domingo, 16 maio 2021
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Saiba porque o TEDxBlumenau, foi um “Momentum” único para quem participou

 

Texto e fotos: Claus Jensen

Entre às 14h e 20h deste domingo (30/4/17), o Espaço de Educação Maker do SESI foi tomado por ideias, sugestões, superações; apresentadas num pequeno palco do auditório que comportava apenas 100 escolhidos. Apesar de enviar minha inscrição, participei representando a imprensa através de OBlumenauense.

Gostaria de falar sobre cada um dos 14 palestrantes (speakers), mas a reportagem já ficou comprida, então optei por citar alguns e a impressão de algumas pessoas que passaram pelo evento. Se você quiser assistir as palestras (vale a pena), estão divididos em três blocos, que você pode acessar clicando aqui.

 

 

O ambiente era negro, com um letreiro brilhante do TEDxBlumenau no pequeno palco onde havia um tapete vermelho. A mensagem desse cenário era permitir a total absorção para o que acontecia encima dele, um momento de compartilhamento único. O evento foi transmitido pela internet e em um telão na área externa, para quem não conseguiu ter sua inscrição aprovada e estar dentro do auditório. Cada novo speaker era recebido com entusiasmo e sob muitos aplausos.

 

 

Em outro espaço, vários expositores apresentaram desde sucos naturais, cafés especiais, cadeiras com design diferenciado, uma Kombi para fotos, um quarto de hotel (Glória) e outras propostas que passavam o clima do evento.  Aliás as comidas colocadas a disposição dos participantes durante os dois intervalos, foram oferecidos pelo Cafehaus, uma das tantas empresas que colaboraram com o evento.

 

 

Um grande painel com a palavra “Conecte-se” era o espaço destinado para os participantes interagirem e se conectarem por algum assunto em comum. A pessoa preenchia um bilhete com as suas informações e colocava lá. Por exemplo, se alguém trabalha com crianças, através do painel pode achar outra pessoa para trocar ideias e até trabalharem juntas. Existiam diversos assuntos, desde empreendedorismo, sustentabilidade, saúde, etc…

 

 

Desde 2014, esse foi o 10º evento organizado pelo time de voluntários do TEDxBlumenau, em que seis foram TEDxBlumenauSalon (uma versão), além de uma transmissão do TED no cinema. O tema era Momentum, que no latim significa uma força que acelera o que está em movimento ou faz inerte entrar em atividade.

 

 

Um dos expositores, colaboradores e também já foi speaker, é Lothar Klemz, diretor do Cafehaus e que montou um pequeno quarto do Hotel Glória, empreendimento de sua família. Sobre a importância do evento, ele disse que só o fato das pessoas olharem além do próprio umbigo, nas soluções que existem lá fora, já é uma grande contribuição do TEDx. Lothar participou de todas as edições e acha que cada último sempre é o acaba sendo mais marcante, com exceção de um que participou como speaker, voltado para gastronomia.

 

 

A família Sander veio de Porto Alegre (RS) para participar do evento. Detalhe, assistiram as palestras de um telão e mesmo assim ficaram felizes por participar.

 

Encontrei duas famílias que chamaram minha atenção no espaço onde ocorriam as exposições. A primeira foi a do casal Cláudia Sander e Eduardo Peres, junto com a filha Laura Sander Peres, que vieram especialmente de Porto Alegre (RS), mas assistiram tudo no telão. A analista de sistemas Cláudia, de 50 anos, também é tradutora e já tinha vindo em 2016. Dessa vez sua proposta era de construir uma comunidade de tradutores para promover a transcrição e tradução das palestras do TEDxBlumenau.

Eduardo, de 52 anos, professor e empresário na área de TI, estava muito satisfeito na forma com que foram organizados os talks (palestras). A que mais marcou, foi a de um jovem que falou sobre a importância de perceber a depressão e lutar contra ela: “Foi um depoimento muito autêntico e emocionante, só por isso, minha vinda de Porto Alegre já está paga”. A jovem Laura, de 17 anos, disse que começou a traduzir algumas palestras do TEDx, mas foi a primeira vez que participou presencialmente do evento.

 

 

 

Foi impossível não perceber o pequeno bebê no colo de Amarildo Grigolo, de 41 anos. Logo apareceu a mãe do pequeno Antônio que fez um ano em abril e é o segundo filho do casal. Cristine Grigolo, de 31 anos, bacharel em direito, veio de Rodeio e estava muito entusiasmada por participar presencialmente pela primeira vez do TEDxBlumenau, já que acompanhou outras edições pela internet.

