Tarifa de 50% dos EUA ameaça exportações catarinenses, alerta FIESC

Federação critica decisão do governo norte-americano e pede atuação diplomática do Brasil para evitar perda de investimentos e prejuízo à competitividade.

Foto (arquivo): Ricardo Wolffenbuttel [SECOM/SC]

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) demonstrou forte preocupação com a tarifa de 50% anunciada pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo o presidente da entidade, Mario Cezar de Aguiar, a medida compromete a competitividade dos produtos catarinenses e pode provocar prejuízos severos à indústria, além de afastar investimentos do país. Ele reforça a necessidade de atuação diplomática firme e serena para evitar o agravamento do cenário.

::: Siga OBlumenauense no WhatsApp ➡️ Clique aqui!

Aguiar destaca que a decisão americana precisa ser analisada em três frentes. Do ponto de vista econômico, não há justificativa, já que os Estados Unidos acumulam superávit comercial com o Brasil há décadas. Politicamente, afirma que o Brasil é um país soberano e suas decisões internas devem ser respeitadas. E no campo diplomático, alerta que o Brasil tem adotado posições de desalinhamento com os EUA, o que pode estar influenciando o atual tensionamento nas relações.

A falta de detalhes sobre a medida acentua o clima de incerteza. A nova tarifa pode favorecer países concorrentes de Santa Catarina, que seriam submetidos a tributações menores, o que ameaça exportações de itens como motores elétricos, peças de motor, produtos de madeira e cerâmica. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações catarinenses e o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Somente em 2024, Santa Catarina embarcou para lá US$ 1,74 bilhão em produtos manufaturados.

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) reforçam a crítica. O superávit dos Estados Unidos com o Brasil chegou a US$ 91,6 bilhões na última década apenas no comércio de bens, e ultrapassa US$ 256,9 bilhões quando se incluem serviços. A CNI ainda aponta que, em 2023, a tarifa efetiva média aplicada pelo Brasil a produtos americanos foi de apenas 2,7% — quatro vezes menor do que a nominal de 11,2% registrada na Organização Mundial do Comércio (OMC). Cerca de 10 mil empresas brasileiras que exportam para os EUA podem ser diretamente impactadas pela nova tarifa.


▶️🛜Siga nossas redes sociais: Youtube | Instagram | X (antigo Twitter) | Facebook | Threads | Bluesky