Reconhecimento facial nas assinaturas eletrônicas ganha espaço contra fraudes

Biometria reduz em até 40% o tempo de coleta de assinaturas, reforça rastreabilidade e exige cuidados extras com a LGPD.

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Alerta: se sua empresa ainda depende só de senha, e-mail ou SMS para validar assinaturas, o risco de fraude pode ser maior do que parece. Com o crescimento dos golpes digitais e do sequestro de contas, novas tecnologias começam a mudar a forma como documentos são assinados no ambiente corporativo.

Reconhecimento facial entra nas assinaturas eletrônicas e acelera validações em até 40%

O aumento das fraudes de identidade no ambiente digital vem pressionando empresas a reverem seus métodos de verificação de assinaturas eletrônicas. Embora não existam levantamentos globais específicos apenas sobre golpes nesse tipo de assinatura, relatórios internacionais mostram uma escalada consistente nos ataques de identidade, o que acende o alerta para setores públicos e privados.

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Hoje, grande parte dos fluxos ainda se apoia em senhas, links por e-mail ou códigos enviados por SMS — ferramentas vulneráveis a golpes de phishing e ao chamado takeover de contas. Na outra ponta, soluções mais rígidas, como tokens físicos e certificados digitais, elevam a segurança, mas também aumentam custos, exigem conhecimento técnico e tornam os processos mais lentos. Esse cenário abriu espaço para a biometria facial como alternativa intermediária: mais segura e, ao mesmo tempo, mais simples de usar.

O movimento acompanha o crescimento do próprio mercado. Projeções apontam que o setor de assinaturas digitais deve sair de US$ 5,2 bilhões em 2024 para US$ 38,16 bilhões até 2030, impulsionado principalmente pela digitalização de processos, exigências regulatórias e aumento da preocupação com segurança da informação.

A adoção da biometria facial vem se concentrando, sobretudo, em áreas com grande volume de documentos, como Comercial, Projetos e Construção Civil, além de setores com alto grau de exigência regulatória, como Saúde e Segurança do Trabalho. fintechs, bancos, empresas de telecomunicações e utilities também estão entre os segmentos que mais incorporam a tecnologia. “As soluções biométricas reduzem etapas, eliminam a dependência de dispositivos físicos e tornam o processo mais acessível, permitindo que qualquer pessoa consiga assinar com segurança”, explica Rafael Liberato, head do Senior Flow, plataforma de hiperautomação da Senior Sistemas, de Blumenau.

A solução desenvolvida na plataforma Senior Flow utiliza reconhecimento facial no momento da assinatura: o usuário tira uma selfie, que é enviada ao motor biométrico para validação da identidade antes da conclusão do processo. O sistema gera um código biométrico a partir do rosto e compara a imagem com os dados já cadastrados. A autorização ocorre quando a similaridade atinge o percentual mínimo definido pelo cliente — normalmente a partir de 85%. Se o nível não for atingido, o sistema solicita nova captura; persistindo a divergência, a autenticação pode migrar para outro método previsto na política da empresa.

A tecnologia utiliza inteligência artificial e modelos de deep learning para detecção facial, extração do padrão biométrico, comparação e prova de vida, identificando tentativas de fraude com fotos, vídeos ou máscaras. O funcionamento é compatível tanto em computadores quanto em dispositivos móveis, desde que tenham câmera habilitada.

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Processos mais rápidos e rastreáveis

Entre janeiro e outubro de 2025, mais de 1,85 milhão de documentos passaram pela plataforma com essa tecnologia, o que representa cerca de mil documentos por mês por cliente ativo. Com a biometria facial, a redução no tempo de coleta de assinaturas pode chegar a até 40%, principalmente pela eliminação de etapas intermediárias e da necessidade de certificados ou dispositivos físicos.

Além da validação por imagem, o sistema registra uma série de evidências durante a assinatura, como foto do assinante, geolocalização, endereço IP, número do documento e e-mail. Isso amplia a rastreabilidade e fortalece os processos de auditoria.

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Privacidade e regras da LGPD

Por envolver dado sensível, a biometria facial exige cuidados rigorosos com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A solução foi desenvolvida dentro dos princípios de Privacy by Design, com proteção de dados desde a concepção do projeto, treinamentos internos, avaliação formal pelo encarregado de dados, consentimento explícito do usuário, políticas de retenção definidas e trilhas completas de auditoria.

Segundo Rafael Liberato, a solução segue em evolução contínua, com novos recursos previstos para os próximos ciclos. Com o avanço das fraudes digitais e a busca por processos mais rápidos e auditáveis, a biometria facial tende a se consolidar como um dos pilares das assinaturas eletrônicas corporativas nos próximos anos.