Para ela, a palestra que mais marcou foi o de Gabriela Müller, bióloga e doula tanto pela Unipaz, quanto na Associação Nacional de Doulas. Outro speaker que a marcou também foi do jovem que falou sobre a depressão: “Achei muito bacana, porque ele não tentou maquiar, foi super sincero sobre tudo que ele passou e como é sua vida”.

Amarildo, o marido, tem um projeto inovador. “Queremos sair fora do sistema convencional que existe hoje, desde educação, agricultura com veneno, apesar de que isso já é comentado há muito tempo. Queremos vender nossa propriedade em Rodeio e comprar outra menor, provando que uma de pequeno porte pode ser sustentável até na produção de sua própria energia elétrica” comentou. A ideia é fazer isso em Portugal, um país que ele considera bem adiantado na agricultura orgânica.

 

Outra participação marcante foi a da advogada Rosane Magaly Martins, Pós-Graduada em Gerencia en Salud para Personas Mayores (México) e em Gerontologia (Blumenau). A blumenauense fundadora do Instituto Ame suas Rugas falou sobre o processo de envelhecer. Mostrou várias mulheres centenárias, cada uma mostrando a receita da longevidade. Em determinado, tirou a peruca de cabelo negro comprido mostrando o cabelo curto e prateado, além de soltar uma saia curta, rejuvenescendo simplesmente sendo o que é.

 

 

 

Pegando gancho com o assunto sustentabilidade, um dos speakers que mais me marcou foi o Hamilton Henrique, morador de uma favela em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Ele fundou no final de 2014 a Saladorama, um empreendimento social que tem a proposta de socializar a alimentação saudável feita na favela para a favela.

 

 

“Hoje eu acredito que alimentação saudável é direito e não privilégio. Mas há quatro anos atrás, acreditava que a melhor alimentação era aquela que eu não tinha dinheiro para pagar,” comentou durante sua apresentação. Hamilton percebeu que o valor dos alimentos era acessível direto no produtor, mas caro depois de passar pelos atravessadores. Então teve a ideia de estimular sua comunidade a cultivar e vender seus produtos, para serem processados por mulheres que também moravam lá. As creches na região funcionam entre às 9h e 16h, tornando mais difícil para as mães acharem um emprego nesse horário, o que funcionou como solução para a nova proposta.

A ideia deu super certo e em apenas dois anos, expandiu para os estados de Santa Catarina (Florianópolis), São Paulo (Sorocaba), Pernambuco (Recife), Pará (Belém) e Maranhão (São Luís). Primeiro o Hamilton conhece uma certa comunidade, para depois implantar o que é um modelo de negócios, mas social. O sistema de franquia não funcionou para a Saladorama, porque todos os modelos que ele pesquisou são exploratórios.

“A ideia é que a própria comunidade esteja inserida nesse processo de transformação, gerando emprego para as mães que tem dificuldade de arranjar emprego, além de tirar os meninos com tempo ocioso das ruas, fechando um ciclo completo”, disse Hamilton. Na verdade eles vão às ruas, mas para ajudar nas entregas das saladas confeccionados no local. Naturalmente, todos na Saladorama são remunerados. Para ele o orgulho maior é ver a comunidade preocupada com a melhoria de sua saúde, já que durante muito tempo não se importava com isso. Antes era consumido “o que tem”, agora ela planta, colhe, higieniza e embala, estando preocupada com o próximo.

É a primeira vez que Hamilton visita Blumenau, uma cidade conhecida por sua pujança, mas que também tem muitas comunidades pobres e até favelas. “Fiquei feliz em saber como o TEDx é um evento bem democrático. Encontrei pessoas de comunidades (carentes de Blumenau), que ficaram de passar um panorama da cidade para pensar em implementar (o Saladorama) aqui também”, finalizou.

Ele e sua proposta já foram até tema de reportagem do Globo Repórter, confira:

 

 

Confira as fotos do evento:

 

Claus Jensen
Claus Jensenhttp://www.oblumenauense.com.br
Trabalhei com publicidade há mais de 30 anos, fiz teatro durante 8, apresentei programa de televisão outros 5 e sou blogueiro desde 2007. Mas minha maior paixão é a família, e claro, essa fascinante Blumenau.

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