Tornado destrói 90% de cidade no Paraná e deixa seis mortos; governo decretou calamidade pública

Os ventos podem ter ultrapassado 250 km/h; centenas de feridos foram atendidos em hospitais da região.

Foto: Jonathan Campos / AEN

O Governo do Paraná decretou, neste sábado (8/11/25), estado de calamidade pública em Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Estado, após o tornado que devastou o município na noite de sexta-feira (7). Segundo a Defesa Civil, cerca de 90% das residências e comércios foram destruídos, e seis mortes foram confirmadas até o momento. Há ainda um desaparecido.

O governador Carlos Massa Ratinho Junior está na cidade acompanhando as operações de resgate e assistência às famílias. “Desde os primeiros relatos, mobilizamos equipes do Interior e da Capital para atender a população desabrigada. Já durante a madrugada, reforçamos os hospitais da região e enviamos tropas e ambulâncias de Cascavel e Londrina”, disse o governador.

Ratinho Junior destacou que o decreto de calamidade pública (Decreto 11.838/2025) agiliza a liberação de recursos e a execução de medidas emergenciais. “Como cerca de 90% da cidade foi afetada, o decreto nos permite dar celeridade aos atendimentos. Determinei que a Cohapar estude estratégias para reconstrução das moradias e que sejam preparados alojamentos para as famílias desabrigadas”, completou.

Foto: Jonathan Campos / AEN

Mobilização e atendimentos

Equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Sanepar, Copel e Secretaria de Estado da Saúde atuam em conjunto para restabelecer os serviços essenciais e prestar socorro à população. O Governo enviou ambulâncias, caminhões, maquinários e equipes de apoio de diversas regiões do Estado.

Os hospitais de Laranjeiras do Sul, Guarapuava e Cascavel receberam 437 vítimas do desastre. Em um dos hospitais de Laranjeiras do Sul, 216 atendimentos foram realizados, com 51 transferências, três cirurgias ortopédicas, uma cirurgia geral e dois pacientes em UTI. Em outra unidade, 100 atendimentos foram registrados, incluindo cinco cirurgias, duas crianças e cinco gestantes entre os pacientes.

A Unidade de Saúde da cidade também prestou 103 atendimentos, e 18 pessoas foram socorridas em uma faculdade local, que foi transformada em ponto de apoio. Mais de 30 ambulâncias da 5ª e 7ª Regionais de Saúde estão operando com 100 profissionais e voluntários. Hospitais e prontos atendimentos de Nova Laranjeiras, Cantagalo e Saudade do Iguaçu também estão auxiliando no acolhimento das vítimas.

O Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar) enviou 1.000 unidades de soro fisiológico e 1.000 de ringer, além de 10 mil unidades de materiais hospitalares como ataduras, seringas, compressas e agulhas. Municípios vizinhos doaram medicamentos e insumos para ajudar nos atendimentos.

Foto: Defesa Civil

Força do tornado

O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou que o fenômeno foi um tornado classificado como F2 na escala Fujita, o que representa ventos entre 180 km/h e 250 km/h. No entanto, há indícios de que, em alguns pontos, a velocidade tenha ultrapassado os 250 km/h, o que elevaria a classificação para F3.

Segundo o meteorologista Reinaldo Kneib, o tornado foi gerado por uma supercélula, tipo de tempestade extremamente severa. “Foram registrados tombamentos de veículos, quedas de árvores inteiras e casas de alvenaria destruídas. A análise dos danos e das imagens de radar confirma o fenômeno e sua alta intensidade”, explicou.

Foto: Jonathan Campos / AEN

Chuvas e ventos em todo o Estado

O tornado foi provocado por um sistema de baixa pressão atmosférica entre o Paraguai e o Sul do Brasil, que deu origem a uma frente fria associada a um ciclone extratropical. Esse conjunto de fenômenos meteorológicos causou temporais severos nas regiões Oeste, Sudoeste e Centro-Sul do Paraná.

As rajadas de vento chegaram a 82,4 km/h em Dois Vizinhos, 76 km/h em Cornélio Procópio, 74,2 km/h em Campo Mourão, 73,1 km/h em Candói, e 70,9 km/h em Planalto, segundo medições do INMET. O volume de chuvas ultrapassou 40 mm em cidades como Guarapuava, Candói, Pinhão e São Jorge D’Oeste.

 

Foto: Jonathan Campos / AEN

Fundo de Calamidade

O Estado conta com um Fundo Estadual de Calamidade Pública, administrado pela Defesa Civil, destinado a financiar ações de reconstrução, assistência humanitária e recuperação de infraestrutura. Nesta semana, o governo já havia liberado R$ 50 milhões para o fundo, reforçando a capacidade de resposta a desastres.

Os recursos poderão ser usados para reerguer moradias, restabelecer serviços públicos e garantir abrigo temporário aos moradores. “Nosso foco agora é garantir segurança, moradia e dignidade a quem perdeu tudo”, afirmou Ratinho Junior durante visita à área atingida.

Fonte: Governo do Paraná


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