PIX vira alvo dos EUA e entra no centro de disputa por bilhões em tarifas

Relatório do governo Trump acusa Brasil de favorecer o sistema criado pelo Banco Central e abre caminho para possíveis sanções comerciais.

Imagem: OBlumenauense

O Pix, usado diariamente por milhões de brasileiros, virou alvo direto do governo dos Estados Unidos. Em um relatório divulgado na noite de segunda-feira (1/06/26), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) acusou o Brasil de favorecer o sistema criado pelo Banco Central e prejudicar empresas americanas como MasterCard, VISA e WhatsApp Pay.

O documento é resultado de uma investigação aberta há um ano pelo governo de Donald Trump sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil. Entre as medidas sugeridas está a aplicação de tarifas de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. Agora, o governo brasileiro e empresas afetadas poderão se manifestar até 15 de julho, quando os EUA poderão decidir pela adoção de medidas corretivas.

Segundo o relatório, o Brasil concede vantagens ao Pix ao exigir sua presença com destaque em aplicativos e plataformas financeiras. O documento afirma que instituições com mais de 500 mil contas são obrigadas a participar do sistema e que o Pix deve aparecer com visibilidade semelhante à de outros meios de transferência.

A investigação também sustenta que o Banco Central incentiva o uso do PIX ao exigir que participantes ofereçam o serviço gratuitamente para pessoas físicas. Na avaliação do USTR, isso cria benefícios exclusivos para a ferramenta brasileira e impõe custos a concorrentes estrangeiros.

Outro ponto levantado pelos americanos envolve o papel do Banco Central como regulador e operador do sistema. O relatório afirma que essa estrutura gera conflito de interesses e permite decisões que favorecem o Pix em relação a outros serviços de pagamento eletrônico.

Para o governo dos EUA, as regras brasileiras acabam obrigando empresas estrangeiras a promover uma concorrente local sem compensação. O documento cita que fornecedores americanos de pagamentos eletrônicos são afetados por exigências que ampliam a presença do Pix no mercado nacional.

A ofensiva acontece em um momento em que o sistema se consolidou como uma das principais formas de pagamento do país. O PIX movimenta mais recursos do que bandeiras tradicionais de cartões e ampliou o acesso a transferências instantâneas sem custos para pessoas físicas.

As críticas americanas também são atribuídas à concorrência direta com serviços como o WhatsApp Pay e com as grandes bandeiras de cartões. Além disso, o PIX passou a ser usado como alternativa ao dólar em algumas transações internacionais, ampliando sua relevância além das fronteiras brasileiras.

A investigação começou oficialmente em 15 de julho de 2025. Reportagens da Bloomberg apontam que empresas de cartões de crédito e gigantes da tecnologia pressionaram o governo Trump a agir contra o sistema brasileiro.

O caso vai além de uma disputa comercial. No centro da discussão está o avanço de sistemas públicos de pagamento que competem com redes privadas e podem servir de modelo para outros países. O Pix, que nasceu como uma ferramenta para facilitar transferências, agora se vê no meio de uma queda de braço entre governos e gigantes do setor financeiro.


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