quinta-feira, 20 janeiro 2022
InícioGeralProfessora da FURB fez parte da equipe que identificou um fóssil de...

Professora da FURB fez parte da equipe que identificou um fóssil de 260 milhões de anos

Dicinodonte

 

Por Aristheu Formiga, da FURB

A Profª Drª Alessandra D. S. Boos (FURB), junto com uma equipe de cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS), do Museum für Naturkunde da Alemanha, identificou uma nova espécie de dicinodonte, um grupo de herbívoros relacionados aos mamíferos na árvore da vida, mas que se extinguiram sem deixar descendentes.

O novo dicinodonte, encontrado no interior do município de São Gabriel em 2010, por uma equipe do Laboratório de Paleobiologia da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em rochas da unidade geológica chamada Formação Rio do Rasto, viveu há 260 milhões de anos no Rio Grande do Sul durante o período Permiano, cerca de 30 milhões de anos antes do surgimento dos primeiros dinossauros.

A descoberta contribui com mais uma peça para o entendimento de como era a fauna dos ecossistemas terrestres do Brasil (e da América do Sul) no Permiano, visto que vertebrados fósseis desse período são muito raros no nosso continente.

A nova espécie, identificada a partir de um crânio bastante completo e bem preservado, foi batizada de Rastodon procurvidens. O trabalho foi publicado no periódico científico PLoS ONE, em 25 de maio de 2016.

“O Rastodon pertence a um grupo de animais denominados de dicinodontes. Eles eram os principais herbívoros antes do domínio dos dinossauros, e variavam desde o tamanho de um camundongo ao de um búfalo. Os dicinodontes surgiram no Permiano, e seus fósseis desse período são encontrados principalmente na África do Sul e na Rússia.

Aqui na América do Sul, conhecemos muito pouco da história desse grupo no Permiano, pois até o momento só dois exemplares foram descobertos e ambos são do Brasil. Depois, no período Triássico, os dicinodontes espalharam-se pelo mundo inteiro, tornando-se elementos muito comuns dos ecossistemas terrestres e acabaram sobrevivendo por muito tempo. Eles eram mais aparentados a nós mamíferos do que aos répteis, mas apesar do seu sucesso, desapareceram sem deixar descendentes”, explica Alessandra D. S. Boos, coautora do estudo e doutoranda da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) durante o desenvolvimento da pesquisa, atualmente professora da FURB.

O mundo habitado pelo Rastodon era bem diferente do atual: a Terra era formada por um único continente, denominado de Pangéia, onde praticamente não existiam barreiras para a dispersão dos animais, facilitando o deslocamento por grandes distâncias. Por isso não é de se estranhar que outros dicinodontes aparentados ao Rastodon sejam encontrados em lugares hoje tão distantes do Brasil como a África do Sul, a Rússia ou a China.

A descoberta de Rastodon demonstramais uma vez que as rochas da Formação Rio do Rasto do sul do Brasil têm o potencial de revelar ainda muitos animais fósseis que eram parte de um ecossistema terrestre bastante complexo. Da mesma localidade que provem Rastodon no Rio Grande do Sul são conhecidos restos de um poderoso carnívoro, chamado de Pampaphoneus e um anfíbio, o Konzhukovia (reproduzidos na figura, juntamente com o Rastodon). Da Formação Rio do Rasto nesse estado ainda se conhecem outros anfíbios e répteis, tanto carnívoros quanto herbívoros. Animais de idade similar (e da mesma formação geológica) foram encontrados também nos estados do Paraná e de Santa Catarina, mas em menor quantidade.

O nome do animal, Rastodon, significa “dente do Rio do Rasto” e faz referência justamente à formação geológica em que o fóssil foi encontrado. Já o segundo nome procurvidens refere-se ao seu único par de dentes, os caninos superiores, que são muito curvados. Na verdade, os dentes do Rastodon lembram presas de elefante em miniatura, mas que, ao invés de apontarem para cima, são viradas para baixo. O Rastodon era um animal pequeno, quadrúpede, que não ultrapassaria 50 cm de comprimento e cujo peso deveria ficar ao redor de 15 Kg. Entretanto, até o momento não é possível saber se o tamanho reduzido do animal representa a sua condição de filhote ou se ele deveria ser apenas um animal de pequeno porte.

Os financiamentos para os estudos provem do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e das bolsas alemãs dos programas Eigene Stelle (Deutsche Forschungsgemeinschaft) e Sofja Kovaleskaja Award.

O Blumenauense
Denúncias, problemas ou elogios? Escreva para contato@oblumenauense.com.br

MAIS LIDAS