SC usa DNA para combater fraude em pescados; resultados foram animadores

Tecnologia de R$ 700 mil instalada em Joinville identifica se o peixe no seu prato é mesmo o que está escrito na embalagem.

Foto: Ricardo Trida [SECOM/SC]

Em algum lugar entre o mar e a gôndola do supermercado, um peixe pode trocar de nome. É exatamente aí que Santa Catarina decidiu intervir — com ciência.

Num laboratório da CIDASC em Joinville, um equipamento de sequenciamento de DNA passou a funcionar pela primeira vez no estado para identificar espécies de pescado. O aparelho, que custou mais de R$ 700 mil e é operado por técnicos da própria companhia, lê o código genético do peixe e responde a uma pergunta simples, mas fundamental: o que está escrito na embalagem é mesmo o que está dentro dela?

Por enquanto, a resposta tem sido sim.

Das 21 amostras coletadas em diferentes cidades catarinenses como parte do projeto DNA do Pescado — iniciativa que envolve a CIDASC, o IMETRO-SC, o PROCON/SC e a Secretaria de Aquicultura e Pesca —, todas estão em conformidade. Nenhuma fraude identificada até agora. Uma segunda rodada de análises está em andamento.

O momento escolhido não é coincidência. A Semana Santa concentra o maior pico de consumo de pescado no ano, e é também quando o risco de irregularidades no mercado tende a aumentar. Fiscalizar agora é fiscalizar quando mais importa.

“Com a tecnologia de identificação por DNA, passamos a ter ainda mais segurança e transparência na comercialização do pescado. Quem produz corretamente é valorizado, o consumidor ganha confiança e o Estado avança no controle de qualidade dos alimentos”, disse o secretário de Aquicultura e Pesca, Tiago Frigo.

A coleta das amostras é feita pelo Imetro-SC e pelo Procon. A Cidasc cuida da logística, da capacitação das equipes e das análises. O trabalho integrado é, segundo a diretora do Procon catarinense, Michele Alves Rebelo, justamente o que garante a credibilidade da operação: “A iniciativa visa o combate a fraudes, garantindo ao consumidor catarinense o acesso a um produto confiável e de alto padrão.”

Além do DNA, o Imetro-SC mantém fiscalização sobre o peso dos produtos — com atenção especial ao glaciamento, a camada de gelo que reveste pescados congelados como camarão e bacalhau e que, por lei, não pode ser contabilizada no peso líquido.

Com essa estrutura, Santa Catarina se torna o único órgão de defesa agropecuária do país com essa tecnologia voltada especificamente ao combate de fraudes em pescados. Para a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos, o impacto vai além do laboratório: “A nossa região tem cultura de consumo e nossos visitantes também vêm muito para essa experiência gastronômica.”

Foto: Roberto Zacarias [SECOM/SC]

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