No Rio das Antas, entre os municípios de Iraceminha e Descanso, no Oeste catarinense, uma estação hidrológica foi fixada à margem da água. Discreta, quase invisível na paisagem. Mas é ela que fecha um mapa — e representa a conclusão de um dos maiores investimentos em prevenção de desastres da história de Santa Catarina.
Com a instalação desse último equipamento, a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil (SPDC/SC) concluiu a expansão da rede estadual de monitoramento hidrometeorológico: 172 estações distribuídas por todas as regiões do estado, prontas para vigiar rios, tempestades e o comportamento do tempo em tempo real. A etapa de expansão havia sido iniciada em 2025.

O projeto custou R$ 9 milhões e acrescentou 130 novos pontos à rede, que já contava com 42 estações em operação na bacia do Rio Itajaí. Juntas, cobrem desde o litoral até o Planalto e o Extremo Oeste — justamente as regiões mais castigadas por eventos extremos nas últimas décadas.
A rede é formada por dois tipos de equipamento. As estações hidrológicas ficam às margens de rios e monitoram o nível da água e o volume de chuva no local. As meteorológicas registram temperatura, umidade, pressão atmosférica, direção e velocidade do vento. Ambas contam com câmeras e alarmes. E ambas fazem o mesmo: transmitem dados a cada 15 segundos.
Essa frequência é o que torna possível o nowcasting — o monitoramento contínuo das condições do tempo que permite emitir alertas rápidos antes que uma chuva vire cheia, ou que um temporal pegue cidades de surpresa.
“Estamos fortalecendo a capacidade de monitoramento e resposta de Santa Catarina”, disse o coronel Fabiano de Souza, secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar. “Com dados em tempo real e maior cobertura territorial, conseguimos antecipar cenários, emitir alertas com mais precisão e, principalmente, proteger vidas.”

O projeto também prevê manutenção contínua: visitas técnicas periódicas para limpeza, testes e ajustes, com atenção redobrada nos períodos de maior risco.
Santa Catarina sabe, melhor do que a maioria dos estados brasileiros, o que acontece quando a chuva chega antes do alerta. A rede que acaba de ser completada foi construída para que isso aconteça cada vez menos.





