terça-feira, 13 abril 2021
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Perda de memória afeta 80% dos pacientes recuperados da Covid-19, aponta estudo

Recuperados tiveram ainda sonolência, dificuldade de concentração, falta de equilíbrio e problemas de raciocínio.

Diversas pesquisas tem demonstrado que o Covid-19 pode afetar o cérebro daqueles que contraem a doença. No entanto a ciência ainda busca elucidar os mecanismos pelos quais o sistema nervoso central torna-se alvo do vírus. Um exemplo é a perda de memória persistente em pacientes recuperados da doença, que vem intrigando os especialistas.

Um estudo realizado pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), aponta que 80% dos pacientes recuperados de Covid-19 apresentaram disfunções cognitivas, como perda de memória, dificuldade de concentração, problemas com compreensão ou entendimento e dificuldades com o julgamento e raciocínio.

Essas sequelas acontecem, segundo o estudo, porque o vírus entra pelas vias aéreas, compromete o pulmão e, com isso, baixa o nível de oxigênio. A dessaturação vai direto para o cérebro e acomete o sistema nervoso central, afetando algumas funções.

Uma das sequelas da doença estudadas é o termo em inglês brain fog, conhecido como névoa cerebral. De acordo com a neurocirurgiã Danielle de Lara, que atua no Hospital Santa Isabel (Blumenau/SC), a névoa cerebral envolve perda da memória recente, dificuldade de concentração e de execução de tarefas habituais e lentidão de raciocínio. “Por ser uma doença nova na medicina, as sequelas e tratamentos estão sendo desvendadas de uma forma mais lenta. Essa neblina, por exemplo, pode estar ligada a diversos sintomas”, aponta a especialista.

Danielle ainda explica que na literatura científica, alguns cientistas e autores estão chamando a névoa cerebral como a síndrome inflamatória multissistêmica do adulto. “Trata-se de uma inflamação em diversos órgãos, incluindo o sistema nervoso central, provocada pelo vírus da Covid-19. Isso acarreta cansaço, falta de ar, dores pelo corpo e outras alterações cognitivas. Alguns pacientes tiveram ainda habilidades prejudicadas, problemas na execução de várias tarefas, mudanças comportamentais, emocionais e confusão mental”, explica a neurocirurgiã.

Sobre Danielle de Lara

Médica Neurocirurgiã em atividade na cidade de Blumenau (SC). Atua principalmente na área de cirurgia endoscópica endonasal e cirurgia de hipófise. Dois anos de Research Fellowship no departamento de “Minimally Invasive Skull Base Surgery” em “The Ohio State University Medical Center”, Ohio, EUA. Graduada em Medicina pela Universidade Regional de Blumenau. Possui formação em Neurocirurgia pelo serviço de Cirurgia Neurológica do Hospital Santa Isabel.

 

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