
Entre um robô humanoide e um cão-robô, Robson Parzianello posou para uma foto durante o HumanX 2026, um dos principais eventos de inteligência artificial dos Estados Unidos. A imagem resume melhor a nova fase da Posthaus do que um anúncio de organograma.
O executivo, que até então integrava o conselho da empresa, acaba de assumir a Diretoria Comercial da varejista de Blumenau, com mais de 40 anos de história, levando consigo muito mais do que a responsabilidade pelas vendas.
Sob sua liderança passam a responder comercial, marketing, e-commerce, tecnologia e pós-venda. Cinco áreas que, até pouco tempo atrás, costumavam operar de forma independente e que agora passam a funcionar como uma única engrenagem.
A reorganização busca dar mais velocidade às decisões e integrar a operação de ponta a ponta. A decisão também reforça uma leitura cada vez mais comum entre empresas do varejo: a área comercial deixou de ser apenas responsável por vender. Hoje, conecta tecnologia, dados, relacionamento e experiência do cliente, tornando-se peça central para o crescimento do negócio.

O movimento acontece em um momento favorável para quem consegue executar bem. O comércio eletrônico de moda faturou R$ 2,9 bilhões no Brasil em 2025, crescimento de 35% sobre o ano anterior, segundo o E-commerce Brasil. Foram mais de 10 milhões de produtos vendidos, alta de 28% em volume. As projeções apontam um mercado de US$ 8,47 bilhões em receita neste ano, com crescimento médio anual de 11,56% até 2029. Ao mesmo tempo, 92% das varejistas registraram vendas superiores às de 2024, de acordo com levantamento da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX).
Nesse ambiente, a reorganização da Posthaus parece menos uma troca de comando e mais uma resposta ao mercado. Empresas que ainda operam com departamentos isolados perdem velocidade. Quem conecta informação, tecnologia e operação ganha capacidade de reagir mais rápido ao consumidor.
A agenda de Parzianello passa justamente por essa integração. A empresa já utiliza inteligência artificial em processos como curadoria e edição de imagens de produtos, análise de precificação, gestão de dados e relacionamento com consumidores. A proposta é reduzir a fragmentação entre áreas e tornar a jornada do cliente mais fluida, do primeiro clique à entrega.
“Hoje, digitalizar não é mais uma opção. É um caminho essencial para as empresas continuarem relevantes. Tudo muda muito rápido, e isso exige revisão constante de como a marca se posiciona, se organiza internamente e entrega valor ao cliente”, afirma o executivo.
A participação recente em eventos internacionais, entre eles o HumanX 2026, também reforçou sua visão sobre o papel da inteligência artificial dentro das empresas. Para ele, a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio e começa a assumir funções com maior autonomia nos processos de negócio.
“Não estamos mais falando de sistemas que apenas respondem, mas de estruturas com maior autonomia, capazes de impactar diretamente as atividades”, diz. Ao mesmo tempo, ele faz um contraponto. “À medida que tarefas operacionais são automatizadas, habilidades como pensamento crítico, repertório e capacidade analítica ganham ainda mais peso.”
Mas a Posthaus prepara outro movimento. Depois de mais de 17 anos operando no comércio eletrônico, a empresa decidiu abrir sua estrutura para atuar como braço comercial e logístico de outras marcas da indústria da moda, oferecendo serviços de fulfillment (logística completa de pedidos) sem interferir na estratégia ou na identidade dos parceiros.
A ideia é que essas empresas concentrem esforços em produto e vendas, enquanto a Posthaus assume toda a operação, do recebimento e armazenagem à separação e entrega dos pedidos. Segundo a companhia, o primeiro ano da vertical permitiu reduzir em até 45% os custos logísticos dos parceiros, além de melhorar produtividade, controle de estoque e velocidade nas entregas.
“Nosso papel é organizar esse mecanismo de eficiência em diferentes canais, garantindo que as marcas consigam executar melhor e chegar mais longe”, afirma Parzianello.
Por trás dessa aposta está uma infraestrutura construída ao longo de décadas. O Grupo Posthaus opera um centro de distribuição automatizado com 4,5 quilômetros de esteiras, sistema próprio de gestão de armazém integrado aos ERPs Bling e Tiny e um hub conectado a mais de 40 transportadoras. A empresa informa taxa de erro de apenas 0,01%, alta precisão de estoque e capacidade para absorver grandes picos de demanda, como a Black Friday, que movimentou mais de R$ 30 bilhões no e-commerce brasileiro em 2025.
“Abrimos essa vertical de negócio porque é um movimento natural depois de tudo o que construímos ao longo de quatro décadas. Temos muito a contribuir para viabilizar a competitividade de nossos parceiros no mercado atual”, conclui.
Mais do que anunciar um novo diretor, a Posthaus sinaliza onde pretende disputar espaço nos próximos anos. O organograma mudou, mas o recado ao mercado é outro: crescer, daqui para frente, passa por vender melhor, decidir mais rápido e integrar toda a operação.




