O choque dos mísseis no Oriente Médio desaguou rapidamente nas bombas de combustíveis brasileiras. Desde 28 de fevereiro de 2026, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, uma reação em cadeia impulsionou a escassez global de óleo e passou a pressionar os custos no Brasil.
Para tentar frear a escalada, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) agiu na cadeia interna. O órgão prorrogou por mais dois meses, até 30 de junho de 2026, a desobrigação de estoques mínimos para produtores e distribuidores.
Pela Resolução 949/2023, as empresas precisavam reter volumes semanais de gasolina A e diesel A (S10 e S500), os combustíveis puros que saem das refinarias antes de receberem a mistura de etanol e biodiesel.
Sem a exigência, o setor pode oferecer mais produto diretamente ao mercado consumidor. Com o aumento da oferta, a pressão da demanda diminui, retirando parte do impulso que puxa os preços para cima para tentar garantir o abastecimento nacional.
A medida emergencial havia sido adotada inicialmente em 19 de março, com validade até 30 de abril. Apesar de ter comunicado produtores e distribuidoras por ofício no último dia 17, a ANP divulgou a prorrogação à imprensa apenas nesta quarta-feira (6/05/26).
“A flexibilização visa aproximar os estoques da ponta de consumo e ampliar a fluidez de suprimento ao mercado”, explicou a ANP, vinculada ao Ministério de Minas e Energia.
O alívio interno tenta contornar um estrangulamento logístico global. Como retaliação aos ataques, o Irã tem bloqueado o Estreito de Ormuz, localizado no sul do país. Pela passagem marítima, que liga os golfos Pérsico e de Omã, transitavam cerca de 20% da produção mundial de petróleo antes do conflito.
Com menos óleo na cadeia logística, o mercado vive um choque de preços há dois meses. O barril internacional do tipo Brent, usado como referência, saltou de US$ 70 para picos ao redor de US$ 120. Na tarde desta quarta-feira (6), a mercadoria beirava os US$ 100.
Como os combustíveis são uma commodity negociada em padrão internacional, a escassez encarece o produto mesmo em países produtores como o Brasil. O cenário se agrava pela dependência externa: o mercado brasileiro ainda importa cerca de 30% do diesel que consome domesticamente.
A prorrogação da ANP integra um pacote de ações do governo federal para o setor, que inclui também isenção na cobrança de tributos e subsídios repassados a produtores e importadores.
Enquanto a guerra bloqueia a principal artéria do petróleo no mundo, o Brasil força a liberação imediata de suas reservas na tentativa de blindar o consumidor de uma crise importada.





