O silêncio atento de professores, autoridades e representantes de diferentes órgãos deu o tom da reunião realizada na manhã desta quinta-feira (14/05/26), na Câmara de Blumenau. Em pauta, um tema que atravessa salas de aula, corredores e famílias: como tornar escolas e Centros de Educação Infantil ambientes mais seguros e preparados para situações de risco.
A Comissão Legislativa Temporária Especial criada para discutir medidas relacionadas à segurança escolar reuniu representantes das áreas de educação, saúde, assistência social, segurança pública e proteção da infância. O encontro serviu para ouvir relatos, apresentar ações já existentes e apontar dificuldades que ainda desafiam escolas, professores, estudantes e famílias.

“Nenhuma instituição resolve sozinha um problema tão complexo e, por isso, essa comissão busca fortalecer o diálogo e a atuação conjunta. Nós queremos ouvir a comunidade escolar, compreender as necessidades das unidades de ensino e construir encaminhamentos concretos que possam contribuir para um ambiente mais seguro, acolhedor e preparado para prevenir ações de riscos”, afirmou Cristiane no início da reunião.
Entre os participantes estavam representantes das secretarias municipais de Educação, Saúde, Desenvolvimento Social, Trânsito e Defesa Civil, além do Conselho Tutelar, Observatório Social de Blumenau, Ministério Público, OAB, Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e entidades ligadas à infância e juventude.
O comandante do 10º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Heintje Heerdt, relembrou que a preocupação com ataques em escolas ganhou força após o caso ocorrido em Saudades e, mais tarde, com o ataque à creche Cantinho Bom Pastor, em Blumenau, em abril de 2023. Segundo ele, esses episódios levaram à criação de protocolos mais estruturados de prevenção e resposta.
Entre as medidas apresentadas está o Protocolo FEL, sigla para “fugir, esconder e lutar”, inspirado em diretrizes do FBI. “O protocolo tem como objetivo principal sensibilizar escolas, professores e também a tropa policial para situações de risco”, destacou o comandante.
A Polícia Militar também apontou ações preventivas já realizadas nas escolas, como rondas, programas educacionais e contato direto com instituições de ensino para identificar problemas antes que se transformem em casos policiais.
O Corpo de Bombeiros Militar apresentou projetos educativos como o Bombeiro Mirim e o Projeto Golfinho, além de cursos gratuitos para professores sobre primeiros socorros e combate a incêndio. A corporação informou ainda que trabalha em parceria com a Defesa Civil em palestras voltadas à contenção de hemorragias severas em possíveis ataques em escolas.
Durante a reunião, os bombeiros também revelaram que uma análise feita em escolas públicas de Blumenau apontou que muitas unidades possuem os equipamentos básicos de segurança, mas enfrentam problemas na regularização documental. Segundo a corporação, parte das instituições não mantém em dia documentos que comprovam manutenção e funcionamento dos sistemas de segurança.
A Polícia Civil apresentou a recente divisão da antiga DPCAMI em três delegacias especializadas, voltadas ao atendimento de mulheres, crianças, adolescentes, idosos e adolescentes em conflito com a lei. Também foi mencionada a expectativa de reforço no efetivo até o fim do ano.
O Ministério Público destacou o projeto Escola Restaurativa, voltado à mediação de conflitos e à construção de uma cultura de paz nas escolas públicas e privadas. A proposta trabalha prevenção, resolução e transformação de conflitos envolvendo toda a comunidade escolar.
A preocupação com a saúde mental apareceu em diferentes falas ao longo da reunião. A representante da Procuradoria da Criança e do Adolescente da Câmara, Adriana Laurentino Moreira, afirmou perceber sofrimento emocional em alunos, famílias, professores e gestores durante visitas realizadas às escolas.
Ela também alertou para dificuldades no atendimento de vítimas de violência, bullying e ameaças, muitas vezes agravadas pela falta de integração entre os órgãos responsáveis.
A secretária municipal de Educação, Simone Probst, afirmou que a segurança escolar vai além de câmeras e estruturas físicas. Segundo ela, o município ampliou as equipes multiprofissionais nas escolas e passou de dois profissionais em 2023 para 57 psicólogos e assistentes sociais atuando nas 132 instituições da rede municipal.
A Defesa Civil explicou que Blumenau já possui um Plano Municipal de Segurança Escolar, considerado pioneiro no país. O trabalho envolve diferentes órgãos e prevê protocolos internos adaptados à realidade de cada escola, enquanto treinamentos de evacuação e capacitações já ocorrem na rede municipal há anos. Atualmente, duas unidades piloto já receberam capacitação completa e simulados de ataque ativo.
A comissão também pretende realizar visitas às escolas e ampliar a escuta da comunidade escolar nas próximas etapas do trabalho. Ao fim da reunião, foi definido que serão criados grupos temáticos menores para aprofundar os debates e ouvir professores, pais e a comunidade escolar. A próxima reunião está marcada para o dia 11 de junho, às 9h, na Câmara de Blumenau.
Em meio a protocolos, treinamentos e diagnósticos, a principal preocupação segue sendo a mesma: evitar que o medo ocupe o espaço onde crianças deveriam apenas aprender, brincar e crescer.
Com informações da Câmara de Vereadores de Blumenau










