Prefeitura anuncia que irá encerrar contrato com a empresa da obra na Rua Frederico Jensen

Município pretende aplicar asfalto em caráter emergencial e abrir uma nova licitação para concluir a reurbanização. Prazos ainda não foram divulgados.

Foto: Lucas Treiss

A Prefeitura de Blumenau anunciou que irá encerrar o contrato com a empresa responsável pela reurbanização da Rua Frederico Jensen, no bairro Itoupavazinha. Enquanto encaminha esse processo, o Município pretende recuperar emergencialmente o pavimento, com aplicação de asfalto, para melhorar as condições de tráfego.

Os serviços provisórios devem atender o trecho que hoje acumula buracos, poeira nos períodos secos e lama nos dias de chuva. A administração municipal, porém, não informou quando o trabalho começará, quanto será investido nessa etapa ou quanto tempo será necessário para executá-lo.

Paralelamente, serão iniciados os trâmites para uma nova licitação. A empresa vencedora ficará responsável por concluir a reurbanização, interrompida poucos meses depois de sair do papel.

O anúncio chega após semanas de reclamações. No  dia 21 de agosto (2026), moradores e comerciantes fizeram um protesto na própria Frederico Jensen para cobrar uma resposta do poder público. A espera vinha pesando no dia a dia. E também no bolso.

O proprietário de um salão de beleza instalado na rua desde 2008 relatou uma queda de 50% no faturamento após a paralisação. Segundo ele, antigos clientes passaram a evitar o caminho por causa dos buracos, enquanto novos consumidores deixaram de aparecer.

Quem trabalha com alimentação enfrenta ainda a poeira levantada pelos caminhões que circulam na região. O responsável por uma pizzaria contou que o material entra no estabelecimento e que as irregularidades da pista prejudicam as entregas. Em alguns casos, a pizza chega danificada depois que o motociclista passa pelos buracos.

A situação também preocupa pela circulação dos mais de 300 estudantes da Escola Básica Municipal Professora Olga Rutzen. Uma representação com pedido de providências foi encaminhada ao Ministério Público pela advogada Leila Franke. Ela aponta que a retirada do asfalto eliminou estruturas usadas pelos alunos, como faixa de pedestres e ciclovia.

As cobranças chegaram ainda à Câmara de Vereadores. Diego Nasato (NOVO) protocolou requerimentos e indicações pedindo informações sobre o contrato e medidas temporárias para reduzir os transtornos. Entre elas estão a melhoria da pista e a passagem periódica de caminhão-pipa para controlar a poeira.

Obra faz parte do Corredor Norte

A etapa contratada compreende pouco mais de um quilômetro, entre a Rua Dr. Pedro Zimmermann e a rotatória das ruas Ari Barroso e Arno Delling. O investimento previsto era de R$ 11,5 milhões, com recursos do Fonplata, dentro do pacote de obras do Corredor Norte.

Os trabalhos começaram em março de 2026 e foram interrompidos após a empresa responsável ser impactada pelos desdobramentos da Operação Ponto Final, deflagrada em maio. A investigação apura suspeitas de cartel, fraudes em licitações, superfaturamento e pagamento de propinas em contratos municipais. Mais de R$ 54 milhões em bens pertencentes a investigados foram bloqueados.

A resposta anunciada pela Prefeitura foi dividida em duas frentes: aplicar asfalto para tornar a via novamente transitável e contratar outra empresa para finalizar o projeto. Para quem mora ou trabalha ali, falta agora uma informação que faz toda a diferença: quando os serviços emergenciais realmente começarão.


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