Sapinho-pingo-de-ouro acaba de ganhar status de símbolo oficial de Blumenau

Com menos de 2 centímetros, anfíbio endêmico do Morro do Cachorro agora representa a cidade ao lado da aracuã.

Foto: Luiz Fernando Ribeiro

Ele não vale em barras, mas é um verdadeiro tesouro da biodiversidade. O sapinho-pingo-de-ouro, com menos de 2 centímetros, agora é símbolo oficial de Blumenau. Seu dorso é marrom-amarelado e o ventre apresenta coloração alaranjada vibrante. A lei foi aprovada nesta terça-feira (10/06/25) pela Câmara e segue para sanção do prefeito Egidio Ferrari.

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O nome científico é Brachycephalus boticario, mas o apelido carinhoso revela o encanto: um pingo de ouro que salta entre folhas e musgos no topo do Morro do Cachorro — e só lá. Ele é exclusivo da região que conecta Blumenau, Gaspar e Luiz Alves, e está na lista das espécies ameaçadas de extinção.

O raro sapinho foi descrito cientificamente em 2015, a partir de espécies encontradas entre 2012 e 2013. Vive escondido, discreto, mas com um brilho que não passa despercebido aos olhos da ciência. Como toda riqueza rara, também corre riscos — e por isso, o reconhecimento como símbolo municipal é também um chamado à proteção.

Agora, ele se junta à aracuã, ave símbolo desde 2010. Mas diferente dos outros tesouros, esse não se guarda em cofre: precisa de floresta, silêncio e respeito. Afinal, é ouro da natureza — e a gente sabe o que acontece com quem descobre ouro demais sem cuidar direito. Por isso, também é um convite a denunciar qualquer um que ameace esse patrimônio vivo de Blumenau em seu habitat natural.

Luiz Fernando Ribeiro fez a descrição da espécie em 2015. Ele é professor da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, com mais de 20 anos de experiência na docência em diversas instituições de ensino. É pesquisador de grupos animais endêmicos da Mata Atlântica, atuando nas áreas de biologia geral, biodiversidade, conservação de espécies, genética e evolução.

Segundo a descrição em seu perfil no LinkedIn, ele colabora com diversos pesquisadores de universidades do Brasil e do exterior. Possui várias publicações em periódicos científicos nacionais e internacionais, além de textos de divulgação científica e entrevistas para canais de televisão e emissoras de rádio.

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