Um esquema internacional de venda de material relacionado a abuso sexual infantil levou investigadores a identificar um suspeito atuando a partir de Santa Catarina. A apuração teve início após a agência norte-americana Homeland Security Investigations (HSI), ligada à Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, repassar informações ao CyberGAECO, divisão especializada do Ministério Público de SC no combate a crimes virtuais.
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O alvo da investigação seria responsável por operar plataformas clandestinas na Dark Web, usadas para distribuir conteúdo ilegal a compradores no Brasil e no exterior. Após concretizar as vendas, ele passava a extorquir os próprios clientes, usando capturas de tela das conversas para ameaçá-los.
O rastreamento de transações com criptoativos permitiu localizar uma carteira de Bitcoin usada nesse mercado ilegal. A movimentação financeira levou os investigadores a um cidadão norte-americano, que realizou transferências para carteiras vinculadas diretamente ao conteúdo criminoso. Essas contas digitais foram conectadas ao homem que, nesta terça-feira (15/07/25), foi alvo de uma ação em Florianópolis.
A operação, batizada de Pharos, foi conduzida pelo GAECO e pelo CyberGAECO, com apoio do Ministério Público Federal. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido na capital catarinense, com autorização da 1ª Vara Federal.

A Polícia Científica de SC participou da ação garantindo a preservação da cadeia de custódia dos materiais recolhidos. Também contribuíram com o cumprimento da medida o Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional do Tribunal de Justiça de SC (NIS/TJSC) e a própria HSI, responsável pela cooperação internacional.
Cooperação internacional e atuação integrada
O nome da operação faz referência ao Farol de Alexandria (Pharos), uma das sete maravilhas do mundo antigo e símbolo de vigilância e orientação. A escolha destaca o esforço conjunto para lançar luz sobre crimes cometidos nas áreas mais obscuras da internet.
A Operação Pharos reforça a importância da colaboração entre órgãos nacionais e estrangeiros no enfrentamento de crimes digitais, especialmente aqueles que envolvem vítimas em situação de vulnerabilidade.
GAECO e CyberGAECO
O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) é uma força-tarefa formada pelo Ministério Público de SC com integrantes da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar.
Já o CyberGAECO atua de forma especializada no combate a delitos praticados em ambientes digitais, como os relacionados à exploração sexual infantojuvenil.
As investigações seguem sob sigilo e, assim que possível, novas informações serão divulgadas pelas autoridades responsáveis.
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