Você já ficou em frente a uma vitrine sem saber o que comprar, com o 12 de junho chegando e a sensação de que qualquer coisa que escolher vai parecer genérica? Pois é. O dinheiro, como sempre, continua sendo parte do cálculo — mas em 2026 o consumidor catarinense chega um pouco mais folgado do que nos últimos anos. Pelo menos é o que indica a pesquisa.
O Núcleo de Inteligência Estratégica da Fecomércio SC entrevistou 2.100 pessoas em sete cidades catarinenses entre o fim de abril e início de maio, e o resultado foi o maior índice de intenção de gasto desde que a pesquisa começou, em 2018.
A média estadual chegou a R$ 291. Em Blumenau, a intenção subiu de R$ 227 para R$ 288 — alta de 26,7%. Em Itajaí, o salto foi ainda mais expressivo: de R$ 202 para R$ 323, crescimento de 59,8%.
O que explica isso? Noventa por cento dos blumenauenses disseram que sua situação financeira está igual ou melhor do que estava no ano passado. Em Itajaí, esse índice ficou em 76%. Não é euforia. É alívio — e alívio, quando existe, aparece no carrinho.
Sobre o que comprar, a pesquisa entrega um retrato bem honesto do que passa pela cabeça de quem está escolhendo presente. Vestuário lidera com 30,3% das intenções, seguido por perfumes e cosméticos com 27,7%, e calçados e bolsas com 15,7%. Flores e chocolates aparecem com 8,7% — ainda resistem, mas claramente perderam espaço para coisas que duram mais do que três dias na geladeira.
Os demais itens da lista completam o quadro com participações menores, mas que dizem bastante sobre o que circula na cabeça de quem compra. Bijuterias aparecem com 3,9%, livros com 2,7% e eletrodomésticos ou eletrônicos com 2,6% — esse último é o presente que metade das pessoas quer ganhar e ninguém tem coragem de dar sem combinar antes.
Artigos de decoração ficaram em 1,3%, celulares ou smartphones em 0,9%, e joias ou relógios em 0,5%. Outros presentes não especificados somaram 1,7%, e 4,1% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.
Quando comprar também diz muito.
Mais da metade dos entrevistados — 57% — vai deixar para a semana da data ou para a véspera. Não é procrastinação, é tradição nacional. O comércio de rua concentra 53,6% das compras previstas, bem à frente da internet, com 24%, e dos shoppings, com 16,5%.
Na hora de pagar, o PIX lidera com 32,8%, seguido pelo dinheiro vivo com 21% e o débito à vista com 19,7%. Parcelamento no crédito aparece com 13,1%. O consumidor quer presentear — mas sem transformar o presente numa dívida de julho.
Preço ou qualidade do produto: o que mais influencia?
O fator que mais pesa na decisão de compra é o preço, com 28,5% das menções. Qualidade do produto vem em segundo, com 22,4%, e atendimento em terceiro, com 15,5%. Promoções aparecem logo atrás, com 14,3%. Juntos, esses quatro critérios respondem por mais de 80% das escolhas — o que basicamente significa que o consumidor quer se sentir bem atendido e não se sentir lesado. Pedido razoável.
Quem influencia essa decisão?
As redes sociais lideram com 35%, seguidas pelas vitrines físicas com 26% e pela recomendação de amigos e família com 9,3%. Para quem tem loja, isso reforça algo que já se sabe mas que nunca custa lembrar: o que está na janela ainda importa muito.
Além dos presentes, 37% pretendem sair para almoçar ou jantar. É a forma de comemoração mais popular entre quem vai fazer algo pela data. Simples, direto, e difícil de errar — desde que a reserva seja feita antes da véspera, claro.
O cenário geral para o Dia dos Namorados em Blumenau e no Vale do Itajaí é de movimento real, sustentado por uma percepção financeira mais positiva do que nos últimos anos. Nada extraordinário, mas suficiente para deixar o comércio animado — e quem vai dar o presente, um pouco menos ansioso na frente da vitrine.





