O som da respiração pesada de um bebê costuma ser suficiente para deixar qualquer família em alerta. Em Santa Catarina, onde o período mais frio aumenta a preocupação com doenças respiratórias, mais de 41 mil gestantes já receberam a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite em crianças pequenas.
Os dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que, entre dezembro de 2025 e maio de 2026, o estado aplicou 41.714 doses da vacina em gestantes. O número representa cobertura vacinal de 91,7% em Santa Catarina, uma das maiores registradas no país dentro da estratégia nacional iniciada pelo SUS.
A imunização passou a ser oferecida gratuitamente na rede pública em 2025 e é destinada a gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. A proposta é proteger o bebê ainda antes do nascimento, já que os anticorpos produzidos pela mãe são transferidos durante a gestação e ajudam justamente nos primeiros meses de vida, fase considerada mais delicada para complicações respiratórias.
No restante do país, o Ministério da Saúde informou que o Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de gestantes vacinadas contra o VSR. Ao todo, 1,8 milhão de doses foram distribuídas para aplicação nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), principalmente antes do período de maior circulação do vírus, que costuma atingir o pico entre abril e maio.
Os números também começaram a aparecer nos indicadores de saúde infantil. Entre janeiro e abril de 2026, as internações de crianças menores de dois anos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada ao VSR caíram 52% em relação ao mesmo período de 2023. Os casos passaram de 6,8 mil para 3,2 mil. Já as mortes reduziram 63%, caindo de 72 para 27 óbitos.
A vacina foi incorporada ao SUS após recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Na rede privada, a mesma dose pode custar até R$ 1,5 mil, valor que acaba dificultando o acesso para muitas famílias.
Segundo estudos clínicos citados pelo Ministério da Saúde, a proteção alcança eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves em bebês nos primeiros 90 dias após o nascimento.
Além da vacinação em gestantes, o SUS também disponibiliza o nirsevimabe, um anticorpo monoclonal indicado para recém-nascidos prematuros — de até 36 semanas e 6 dias de gestação — e crianças de até 23 meses com comorbidades, como cardiopatias congênitas e doenças pulmonares crônicas.
O medicamento funciona de forma diferente das vacinas tradicionais. Ele já contém anticorpos prontos e começa a agir logo após a aplicação. Administrado em dose única, oferece proteção por até seis meses e está disponível prioritariamente em maternidades e nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o país ampliou novamente os índices de vacinação e destacou a incorporação de novas vacinas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), além da expansão do acesso à imunização pelo SUS.





