A consulta adiada, o exame que fica para depois e o atendimento procurado apenas quando o problema aperta. É esse roteiro, repetido em muitas famílias, que a Rede Saúde do Homem quer ajudar a interromper em Blumenau.
A cerimônia oficial de fundação da RESH Blumenau será realizada no dia 12 de agosto de 2026, às 19h, na Câmara de Vereadores. O encontro é gratuito e aberto à comunidade. A cessão do plenário para a atividade foi aprovada pelo Legislativo municipal.
A nova entidade chega para atuar ao lado das unidades de saúde, incentivando consultas de rotina, avaliação de riscos, exames indicados pelos profissionais e hábitos mais saudáveis.
Na prática, o morador passará a contar com palestras, campanhas de conscientização e ações diretas de apoio à saúde física, mental e social. A proposta é falar sobre prevenção durante o ano inteiro, e não apenas quando chega o Novembro Azul.
“Cuidar da saúde dos nossos homens é cuidar das nossas famílias. O público masculino só busca atendimento em casos graves, e precisamos mudar essa cultura. O apoio da Prefeitura à RESH reforça nosso compromisso com a prevenção, garantindo mais tempo e qualidade de vida para a nossa gente”, afirma o prefeito Egidio Ferrari.
Para o presidente da RESH Blumenau, Jerry Evaristo, a mudança começa antes do consultório. Começa na rotina. “A saúde do homem começa com o autocuidado diário. Queremos mostrar que ir ao médico é um ato de responsabilidade com a própria vida e com quem a gente ama”, destaca.
Homens ainda vivem 6,6 anos menos do que as mulheres
O desafio que a nova rede pretende enfrentar aparece nos dados nacionais. Segundo a informação mais recente do IBGE, referente a 2024, a expectativa de vida ao nascer era de 73,3 anos entre os homens e de 79,9 anos entre as mulheres.
A diferença é de 6,6 anos. Ou seja, quando se diz que os homens vivem cerca de sete anos menos, não se trata apenas de uma frase de campanha. É uma distância que continua aparecendo nas estatísticas oficiais.
O Ministério da Saúde também informa que os homens morrem mais que as mulheres na maioria das causas e em todas as faixas etárias até os 80 anos. O risco de morte masculina por doenças crônicas não transmissíveis é de 40% a 50% maior, especialmente nos casos cardiovasculares e respiratórios.
Esses problemas não surgem de uma hora para outra. Muitas vezes, avançam em silêncio, alimentados por excesso de peso, pressão alta, consumo prejudicial de álcool, sedentarismo e falta de acompanhamento.
Excesso de peso atinge quase dois em cada três
O Vigitel 2024, levantamento mais recente do Ministério da Saúde sobre fatores de risco nas capitais e no Distrito Federal, mostrou que 64,9% dos homens adultos estavam com excesso de peso.
Em 2019, eram 57,9%. Em cinco anos, o índice cresceu sete pontos percentuais e passou a alcançar quase dois em cada três homens entrevistados.
A hipertensão também ganhou espaço. Em 2024, 27,4% dos homens ouvidos disseram já ter recebido diagnóstico médico de pressão alta. Em 2006, eram 19,5%.
No mesmo levantamento, 25,9% dos homens relataram ter consumido cinco ou mais doses de bebida alcoólica em uma única ocasião nos 30 dias anteriores à entrevista. Entre as mulheres, o percentual foi de 15,7%.
Cuidado vai muito além da próstata
A saúde masculina costuma ser associada ao câncer de próstata, mas o quadro é bem mais amplo. Envolve coração, pulmões, alimentação, saúde mental, sexualidade, paternidade, violências e acidentes.
Mesmo assim, o câncer de próstata segue como um ponto importante. O Instituto Nacional de Câncer estima 77.920 novos casos da doença no Brasil em 2026.
Desconsiderando os tumores de pele não melanoma, a próstata deverá responder por 30,5% dos novos casos de câncer entre os homens. Depois aparecem os tumores de cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral.
Prevenção, porém, não significa fazer exames indiscriminadamente. O Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento sistemático do câncer de próstata em homens sem sinais ou sintomas.
A orientação é conversar com um profissional sobre riscos e benefícios. Já diante de sintomas como dificuldade para urinar, sangue na urina, diminuição do jato ou aumento da frequência urinária, a recomendação é procurar atendimento para investigação.
Acidentes, violência e saúde mental também entram na conta
Os dados mais recentes do Sistema de Informações sobre Mortalidade mostram outra face do problema. Em 2024, o Brasil registrou 159.534 mortes por causas externas, grupo que inclui agressões, acidentes e outras ocorrências não relacionadas diretamente a doenças.
Desse total, 77,7% das vítimas eram homens. No mesmo ano, eles também representaram 66,1% das mais de 1,5 milhão de internações por causas externas registradas no SUS.
A saúde mental também pede atenção. Em 2024, a taxa ajustada de mortalidade por suicídio foi de 8,4 casos para cada 100 mil habitantes no Brasil.
A Região Sul apresentou o maior índice entre as cinco regiões, com 12,6 mortes por 100 mil habitantes. Santa Catarina registrou taxa de 12,7 e apareceu entre os estados com os números mais elevados do país.
É justamente por isso que a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem não se limita a uma doença. Ela trabalha com acesso aos serviços, saúde sexual e reprodutiva, paternidade, doenças mais frequentes e prevenção de violências e acidentes.
Em Blumenau, a RESH nasce como uma ponte local para esse cuidado mais amplo. A ideia é puxar a conversa para antes da dor — quando ainda há tempo de prevenir, escolher e viver.
Fundação da RESH Blumenau
Data e horário: 12 de agosto de 2026, às 19h
Local: Câmara de Vereadores — Rua 15 de Novembro, 55, Centro





