Anemia sem causa aparente, dores constantes nos ossos (principalmente na coluna, costelas e quadris), fraturas que acontecem com pouco esforço, cansaço frequente, infecções recorrentes e até diminuição do volume urinário. Esses são alguns dos sinais que podem estar ligados ao mieloma múltiplo, um tipo de câncer ainda pouco conhecido, mas que exige atenção.
Agora, vale a reflexão: você tem percebido algum desses sintomas com frequência? Eles persistem mesmo após cuidados básicos ou parecem não ter explicação clara? Se a resposta for sim, é importante investigar.
Durante o mês dedicado à conscientização sobre a doença, a Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina chama a atenção para a necessidade de reconhecer esses indícios e procurar avaliação médica. O alerta se baseia em dados recentes: em 2025, o Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON) realizou 205 atendimentos relacionados ao mieloma múltiplo, acompanhando 87 pacientes — sendo 54 diagnósticos novos.
O mieloma múltiplo afeta os plasmócitos, células responsáveis pela produção de anticorpos. Quando sofrem alterações, essas células passam a se multiplicar de forma descontrolada, comprometendo o sistema imunológico e podendo atingir ossos, rins e outros órgãos.
Segundo o diretor-geral do CEPON, Dr. Alvin Laemmel, o diagnóstico envolve avaliação especializada, geralmente feita por hematologistas. O processo inclui exames clínicos, laboratoriais e biópsia da medula óssea. Exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética, também são utilizados para entender a extensão da doença.
Apesar dos recursos disponíveis, muitos casos ainda são descobertos em estágios avançados. A hematologista e gerente técnica do CEPON, Dra. Mary Anne Taves, explica que isso acontece porque os sintomas podem ser confundidos com outras condições mais comuns, o que acaba atrasando a investigação.
Santa Catarina dispõe de uma rede estruturada para atendimento oncológico, com 21 hospitais habilitados pelo Ministério da Saúde. Nessas unidades, os pacientes têm acesso a consultas, exames, cirurgias, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapia hormonal.
Embora as causas do mieloma múltiplo não sejam totalmente conhecidas, alguns fatores de risco já foram identificados. Entre eles estão idade acima de 60 anos, histórico familiar da doença e exposição a substâncias químicas como pesticidas, amianto e radiação.
Não há formas específicas de prevenção, mas manter hábitos saudáveis pode contribuir para a saúde como um todo. Alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas, evitar o cigarro e o consumo excessivo de álcool são medidas recomendadas.
A principal orientação dos especialistas é observar o próprio corpo. Sintomas persistentes não devem ser ignorados. Informação e atenção são aliados importantes para que o diagnóstico aconteça mais cedo e o tratamento seja iniciado no momento certo.





