sábado, 16 outubro 2021
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Saiba um pouco da triste realidade que passam os hospitais conveniados ao SUS

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Entrevista e fotos: Josiane Longhi |  Texto: Claus Jensen

Na manhã desta segunda-feira (29), nossa equipe foi até o Hospital Santa Isabel conhecer a realidade dos hospitais públicos. O “Dia D” foi uma ação nacional para informar a população o quanto o SUS paga para a realização de procedimentos ou consultas médicas. Profissionais da instituição apresentavam dentro de uma tenda próxima à recepção, planilhas comparativas com os baixos valores pagos pelo Sistema Único de Saúde à hospitais como o Santa Isabel.

Aliás, você imagina há quanto tempo as tabelas dos procedimentos não são reajustadas? Há 17 anos!! Imagine como a direção de um hospital tem que se virar para realizar procedimentos que abrangem desde o custo do médico, enfermeiro, materiais e medicamentos. Para se ter uma ideia, o SUS paga hoje R$ 11 pelo serviço de pronto atendimento. De acordo com Juliano Petters, Diretor Administrativo Financeiro do Hospital Santa Isabel, é totalmente inaquado para o custo real.

 

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Juliano Petters, Diretor Administrativo Financeiro do Hospital Santa Isabel

A falta de atualização nos custos dos materiais, torna cada vez mais difícil encontrar fornecedores que queiram trabalhar com o preço tabelado pelo SUS. Juliano afirma que quando encontram, enfrentam o problema da defasagem tecnológica. “São situações em que o próprio médico prefere não realizar uma cirurgia ou aplicar o material em um paciente, por estar defasado. Portanto, é uma somatória de fatores que deixam o hospital com um déficit geral. No Sistema Único de Saúde, essas situações são diárias e só tendem a aumentar” – completa.

Na opinião de Petters, é necessária uma reformulação que venha “lá de cima”, para que todos os hospitais possam ser contemplados com melhores políticas de trabalho na saúde. Não só para os hospitais em si, mas também para incentivar os médicos a trabalharem pelo Sistema Único de Saúde. Atualmente, quase nenhum destes profissionais opta mais por isso. Também é essencial revisar a tabela com o custo dos materiais financiados. Muitos dos que são utilizados atualmente, sequer estão nessa tabela. Juliano lembra que eles são usados, porque precisam deles para salvar vidas.

Há uns 2 anos,  saiu o “incentivo” de R$ 11 para pagar os serviços de emergência de grande porte, que fazem parte da Rede SUS de Serviços de Emergência. O valor apenas ajudou a minimizar o problema. Somente três hospitais da região conseguiram ter o “benefício”. Um valor insignificante, já que ainda há um déficit de R$ 57. Ou seja, tem que somar os dois valores para representar o custo real de um atendimento emergencial. Mas ajudou a minimizar o prejuízo.

 

Procedimento Valor pago pelo SUS Custo real
Tratamento de doenças bacterianas R$ 1.071,00 R$ 3.370,99
Tratamento de insuficiência cardíaca R$ 890,04 R$ 2.222,70
Tratamento de pneumonias ou influenza (gripe) R$ 680,49 R$ 2.220,45
Tratamento de doenças do aparelho urinário R$ 253,80 R$ 1.038,27

 

Segundo Juliano, no mês de junho foi feito um levantamento da situação financeira de todos os hospitais filantrópicos e Santas Casas no Brasil. Os resultados não são nada animadores. Juntos, esses hospitais possuem um dívida de R$ 21 bilhões. Mais da metade, R$ 12 bilhões, são com instituições financeiras e apenas R$ 3,6 milhões, com fornecedores. Isso significa que os hospitais em nosso país estão endividados e quebrados. E pelo jeito, a situação tende a piorar porque o governo tem ações pontuais apenas onde o problema é maior. Petters conclui: “Mas daqui a pouco, terão muitos incêndios para serem apagados.”

Então caro leitor, você já sabe onde NÃO está indo o dinheiro dos seus impostos destinados à saúde. Nós brasileiros precisamos exigir mais de nossos administradores públicos. Dinheiro para tudo isso, parece que existe, mas nunca chega no lugar certo.

 

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