Reforma tributária e IA redesenham empresas e elevam exigência por dados em tempo real

Mudanças fiscais e avanço tecnológico pressionam gestão, reduzem capital de giro e ampliam riscos.

Foto: Olia Danilevich [Pexels]

No dia a dia das empresas, decisões que antes podiam esperar agora precisam ser rápidas e bem calculadas. A combinação entre a Reforma Tributária e o avanço da inteligência artificial está mudando a forma de trabalhar, criando um ambiente mais dinâmico, integrado e exigente.

O impacto não fica só nos impostos. As mudanças atingem áreas como preços, controle de caixa, compras, vendas, contabilidade e tecnologia. Na prática, empresas terão que reorganizar processos e fazer setores conversarem melhor entre si.

A reforma simplifica tributos e muda a forma como o governo recebe os impostos. Mas, ao mesmo tempo, exige mais organização dos dados, algo que muitas empresas ainda não têm. Um exemplo é o chamado split payment, em que parte do valor pago pelo cliente já vai direto para o governo.

Esse modelo reduz o dinheiro disponível no caixa das empresas, o chamado capital de giro. Com menos margem financeira, cresce a necessidade de prever entradas e saídas com precisão e em tempo real.

“Por isso, a inteligência artificial já é tida como infraestrutura básica para a gestão, tanto nessa fase de transição como para quando as regras fiscais já estiverem consolidadas. Ferramentas baseadas em IA permitem automatizar conciliações, acompanhar créditos tributários, revisar classificações fiscais e apoiar decisões estratégicas com base em dados atualizados”, explica Odair Behnke, gestor de operações com o mercado da WK, empresa que desenvolve ERPs para gestão.

Outro ponto importante é que as empresas ficarão mais expostas à fiscalização. Como os processos serão cada vez mais digitais, erros poderão ser identificados mais rapidamente, aumentando o risco de multas.

Hoje, muitas empresas ainda trabalham com informações desorganizadas ou sistemas que não se comunicam. Com a nova estrutura, será necessário ter controle total das operações, conferências rápidas e integração direta com sistemas do governo.

“A principal mudança está no caráter transversal da reforma. Não se trata apenas de adequação fiscal. Estamos falando de uma transformação que exige revisão de processos, áreas do negócio interligadas e uma nova lógica de tomada de decisão que vai influenciar a competitividade”, avalia o especialista.

Dados da Gartner indicam que, até 2028, 15% das decisões de trabalho no mundo serão tomadas de forma automática, com uso de inteligência artificial. Para acompanhar esse cenário, empresas brasileiras precisarão atualizar sua base tecnológica.

Investir em sistemas que integrem áreas, organizem dados e usem inteligência artificial deixa de ser escolha. Em um cenário que muda rápido, entender e se adaptar passa a ser essencial para manter o negócio funcionando.


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