Receber a notícia de que um órgão compatível apareceu pode significar o fim de uma longa espera. Para milhares de pessoas, é a chance de voltar a respirar sem aparelhos, caminhar sem limitações ou simplesmente continuar vivendo. Em Santa Catarina, essa esperança tem chegado mais rápido.
Em 2025, o estado registrou a maior taxa de doadores efetivos do Brasil: 42,8 por milhão de habitantes. O levantamento foi divulgado pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), na quarta-feira (6/05/26), e também apontou outro dado importante: Santa Catarina teve a menor taxa de negativa familiar do país, com 32%.
Por trás dos números existem histórias marcadas pela espera. Pessoas que dependem de um transplante para continuar vivendo e famílias que, mesmo em meio à dor da perda, escolhem ajudar desconhecidos. Ao longo de pouco mais de duas décadas, cerca de 26 mil catarinenses receberam órgãos, tecidos ou células. Pacientes de outros estados também foram beneficiados por doações feitas em território catarinense.
Entre janeiro e dezembro de 2025, a Central Estadual de Transplantes contabilizou 804 notificações de potenciais doadores. Isso representa 98,2 notificações por milhão de habitantes, índice acima da média nacional, que ficou em 74,7.
O estado também liderou a conversão de potenciais doadores em doadores efetivos. Santa Catarina alcançou 43% de efetivação, resultado superado por apenas um outro estado acima da marca de 40%. Já a média nacional de doadores efetivos ficou em 20,3 por milhão de habitantes.
O governador Jorginho Mello destacou que o processo envolve uma estrutura complexa e, principalmente, sensibilidade com as famílias. Segundo ele, a atuação do SC Transplantes ajuda a conduzir um momento delicado com diálogo e compreensão.
O secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, afirmou que os resultados refletem investimentos em atendimento, transporte terrestre e aéreo para garantir agilidade e segurança na captação e distribuição dos órgãos.
Outro dado que chama atenção é a queda da recusa familiar. Em 2007, 70% das famílias não autorizavam a doação. Em 2025, o índice caiu para 32%, o menor do Brasil. A redução é atribuída ao trabalho contínuo de capacitação de profissionais que atuam em UTIs, emergências e setores críticos.
A conversa com familiares é considerada a etapa mais delicada de todo o processo. Afinal, a decisão costuma acontecer poucas horas depois da perda de alguém querido. Para preparar melhor as equipes, Santa Catarina promove cerca de 10 Cursos de Comunicação em Situações Críticas por ano. Até 2025, 3.082 profissionais já haviam sido capacitados.
Coordenador do SC Transplantes, Joel de Andrade afirma que os resultados mostram a consolidação do sistema catarinense. Segundo ele, nos últimos 21 anos, Santa Catarina liderou o país em 15 oportunidades e ficou em segundo lugar nos demais anos.
Joel também reforçou que milhares de famílias transformaram o luto em solidariedade. Cerca de 9,1 mil famílias catarinenses já disseram “sim” à doação de órgãos ao longo desse período, ajudando pacientes dentro e fora do estado.
A doação pode partir de qualquer pessoa. Não é necessário deixar documentos prontos ou registros oficiais. O mais importante é comunicar à família o desejo de ser doador, já que a autorização familiar é indispensável para que o processo aconteça. Depois do consentimento, começa toda a logística de retirada, transporte e definição dos receptores compatíveis.






