Têxtil pressiona governo contra tarifa sobre fio chinês e alerta para efeito na inflação

Em reunião no Planalto, empresários do setor disseram a Geraldo Alckmin que medida em análise para abril de 2026 pode encarecer roupas, reduzir competitividade e gerar perdas bilionárias.

Foto: Sintex

Uma articulação do setor têxtil chegou nesta quarta-feira (20/03/26), ao Palácio do Planalto com um recado direto ao governo federal: a eventual aplicação de direitos antidumping sobre as importações de fios texturizados de poliéster da China, prevista para abril de 2026, pode provocar um impacto amplo na indústria e no consumo.

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À frente da comitiva estava o diretor executivo do Sintex, Renato Valim, acompanhado de empresários e representantes da cadeia têxtil. A audiência foi com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. O encontro, idealizado pelo Sintex, teve apoio do deputado estadual Napoleão Bernardes.

O argumento apresentado ao governo é que a medida de proteção comercial beneficiaria apenas uma fabricante instalada no Brasil, cuja capacidade de produção seria insuficiente para atender o mercado interno. Segundo os dados levados à reunião, essa empresa consegue suprir 80 mil toneladas por ano, o equivalente a cerca de 25% da demanda nacional, enquanto o consumo brasileiro chega a 305 mil toneladas anuais.

Na avaliação do setor, a taxação de um insumo básico para a produção de vestuário teria reflexo direto nos preços ao consumidor. A preocupação é com um efeito em cadeia, começando no fio e chegando ao valor final das peças, com pressão adicional sobre a inflação.

Os números apresentados a Alckmin apontam ainda para perdas anuais de R$ 3 bilhões no PIB e de R$ 262 milhões em arrecadação. Para as entidades, o impacto econômico iria além da indústria de base e alcançaria toda a cadeia produtiva.

Renato Valim resumiu a preocupação do setor ao destacar o desequilíbrio entre o alcance do benefício e o tamanho do risco. Segundo ele, a medida preservaria cerca de 200 empregos em uma única planta industrial, mas colocaria em xeque a competitividade de um segmento que responde por mais de 1,4 milhão de postos de trabalho.

Outro ponto levantado foi a estrutura tarifária. De acordo com Valim, a taxação total sobre o fio chegaria a 35%, acima da tarifa incidente sobre o tecido, de 26%. Na prática, isso eliminaria a chamada escalada tarifária e abriria espaço para maior entrada de produtos acabados importados, afetando malharias e tecelagens brasileiras.

A agenda em Brasília não ficou restrita ao encontro no Planalto. A comitiva também se reuniu com o senador Esperidião Amin, vice-presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Têxtil. O objetivo foi ampliar o apoio político no Senado para impedir que a investigação em curso no DECOM/MDIC termine, na visão do setor, em prejuízo à competitividade da indústria nacional, que já opera sob forte concorrência externa.

No centro da mobilização está a tentativa de convencer o governo e o Congresso de que uma medida desenhada para proteger um elo específico da produção pode, ao mesmo tempo, encarecer insumos, pressionar preços e reduzir a força de uma cadeia muito maior. Para o setor, essa discussão vai além da indústria: envolve emprego, custo de produção e o preço que chega ao consumidor.


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