“Por que estou comendo tão pouco e mesmo assim não emagreço?”

Quando o corpo não responde à força de vontade, talvez seja hora de mudar a pergunta. Confira a coluna da nutricionista Bianca Jensen.

Imagem ilustrativa: OBlumenauense (desenvolvida com o auxílio de Inteligência Artificial)

Se você já se pegou dizendo “não entendo, estou comendo tão pouco e meu peso não muda!”, saiba que não está sozinha nessa dúvida. Na verdade, essa é uma das frases mais repetidas por mulheres que chegam frustradas, cansadas e com uma pitada de culpa na bagagem.

Mas a culpa não é sua. O problema, muitas vezes, não está na quantidade de comida, mas na forma como o corpo está funcionando — ou tentando funcionar. Metabolismo lento, sono bagunçado, estresse constante, hormônios desregulados e uma alimentação pouco nutritiva (mesmo que pequena) são peças importantes nesse quebra-cabeça.

Menos comida não é igual a mais emagrecimento

É comum pensar que comer menos é o caminho mais rápido para perder peso. Só que o corpo, esperto que é, entra em modo de sobrevivência: desacelera o metabolismo, estoca gordura e ainda aumenta a fome emocional — aquela vontade louca de devorar a geladeira no fim do dia.

E tem mais: quando a comida é pouca, mas de má qualidade, o corpo segue inflamado, desnutrido e travado. Não adianta cortar o prato se ele já vinha desequilibrado.

Para emagrecer, o corpo precisa de combustível — não de castigo

Vitaminas, minerais, carboidratos, proteínas e gorduras boas são mais do que nutrientes: são ferramentas para o bom funcionamento do organismo. Sem elas, o corpo reclama. E ele reclama alto, viu?

Entre os sintomas mais comuns de um corpo sem energia e nutrição estão:

  • Cansaço persistente
  • Inchaço e retenção de líquidos
  • Queda de cabelo
  • Estufamento e gases
  • Azia
  • Falta de disposição
  • Sono ruim
  • Fome emocional à noite
  • Não é drama. É biologia.

E o estresse? Sabota tudo!

Mesmo quem se alimenta bem pode se ver travando uma batalha contra a balança se estiver sob estresse constante. O vilão da vez atende pelo nome de cortisol, o famoso hormônio do estresse. Ele mexe com tudo: apetite, sono, intestino e ainda pode piorar crises de ansiedade e compulsão alimentar.

Ou seja: não é só sobre calorias. É sobre contexto.

Então, o que fazer quando o corpo não responde?

A resposta não está em dietas milagrosas, nem em punições disfarçadas de força de vontade. O caminho começa com um olhar mais gentil (e técnico) para o próprio corpo:

  • Faça exames de sangue e procure análises que vão além do “está dentro da média”
  • Preste atenção nos sinais do seu corpo: energia, sono, intestino, humor
  • Monte uma rotina alimentar possível para sua realidade — não uma “perfeita” no papel
  • Busque um profissional que entenda que você não é uma equação. Você é uma história

Se você está tentando com todas as forças e mesmo assim seu corpo não colabora, talvez o problema não esteja na sua disciplina — mas na estratégia.

Em vez de continuar na base da força e da culpa, que tal tentar com leveza, estratégia e respeito ao que seu corpo realmente precisa?

Porque comer pouco não é a solução.
Comer certo, sim. Isso muda tudo.

 

* Bianca Jensen é nutricionista (CRN-10/9605) formada pela FURB, focada em emagrecimento e comportamento humano. Busca auxiliar seus pacientes de forma que olhem para a sua alimentação com consciência para que haja uma efetiva mudança de hábitos. Você pode conhecer o trabalho pelo Instagram e entrar em contato através do WhatsApp.


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