Blumenau decidiu parar para se olhar — e perguntar a si mesma que cidade é hoje e qual quer ser amanhã. A proposta, lançada pela Prefeitura na quinta-feira (9/04/26), aposta na escuta da população como ponto de partida para construir uma marca capaz de posicionar o município além de suas fronteiras.
O trabalho será conduzido pela Universidade Regional de Blumenau, por meio do projeto Focus, e começa com uma pesquisa ampla. Cerca de 1.100 moradores, distribuídos por todos os bairros, devem responder a questionários entre abril e maio, de forma presencial e digital, avaliando diferentes conceitos que tentam traduzir a identidade da cidade.
Na sequência, a pesquisa entra em uma fase qualitativa, com grupos focais previstos para o início de junho. Lideranças, entidades e membros da comunidade vão discutir percepções, significados e validar as ideias mais bem avaliadas, aprofundando aquilo que os números indicarem.
A lógica é conhecida no ambiente econômico: entender o “mercado” antes de definir o posicionamento. Aqui, Blumenau assume esse papel, tentando alinhar sua narrativa à forma como é percebida — e ao que deseja projetar para o futuro.
O ponto de atenção está justamente no depois. Iniciativas desse tipo não são inéditas e, em muitos casos, esbarram na dificuldade de sair do papel ou de influenciar, de fato, decisões estratégicas. A construção de uma marca, por si só, não garante resultados se não vier acompanhada de políticas consistentes, continuidade administrativa e aplicação prática no dia a dia da gestão.
O prefeito Egidio Ferrari destaca a importância da participação coletiva. “Queremos construir uma marca que represente Blumenau de forma consistente, e isso só é possível ouvindo e envolvendo toda a comunidade. Queremos que todo mundo se reconheça nessa marca e que ela provoque uma sensação de pertencimento”.
Na mesma linha, a secretária de Comunicação, Maria Luiza Fusinato, aponta possíveis desdobramentos. “A iniciativa marca o início de um novo ciclo para a cidade, que pretende contar sua história com mais clareza, estratégia e propósito. Para isso, a parceria com a Furb será muito importante, por toda a expertise que eles têm sobre pesquisa e comunicação”.
Há mérito na proposta de ouvir a população e estruturar decisões com base em dados. Mas o verdadeiro teste virá depois, quando essa identidade precisar sair dos relatórios e se traduzir em ações, investimentos e resultados visíveis.
A expectativa existe. Que o esforço não se limite ao diagnóstico, e que a cidade consiga transformar essa escuta em direção clara. Torcemos para que o resultado seja excelente e, principalmente, bem aproveitado.





