O setor automotivo brasileiro encerrou 2025 com alta de 8% nos emplacamentos, atingindo mais de 5,1 milhões de unidades licenciadas. Segundo os dados divulgados pela Fenabrave ( Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), o crescimento do mercado ocorreu de forma desigual entre os segmentos.
::: Siga OBlumenauense no WhatsApp ➡️ Clique aqui!
Para 2026, as projeções são positivas, mas indicam ritmo moderado em relação ao ano anterior. A federação espera um crescimento de 6,1% no total de emplacamentos, puxado, mais uma vez, pelas motocicletas.
Entre os destaques de 2025, o desempenho das motocicletas foi o mais expressivo: alta de 16,2%, com mais de 1,57 milhão de unidades vendidas, um novo recorde histórico no setor. A categoria tem ganhado espaço tanto por seu apelo de mobilidade urbana quanto pelo aumento no uso profissional — especialmente para entregas, o que reforça sua relevância econômica.
Já o segmento de automóveis e comerciais leves registrou crescimento de 2,58%, com 2,57 milhões de unidades licenciadas em 2025. Para 2026, a expectativa é de um avanço de 3%, totalizando 2,65 milhões de unidades. A economista da Fenabrave, Tereza Fernandez, destaca que o setor ainda opera abaixo do pico de 2011, quando o Brasil vendeu 3,4 milhões de veículos leves.
O peso do crédito e do risco fiscal
Fernandez avalia que o desempenho poderia ser melhor, não fossem os entraves macroeconômicos. O elevado nível de endividamento das famílias e a lentidão na redução dos juros limitam o crescimento. “A gente está longe de repetir os resultados de 2011. Os juros não devem cair na velocidade esperada e isso trava a expansão do mercado”, afirmou.
Ela também chamou atenção para o risco fiscal, que mantém o Banco Central em posição conservadora. “O crescimento sustentável está difícil de alcançar porque, diante do risco inflacionário, os juros continuam altos. Sem resolver a questão fiscal, não há espaço para crescimento mais robusto.”
Caminhões e o impacto do Move Brasil
O segmento de caminhões, que enfrentou forte retração em 2025 (queda de 8,65%), deve reagir em 2026 com alta estimada de 3%, mas ainda se recuperando de uma base fraca. Segundo a Fenabrave, o programa Move Brasil, lançado pelo governo para facilitar o acesso ao crédito na compra de caminhões, teve papel fundamental em evitar um novo resultado negativo.
Para Tereza Fernandez, há espaço para um crescimento mais forte. “Temos uma projeção de 3,5% para 2026, mas poderíamos estar falando de 5% ou 6% se houvesse melhora no ambiente macroeconômico. Afinal, 65% de tudo o que se produz no Brasil é transportado por caminhões”, lembra a economista.
Balanço por segmentos: motos lideram, ônibus e pesados reagem
Além das motocicletas, outros destaques positivos em 2025 foram os ônibus, que cresceram 8,45%, e os implementos rodoviários, com alta de 7,49%. Já os veículos importados tiveram queda de 1,42%, refletindo o impacto do câmbio e da política de incentivos.
A Fenabrave também ressaltou que os veículos usados mantiveram boa movimentação, com mais de 14 milhões de unidades comercializadas em 2025 — uma alta de 5,58% no total. O mercado de usados continua aquecido, especialmente diante das dificuldades de financiamento para veículos novos.
Projeções para 2026: cautela com otimismo
No panorama geral, a Fenabrave projeta os seguintes crescimentos para este ano:
- Automóveis e comerciais leves: +3,02%
- Caminhões: +3,5%
- Motocicletas: +10%
- Total geral de emplacamentos: +6,1% (2,8 milhões de unidades previstas para automotores leves e pesados, mais motos e implementos)
A entidade reforça que o crescimento seguirá sustentado pela demanda por motos e por estímulos pontuais como o Move Brasil, mas ainda depende fortemente do ambiente econômico para ganhar tração.
▶️🛜Siga nossas redes sociais: Youtube | Instagram | X (antigo Twitter) | Facebook | Threads | Bluesky





