Uma invasão pelo telhado, horas de observação e até um falso técnico circulando pela agência dias antes. A investigação sobre o furto a uma cooperativa de crédito de Indaial revelou uma preparação que teria começado semanas antes do crime. Um dos suspeitos foi preso na manhã desta sexta-feira (14/08/26), em Joinville, enquanto outros dois permanecem foragidos.
O trabalho foi conduzido pelo Ministério Público de Indaial, com colaboração do 32º Batalhão de Polícia Militar (BPM). Segundo as informações divulgadas pela PM, o grupo é investigado por uma atuação organizada e especializada em ataques a instituições financeiras.

Três horas observando o local antes da invasão
O crime investigado aconteceu na madrugada de 8 de fevereiro de 2026. Conforme o que foi apurado, um veículo estacionou nas proximidades da cooperativa e um dos suspeitos entrou em uma sala comercial vizinha, que estava disponível para locação.
Ele teria arrombado a fechadura e permanecido cerca de três horas no imóvel. A suspeita é de que o espaço tenha servido como ponto de observação e segurança enquanto os demais integrantes se preparavam para agir.

Mais tarde, outros dois suspeitos chegaram carregando mochilas, uma escada e ferramentas. O acesso à cooperativa ocorreu pelo telhado. Telhas foram removidas e o forro de gesso foi perfurado justamente sobre a sala onde ficava o cofre.
Já no interior do espaço, o grupo teria neutralizado o sistema de monitoramento e arrombado o cofre. Uma quantia em dinheiro, cujo valor não foi informado, foi levada. No início da manhã, os três se reuniram e fugiram de carro em direção a Blumenau.

Suspeito teria entrado na agência disfarçado
A investigação também buscou reconstruir o que aconteceu antes daquela madrugada. E foi aí que surgiram indícios de que o ataque não teria sido improvisado.
Em uma das ocasiões anteriores ao furto, um suspeito teria usado um macacão cinza com faixas refletivas, simulando ser um profissional de manutenção. Ele entrou na agência e filmou o interior com um celular.
Na mesma data, segundo a investigação, o homem também teria arrombado a sala comercial vizinha. Ficou aproximadamente 40 minutos no imóvel, avaliando a possibilidade de chegar à agência pelo forro.
Em outro momento, o mesmo suspeito retornou usando camisa azul e realizou uma nova inspeção. Ele observou o interior através dos vidros e foi até os fundos do prédio, onde teria procurado possíveis pontos de acesso.

Ferramentas e roupas foram apreendidas
Durante o avanço das investigações, buscas foram realizadas nas residências dos suspeitos. Foram apreendidas furadeiras magnéticas, lixadeiras, marretas, brocas de precisão, celulares e peças de roupa que, segundo a apuração, teriam sido utilizadas tanto nos reconhecimentos anteriores quanto no dia do crime.

A investigação aponta ainda que o grupo tentou repetir o método em outras localidades. O material divulgado cita ações em Guaramirim, em 8 de março, e em “Viamão-SP”, em 12 de abril. A referência a Viamão-SP foi mantida conforme a informação original e precisa ser conferida, já que o município de Viamão fica no Rio Grande do Sul.
Também teriam sido planejadas ações em Bela Vista do Toldo, São Joaquim e Santa Rosa de Lima, em Santa Catarina, além de Ribeirão Preto, em São Paulo.

Um preso e dois foragidos
Na manhã de sexta-feira (14/08/26), policiais militares do 32º BPM, com apoio técnico-operacional do 1º Batalhão de Pronta Resposta (BPR), de Joinville, cumpriram um mandado de prisão contra um dos investigados naquela cidade.
Outros dois suspeitos também tiveram mandados de prisão expedidos pela Justiça, mas não foram encontrados e são considerados foragidos. A investigação continua para identificar outras pessoas que possam ter participado da organização.
O comandante do 32º BPM, tenente-coronel Mário Elias, destacou que policiais vêm recebendo treinamentos para prevenir e reprimir esse tipo de crime. Ele também chamou a atenção para a necessidade de instituições financeiras e estabelecimentos comerciais reforçarem medidas de segurança para reduzir vulnerabilidades.







