individuais (EI) no trimestre. Esse movimento sugere que muitos profissionais que atuavam nessa categoria estão migrando para o formato MEI — mais simples e com menos obrigações contábeis — ou para as sociedades limitadas, quando o negócio cresce e ganha um sócio.
O MEI é, na prática, o formato mais acessível para quem quer sair da informalidade ou testar uma ideia de negócio com baixo custo e burocracia reduzida. Para o trabalhador autônomo do vale — o eletricista, a confeiteira, o designer freelancer, o motorista de aplicativo — formalizar-se como MEI ainda é o caminho mais direto para ter CNPJ, emitir nota fiscal e acessar benefícios previdenciários.
O recado que esses números deixam para o dia a dia da região é direto: o ambiente para abrir e manter um negócio no Vale do Itajaí está aquecido. Quem estava esperando o momento certo para empreender — ou para formalizar uma atividade que já existe na prática — encontra em 2026 um cenário com mais pessoas apostando nessa direção.
Confira o top 10 municípios catarinenses:
1 – Joinville: 4.305
2 – Florianópolis: 4.204
3 – Itajaí: 2.627
4 – Blumenau: 2.410
5 – São José: 2.099
6 – Chapecó: 1.716
7 – Palhoça: 1.565
8 – Criciúma: 1.532
9 – Balneário Camboriú: 1.373
10 – Jaraguá do Sul: 1.349
*A figura jurídica Empresário Individual foi extinta em 2021. Portanto, consta entre as empresas extintas, mas não ocorre mais nas empresas constituídas.





